Casa da Memória recupera obra de Pituca

Ator teve uma extensa carreira em teatro e tevê
Por Jéferson Lima
A Notícia, 21/4/2006. Anexo, C5

Florianópolis – O florianopolitano Mozart Régis, o “Pituca”, nasceu em 16 de maio de 1926, três dias depois da inauguração da ponte Hercílio Luz. Aos 20 anos, na década de 40, partiu para uma carreira teatral e televisiva que durou até sua morte, em 23 de julho de 1995, quando trabalhava na produção do programa “Jô Soares”. Pituca começou com o pé direito ao integrar em início de carreira a companhia de Procópio Ferreira.
Durante sua carreira, Pituca teve o cuidado de conservar todo seu material de trabalho, incluindo scripts de televisão, teatro e cinema, recortes de jornais, uma coleção de carteiras de identificação, que vai desde crachá da Rede Globo a carteira de motorista, e inúmeras fotografias. Numa delas, Pituca aparece ao lado de Renata Fronzi e Liana Duval, durante as filmagens de “Hoje o Galo Sou Eu!”, uma chanchada de 1957 dirigida por Aloísio de Carvalho.
Todo material em torno de artista estava com sua amiga, Graça Jacintho Andrade, em Florianópolis. O acervo foi doado para a Casa da Memória e passa agora por um processo de higienização e catalogação. Embora Pituca tenha reunido com a maior boa vontade todo material em torno de sua trajetória artística, ele não adotou critérios adequados para conservação. Há um álbum de fotos e recortes de jornais que foram afixados nas páginas com fita adesiva, e a cola atravessou o papel, deteriorando parcialmente o material. Segundo Fábio Brüggemann, coordenador da Casa da Memória, a postura correta seria conservar a peça doada como foi montada pelo artista, mas como o papel não é adequado – e poderá prejudicar as imagens e recortes de jornais – os técnicos estão estudando qual a melhor forma de arquivar o álbum.
Entre as peças recebidas pela Casa da Memória há também uma casaca do artista presenteada por Procópio Ferreira. Com ela, Pituca filmou “Quem Roubou Meu Samba”. Além da casaca, há um boné e um óculos utilizados por Pituca na novela “Araponga”, da Rede Globo. Este material será doado para o Museu da Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).


Os atores Pituca, Renata Fronzi e Liana Duval – O catarinense atuou ainda com outros
nomes da comédia, como Grande Otelo. Reprodução James Tavares AN.

Manezinho da Ilha, condecorado com troféu pelo jornalista Aldírio Simões, Pituca também recebeu a Medalha de Mérito Municipal em 1988. Entre os documentos doados à Casa da Memória, há um telegrama deste mesmo ano, em que o prefeito Edison Andrino informa ao artista que ele havia sido congratulado com a comenda. Noutro telegrama, de 1954, a Câmara da Capital parabeniza Pituca pelo seu “êxito teatral”.
Há duas caricaturas do artista, uma produzida por Domingos Fossari e outra por Mendez. Noutro documento do acervo doado à Casa da Memória há um convite para uma exposição de Meyer Filho, com dedicatória do pintor para o ator, em 20 de fevereiro de 1991. Meyer morreria meses depois. O material doado à Casa da Memória foi localizado pelo Instituto Caros Ouvintes, voltado para a pesquisa do rádio catarinense.
Começo na Guarujá
Em Florianópolis, Pituca estudou no Grupo Escolar Lauro Müller, Escola Técnica Federal de Santa Catarina e Escola do Comércio. Em 1942, trabalhou nos primórdios do rádio da Capital, quando a Guarujá trasmitia seus programas através de alto-falantes afixados nos postes do centro da cidade.
Depois de Pituca trabalhar na rádio Guarujá, iniciou a carreira na Cia. de Procópio Ferreira, numa apresentação na cidade de Lages, em 1946. A partir desta estréia, Pituca seguiu com a companhia para uma turnê pelo Rio Grande do Sul.

Em 1948, o artista catarinense participou da peça “O Divórcio”, no Rio de Janeiro, que marcou a estréia de Bibi Ferreira, filha de Procópio. No início dos anos 50, em Florianópolis, Pituca apresentou programas infantis aos domingos, e os programas “O Mundo é uma Bola” e “Pitucadas”, além de realizar peças infantis no Teatro Álvaro de Carvalho. De volta ao Rio, contracenou com Grande Otelo, Virgínia Lane e Renata Fronzi. Trabalhou na Rádio Nacional, e na TV Tupi e TV Rio – Canal 13. Nos anos 60, estreou na Rede Globo, onde trabalhou até sua morte.
Na opinião de Fábio Brüggemann, a recepção do acervo de documentos em torno de Pituca pela Casa da Memória amplia as referências da história da cultura florianopolitana. “Enquanto o Arquivo Histórico Municipal faz o papel de conservar os documentos gerados pelo poder público, a Casa da Memória aglutina os documentos gerados pela sociedade”, diz Brüggemann.


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