Cardápio caseiro

O jornalista que gostava de histórias pitorescas mantinha uma crônica semanal num jornal da cidade, onde comentava e analisava situações do cotidiano. Certa ocasião contou a história de um novo rico e sua mulher deslumbrada e tão apaixonada por jóias, que quando saia de casa parecia mostruário de joalheria. Um belo dia o casal foi ao aniversário de pessoa amiga num sitio próximo de Curitiba na rodovia BR-277 sentido de Paranaguá. Depois da festa com muito churrasco e bebidas finas, voltavam para casa quando a deslumbrada mandou o marido parar num motel. Queria por que queria experimentar uma transa num motel.
Entraram e foram para uma suite cheia de atrativos; cama redonda, espelho no teto, hidromassagem e outros dispositivos estimulantes. Antes do início desse jogo, com os dois atletas já uniformizados, ele de cueca samba-canção listrada e ela de calcinha preta com rendas e suas iniciais bordadas no lado esquerdo do siliconado bumbum, ouviram um forte barulho com gritos nos corredores. Dois assaltantes armados e bem vestidos levaram todos para um salão, do jeito que foram encontrados. Um velhote de cueca samba-canção branca com dois botões na frente, acompanhado por uma menina com olhar triste e cara de arrependida e mal paga, um rapazinho como uma senhora meio obesa e muito enfeitada, um casal que tentava não ser reconhecido, e não foi. Os bandidos mandaram todos colocarem seus pertences num boné que apareceu para fazer a coleta da noite. A mulher deslumbrada e decorada com jóias dos pés a cabeça entrou em pânico.

– Chamem a polícia. Minhas jóias ninguém leva.

A sugestão de chamar a polícia não foi aceita por ninguém. Polícia poderia implicar em boletim de ocorrência e revelação de quem estava com quem e quantos maridos infiéis e outros pecadores havia no grupo.

Os bandidos levaram a melhor: dinheiro, relógios, celulares e talões de cheques. Todas as jóias da  deslumbrada, que chorava muito, foram arrancadas e colocadas no boné. O marido desolado com a perda das jóias da patroa lembrou-se de uma frase da sabedoria popular:

– “Mulher da gente e maionese só se come em casa”.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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