Carpe diem

Desejar um: Bom dia, boa tarde ou boa noite pode ser sinal de educação, essencial aos educados ou mais do que isso; pode partir do “coração”, enfim, desejar que o nosso interlocutor tenha, digamos, um bom dia, um dia de paz, um dia de felicidade.

A expressão: Carpe diem – é uma expressão do latim, usada pelo poeta romano, Horácio (65 AC – 8 AC). Provavelmente não se referia a um dia normal, de 24 horas. Podemos compreender o “colha o seu dia ou aproveite seu dia” de forma mais intensa. Aproveitar: cada momento, cada instante, cada fôlego tomado, cada gole de água, o sabor do alimento naquele exato momento, cada paisagem observada, cada música ouvida, cada chamada de um filho ou de um pai, a cada bom dia dado e desejado. Carpe diem parece estar ligado aos instantes que vivemos que podem parecer eternos e ao mesmo tempo podem ser os últimos.

“Viva cada dia como se fosse o último, um dia você acertará”. Mário Quintana. Alguém se arrisca em dizer que isso não faz sentido?

“Embora nem saibam como será sua vida amanhã. Porque vocês são uma neblina que aparece por um instante e depois desaparece”. Tiago 4:14. Bíblia.

Não há dúvidas de que nem Horácio, nem Mário Quintana e nem o Autor da Bíblia queriam nos incentivar a ter uma vida: irresponsável. Algo do tipo: Faço o que quiser, “amanhã” não estarei mais por aqui. A ideia é outra.

Quantos de nós planejamos o futuro? Parece sábio fazer isso. Afinal de contas só colhemos o que plantamos. Mas até que ponto esperamos para ser feliz amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem ou daqui alguns anos?

Quem de nós já não conheceu alguém; parente, amigo, colega, vizinho ou pelo menos ouviu uma história de alguém que parecia super bem, e no dia seguinte ou na semana seguinte estava recebendo visitas cheias de lágrimas sem poder agradecer sua presença? Pessoas das mais variadas idades e classes sociais que numa hora estavam cheias de planos e praticamente no dia seguinte estavam sendo enterradas ou cremadas?

Assunto indigesto? Penso que é a realidade da vida. E espero que um dia não mais morramos. O ponto é hoje, independente do dia da semana em que o leitor ou a leitora esteja lendo esse texto. Não importa a hora do dia e o dia da semana; importa é o seu – agora, esse seu momento. Espera ser feliz futuramente, talvez quando se casar, tiver filhos, fazer a viagem dos seus sonhos, terminar a faculdade ou o doutorado, ter uma casa maravilhosa, ou um carro espetacular? Pode ser algo simples para muitos, mas especial para o amigo ou amiga que lê essa coluna. Vai ser feliz só quando…? Concordo que a felicidade plena seja possível, mas aí entra a fé e a espiritualidade; o fim dos principais males que existem.

Pouco antes de escrever essa crônica fui a um supermercado perto de casa com essa expressão na mente: “carpe diem”. Logo que entrei encontrei um jovem amigo, um rapaz com menos de 30 anos de idade. Não foi possível evitar um abraço e as lembranças do seu saudoso pai. Dia 26 de abril faz 10 anos que seu pai faleceu; infarto, com apenas 46 anos de idade. O pai dele era meu amigo já por 10 anos quando morreu. Trabalhador, honesto, bem humorado. Estava em seu segundo casamento, curtia os filhos biológicos e os do coração, seus enteados que o tinham como pai verdadeiro; óbvio que era pai verdadeiro, que bobagem escrevi logo ali. Ele não apenas se divertia aos finais de semana; mesmo com seu trabalho duro de sol a sol estava a cada dia radiante. Não sei se ele conhecia as palavras de Horácio nem as de Quintana, mas vivia como se as levasse ao “pé da letra”.

Esperar para ser feliz “”amanhã” quando nem sei se estarei por aqui? Não!

Se estivermos infelizes hoje, eu, a leitora ou o leitor, que façamos algo agora mesmo; largue essa coluna, esse texto; resolva o que tem para resolver, e seja feliz sempre, mas especialmente, com amor e responsabilidade: agora. O amanhã é um futuro tão desejado quanto incerto.

Horácio, Quintana e o Autor da Bíblia nos deram mais do que dicas, nos deram orientações.

Então, sem essa de “que pessimismo”; eu é que não vou esperar para ser feliz só quando… E vocês, amigos leitores? Carpe diem!

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