Casa do Suco, sempre lembrada com saudade

No começo dos anos 80, a Casa do Suco, no centro da cidade, quase em frente ao antigo Cine São José, era o ponto de encontro de novos e velhos músicos de Floripa.

As desejadas GianniniA Casa foi idealizada e começou com o baterista e percussionista Edson “Edinho” Farias e o baixista Clodoaldo “Neno” Correa Filho, velhos parceiros da banda “Siddartha” (com quem participamos, Nilo Aguiar e eu, no Festival de Praia de Leste – Paraná, além da mascote da banda “Fomizelda”, uma galinha, no sentido literal, que passeava pelos palcos durante os shows).

Ao lado da Casa do Suco, ficava uma filial da Sorveteria Satélite, de propriedade de Lucia, esposa do guitarrista Orlando “Landinho” Santos da Silva, irmão mais velho de Neusa, com quem eu já havia trabalhado musicalmente (1972), e de Jimi Santos, com quem eu atuaria posteriormente na banda Os Santos (2000 a 2005).

A Casa do Suco tornou-se um ponto de encontro dos músicos e boêmios da cidade, iniciando suas atividades no começo da tarde e levando até as madrugadas do dia seguinte.

Ali, Zuvaldo era o músico da casa, abrindo espaço para minhas participações, além do recém-chegado Frank do sul do Estado, Carvalhinho, o próprio Edinho e outros.

A atitude de Neno e Landinho ao abdicar do Phoenix para formar o Grande Pássaro também dissolveu a sociedade com Edinho, que fora substituído por Ringo, e aflorou seu instinto de comerciante, passando a ter apenas participação como baterista ou percussionista em esporádicos eventos. Em seguida, abriu nova casa na Agronômica, onde eu dava canjas com o trio da casa formado por Leco (piano), Hamilton (baixo) e Adalberto “Michupa” (bateria).

Depois de muitos anos, quando sempre fui um vocalista de banda, comecei a esmerar na voz solo, mas não foi fácil, pois estava acostumado a esperar pelo solista para colocar meus vocais. Mas foi uma boa experiência e comecei a gostar um pouco da minha voz, mas muitas vezes me vi quase mudando de naipe, semitonando algumas notas.

A casa da Agronômica era bem diferente da do centro, pois lá o espaço era bem maior, havia uma antessala com quadro do Carlos Magno (surrealismo fantástico), o palco era bem definido, e a freqüência da classe média.

Os músicos “da casa” formavam um trio maravilhoso, com um repertório bem diferente da “casa” do centro, baseado no melhor da MPB.

Numa noite em que dava canja, casa lotada, um grupo pediu para cantar “parabéns” para uma cliente; porém, enquanto eu cantava, a zorra do grupo atrapalhava as interpretações e, ao invés de cantar os parabéns, mandei todo mundo praquele lugar, o que fez o Edinho pedir para eu “dar um tempo”.

Ora! Já não precisava trabalhar nas noites, pois meu salário na Caixa era satisfatório e me permitia dar vazão aos instintos. Mas continuei a brincar com Zuvaldo na casa do centro.

Até hoje a Casa do Suco é lembrada com saudades. Edinho casou e foi morar no interior, mas os músicos da casa continuaram suas carreiras ou, pelo menos, têm seus nomes relacionados ao local.

Segundo o amigo músico Gian Bortolluzzi,  “não se pode esquecer o Roda Bar, onde o pianista Aôr trazia gente do Rio e São Paulo pra gigs que adentravam madrugadas, e eu frequentava com os caras que me levavam como filho e eu podia entrar nesses lugares maravilhosos: eram Karmaya, Chefinho, Coronel, Boabaid, Agenor… e outros feras que adoravam ouvir música ao vivo na noite de Floripa….”

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