Caros Ouvintes vira teatro em São Paulo

Passada nos anos 1960, a comédia ‘Caros Ouvintes’ mostra a difícil adaptação dos radioatores à televisão implantada no Brasil em 1950.

Caros no teatroComo, o título Caros Ouvintes não é propriedade do Instituto Caros Ouvintes? A expressão Caros Ouvintes é de domínio público. Foi o bordão de milhares de radialistas na chamada Era de Ouro do Rádio no período de 1940-1960. Quando tivemos a idéia de um livro e de um site logo apareceu a necessidade de termos um título-referência para identificar os projetos. Então, numa reunião com o Emílio Cerri, em agosto de 2003, ele pergunta: E qual é o título do livro? Pensei rápido e o nome veio de imediato: Caros Ouvintes. Quando olho para o Emílio ele estava me fixando com ares de quem ficou decepcionado. Captei a mensagem e emendei: é um jargão muito comum usado pelos radialistas ‘das antigas’. Depois a gente muda. Mas, o Caros Ouvintes ‘pegou’ e continua mais vivo do que nunca.

Agora foi a vez de um grupo de teatro utilizar a frase que esperamos também faça sucesso nos palcos do Brasil.

Em matéria na Ilustrada da Folha de S.Paulo, do sábado, 16/8, a repórter Fernanda Reis se esforça para mostrar ao leitor mais jovem o furacão que foi a novela na programação das emissoras de rádio a partir do final da década de 1940 e que se estendeu por vinte anos até esbarrar no desmantelamento do rádio promovido pela censura do governo Militar.

A trama da peça dirigida por Otávio Martins conta com a participação do produtor Petrônio Gontijo cuja equipe “sofre com o clima de incerteza em relação ao futuro: a estrela da trupe, Conceição (Natália Rodrigues), é seduzida pela TV, a próxima produção não é confirmada e os patrocinadores querem modernidade”, diz Fernanda.

Mesmo sendo comédia, o espetáculo tem momentos de tensão quando uma das atrizes do grupo faz um discurso inflamado a favor da ditadura. “Tem gente que ri mesmo nesses momentos tensos”, conta Otávio Martins.

Os cuidados com o cenário foram levados aos mínimos detalhes desde a “idade” dos móveis aos efeitos sonoros produzidos pelo sonoplasta da rádio “que usa instrumentos inusitados em cena. Para fazer barulho de chuva, por exemplo sacode uma bexiga cheia de grãos de milho. O som do gatilho de uma arma é produzido por um isqueiro antigo, anota a repórter Fernanda Reis.

CAROS OUBVINTES vai à cena (estreou ontem) as sextas, sábados e domingos, até 14 de dezembro de 2014, no Grande auditório do Masp, Av. Paulista, 1578. São Paulo, Capital. [ Com informações da Folha | Ilustrada | Fernanda Reis | Foto: Priscila Prade ]

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