Carlos Antônio Gerlach – Seu Catonho

O Mestre Catonho da Cuíca não goste que eu chame ele de “Seu Catonho”, porque “Seu” é coisa de velho, segundo ele. Mas eu vou chamar de “Seu Catonho” sempre, como forma de reverência. E “Mestre” porque esse velho é muito bom!

Seu-Catonho

O músico e ex-presidente da Ordem dos Músicos do Brasil – Santa Catarina, não se considera músico, mas toca uma das mais belas cuícas da Grande Florianópolis. A cuíca exata, no lugar certo, na hora própria. É a cuíca mais-que-perfeita na conjugação das cuícas.

É, também, um dos mais antigo músicos de São José. Não é à toa que seu apelido na ala de cuíca das escolas de samba é “Experiência”.

Mestre Catonho é iluminado, mora em um lugar mágico, com uma família especial!

Entrar na sua casa é entrar na história de São José e da música mundial.

Mestre Catonho é um historiador que dá inveja para muitos historiadores, incluindo o autor dessas linhas. Possui um acervo de mensagens, de várias partes do mundo, escritas em todas as peles de cuícas que já usou, desde a primeira, guardadas com muito zelo; partituras de choros, valsas, sambas, várias inéditas, nunca nem interpretadas em palcos ou rodas; instrumentos musicais feitos à mão especialmente para sua pessoa especial; viniis, cds, livros; e o mais importante: histórias guardadas na memória! Tudo isso catalogado com um carinho tamanho, como se cada parte disso tudo fosse único. E é. Assim como Catonho.

Seu Carlos Antônio Gerlach é de família tradicional de São José. Seu pai foi dono do famoso bar na Praça de São José. Em qualquer acervo fotográfico da época é possível ver um bar cheio de garrafas na parte de trás e um senhor recepcionando os clientes. Este senhor é seu pai.

O Cine York também é de sua família. O antigo Bar Cine York era comandado por um de seus filhos.

Carlos Antônio Gerlach foi dono do bar de seu pai, funcionário da Biblioteca Pública, diretor do Teatro Adolpho Mello e é criador de canário. Vencedor de prêmios. Sua casa é dividida em música e canários. São dezenas de gaiolas tratadas indivualmente, diariamente, com um carinho e uma paciência incrível.

As festas promovidas em sua casa são inenarráveis. É um dos poucos lugares que eu frequentei e não filmei. Não tive coragem. O que se vê lá dentro é único. Privilégio de quem é convidado para entrar em seu recinto. Não devia sair de lá e ser exposto para qualquer um. Não são todos que merecem apreciar. Não são todos que iriam entender.

As festas não são festas sem a sua presença. O samba não é samba sem a sua cuíca. A alegria não é alegria sem seu sorriso. As histórias não são histórias sem a nostalgia proveniente de suas lembranças.

Mestre Catonho da Cuíca, estas lágrimas que eu derramo enquanto escrevo isso são para você.

Texto inspirado na foto intitulada “Era uma vez…”, com Bidu, MESTRE CATONHO, Dôga e Artur de Bem, na casa do Seu Catonho.

“Eu abro meu peito, o mundo perfeito não passa de um sonho. Porém melhor fica ouvindo a cuíca do irmão Catonho” (Guilherme Partideiro)

Texto originalmente publicado no Blog Cantinho do Nermal, em 12 de maio de 2008.

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