Caros Ouvintes

Rádio é uma coisa muito boa e é um meio que, ao contrário do que muitos pessimistas previam, continua firme e forte apesar da TV e da Internet.
Por Lígia Fascioni
Acontecendo Aqui – 31/10/05

O Antunes Severo, meu mestre amado e por quem arrasto um caminhão, tem inclusive um ótimo site inteiramente dedicado à história dessa mídia em Santa Catarina. É o excelente www.carosouvintes.org.br.
Novas possibilidades aparecem, como os Podcasts, que nada mais são do que gravações de áudio publicadas na Internet. Você pode juntá-las e montar sua própria rádio, com os assuntos e músicas que preferir. A atualização é automática e você pode programar o seu micro para baixar seus programas favoritos, gravá-los e escutá-los à hora que quiser no seu MP3 Player. Uma revolução!
Eu gosto muito de rádio e mesmo reconhecendo que há emissoras muito boas em Florianópolis, sou viciada na Itapema FM. É tudo de bom. Exceto os comerciais.
Gente, por que comercial de rádio é tão medíocre e mal feito? Já não digo nem a produção, mas o conceito mesmo. Há um tempo atrás, enjoei de escutar uma propaganda de uma loja de móveis infantis que pregava que o mais importante que você pode ensinar ao seu filho é ele aprender como viver bem (no sentido mais material do termo, já que a propaganda era de móveis). Pode?
Tem o mau gosto da propaganda de motéis, o café e “loxa de cedeixs” cujo sotaque carioca (forçadíssimo) do locutor é inexplicável, restaurantes que oferecem hambúrgeres como prova de alta culinária, uma universidade cuja aluna “vai estar se preparando para o mercado” (será que o curso é de telemarketing?) e até aqueles spots que são só chatos mesmo.
Agora, revolto-me com a propaganda de uma loja de carros usados onde um rapaz diz a outro que tem uma novidade (“o quê? vai dizer que você está ‘pegando’ a Carol?”). Ele diz que não, que comprou um carro novo e pode pegar muitas e outras garotas. O outro vai correndo comprar um carro também senão “vai sobrar só Carol para ele”. É mole? Pode tanta estupidez? Já não digo nem que a propaganda seja machista, pois acho que é burra mesmo. Será que eles não sabem que as mulheres respondem por mais 80% das decisões de compra, em especial as de carros? Que há muitas Carol nesse público-alvo e muitas outras cujas amigas têm esse nome? Por que fazem uma coisa tão mal feita e pobre quando há tantas possibilidades interessantes? Preguiça mental?
Há uma rede que vende carros imitando a voz da ex-prefeita Ângela Amin, que, apesar de não ser nada espetacular, não incomoda e nem fere ninguém. É até engraçadinha. E a farmácia que conta com um manezinho e um gaúcho para fazer propaganda é bem criativa, com personagens típicos, mas que também não apela para o mau gosto. As propagandas dos próprios programas da rádio são muito boas. Mas essas são exceções, infelizmente.
Gente, rádio é uma mídia importante. Precisa ser mais cuidada. Senão, o povo vai mesmo é migrar para os Podcasts e depois não adianta chorar pintangas e se lamentar que o mundo é injusto.
Lígia Fascioni
www.ligiafascioni.com.br
31/10/05


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