Carlinhos: de Cachoeira a Cataratas

Não levo fé na CPI do Carlinhos Cachoeira (ou, como disse o cidadão indignado lá na fruteira: Carlão Cataratas). A carga de esterco é muito grande para um ventilador tão mixuruca. Gostaria de queimar a língua, mas duvido que a CPI produza algo de útil para o moral da Nação. É muita gente graúda envolvida na bandidagem, é imensamente grossa a grana azeitando os piores instintos de sobrevivência da malandragem para crer que algo decente surja. Em matéria de corrupção estamos superando todos os limites. Quando estourou o Mensalão ainda ficou o ar a sensação de que a roubalheira era apenas de um lado, ou seja, havia esperança de que nem todas as maçãs estavam podres. Quando veio a Privataria a luz amarela acendeu: chi tem outra banda podre. Para desespero, agora ganha força a impressão de que poucos, apenas para confirmar a regra, vão escapar.

O caldo de cultura que produz figuras como Carlinhos Cachoeira se espraiou de tal forma entre nós que já começamos a duvidar de tudo e de todos. E isso não é legal, pois sabemos que é significativa a quantia de quem tenta seguir caminhos decentes.

Nesse novo patamar assumido pela ladroeira é de se perguntar: em termos de crise moral há precedentes entre nós? Como chegamos a tal estágio? Que fenômeno está produzindo tal cultura? Foi sempre assim no país e só agora, pela liberdade de imprensa, estamos nos revelando o que somos?

Antigamente era fácil, a gente culpava as elites insensíveis, o sistema que não cultivava valores, culpava a burguesia individualista, o capitalismo selvagem, os coronéis nordestinos, o imperialismo impiedoso. Agora não dá para buscar culpados ao longe, pois quem apontava o indicador acusatório está no poder com todos os poderes!

Arrisco dizer que parte desse processo isso tem muito a ver com o tal de jeitinho brasileiro, que torna tudo muito elástico. Jeitinho que vai esgarçando os conceitos para fugirmos de nossas responsabilidades até chegar a isso. Em cadeia nacional vimos algo bem ilustrativo sobre essa questão que nos assusta: após atualizar os dados sobre a CPI o homem da televisão mostra o flagrante de um motorista de caminhão tentando corromper um policial rodoviário federal com cinquenta reais. Fui claro?

Tudo o que se relaciona ao novo escândalo espanta: o número de autoridades e de partidos (quem escapa?) envolvidos, quantia de dinheiro e, ainda, o desleixo da administração com o dinheiro público. A empresa Delta, por exemplo, levou bilhões de reais em contratos e jamais alguém do governo federal fez qualquer questionamento!

Sou cético: só para passar mel nos lábios da opinião pública instalaram a CPI.

Acusado de explorar jogos ilegais Cachoeira montou uma rede de fazer inveja aos maiores bandidos do mundo. Ele tinha pessoas da sua confiança em postos-chaves dos governos de Goiás, comandado pelo PSDB e do Distrito Federal, do PT. Contava com um despachante de luxo, o senador Demostenes Torres e mantinha relações íntimas com dezenas de personalidades entre elas Olavo Noleto, que trabalha no Palácio do Planalto como assessor da Secretaria de Assuntos Institucionais e um dos principais executivo da empresa Delta.

A coisa é tão grande que só pode dar chabu.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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