Cariri

Coleção resgata a história do rádio.
Crato (Sucursal) – Desde os tempos remotos, o homem se dedica a colecionar objetos dos mais variados tipos. É uma mania lúdica, saudosista, educativa e, às vezes, lucrativa.
Diário do Nordeste
Edição do dia 25/10/05

O jornalista Paulo Ernesto Arrais, nas suas andanças pelo Cariri, no rastro da notícia, descobriu que ainda existem muitos rádios antigos a válvulas e abandonados nas casas sertanejas. Com o advento do transistor, os velhos rádios à corrente e à bateria foram substituídos por rádios a pilhas.
Aos poucos, o jornalista formou a maior coleção de rádios do Cariri. Hoje, o acervo conta com 30 peças, todos funcionando. Marcas famosas como Philco, Phillips, Telefunken, Teslespark, General Electric, Invicto, Sonorous, Cantante, Chantecler, Semp, Mulard, com caixa de baquelita ou madeira, foram integrados à família como verdadeiras jóias da indústria eletrônica. Alguns foram encontrados no lixo, como um velho Telefunken que foi completamente recuperado, estão entre as jóias raras de sua coleção.
 A paixão pelo rádio é atávica. Filho de radialista, neto de um comerciante que vendia rádio e era dono de uma amplificadora, Paulo Ernesto nasceu e cresceu ouvindo falar no assunto. Ele garante que o rádio está vinculado à história do Cariri. Muitos deles transmitiram o Repórter Esso e as últimas notícias da Segunda Guerra Mundial.
Ao contar a história de cada um de suas peças, o jornalista imagina a importância que o rádio exerceu na década de 50, quando reinava absoluto como único meio de comunicação do Interior. Ele repassa a história que ouviu de seu avô, Vicente Anselmo, que reunia os amigos na sala da frente de sua casa, em Porteiras, para ouvir a rádio Mayrink Veiga, uma das mais populares da época.
 Incentivado pela difusora do avô e pelas andanças do pai dele pelo sertão cearense em busca de notícias, Paulo Ernesto decidiu seguir a carreira de jornalista. Na academia, em Recife, a cidade berço do rádio nordestino, a paixão aumentou principalmente depois de ler autores como Luiz Maranhão sobre a história do rádio no Brasil e no Pernambuco. Apesar da paixão radiofônica, o jornalista admite ter uma frustração: “entrei na faculdade por conta do rádio e trabalhei em todos os setores de comunicação: assessoria, produtora, esporte, fotografia, laboratório, entre outras, menos numa emissora de rádio”.
 
Ele confessa que seu sonho é ter um programa de notícias na rádio jornal, ao lado de ícones pernambucanos como Geraldo Freire. “Que sabe este sonho esteja reservado para o futuro”, afirma sem desanimar.
 


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