Casal relembra a época dos programas de auditório

Dalcyr e Eunice viveram na época em que os cantores famosos se apresentavam, ao vivo, em programas de auditório. Nessa época a rádio-novela mexia com a imaginação de cada pessoa.
Por Gisele MachadoPara o casal de aposentados Eunice Motta da Silva, 65 anos, e Dalcyr Motta da Silva, 69, o rádio era um veículo de extrema importância e muito valorizado numa época em que não existia televisão.

“Nada se podia ver, tudo tinha que ser imaginado. Desde a moça grávida, à cor da camisa dos atores e das atrizes em uma rádio-novela, até a fisionomia de uma pessoa, como por exemplo, o palhaço Carequinha”, afirma o casal. Segundo Eunice e Dalcyr, o palhaço era tão famoso na época, que quando veio se apresentar na capital catarinense teve que fazer show em praça pública, pois o auditório das emissoras era pequeno demais para receber todos os seus fãs.

O casal, que há mora mais de 40 anos no bairro Coqueiros em Florianópolis, acompanhou o desenvolvimento e crescimento das emissoras existentes na época, como a das rádios Diário da Manhã, a Guarujá e a Anita Garibaldi.

“Eu era muito menina, lá pelos meus 14 anos, e na minha casa não tinha rádio”, relembra Eunice. Foi através de sua irmã, que era fascinada pela rádio-novela O direito de nascer de 1952, que sua família passou a se aproximar do rádio. Naquela época as famílias que não tinham rádio se reuniam com as que tinham, para ouvir as principais notícias do dia, conta Dalcyr. Eunice participou de programas de auditório e guarda boas recordações da cantora Emilinha, sua preferida.

Ao contrário de sua esposa, Dalcyr tinha rádio em casa e acompanhou de perto o crescimento em Florianópolis. Participou de muitos programas de auditório na década de 40 e 50. Entre os cantores que se apresentavam na época, ele lembra do Gregório Barrios, Trio Los Panchos, Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto.

Entre os acontecimentos que marcaram a época do rádio, o casal lembra que quando o Cauby Peixoto veio se apresentar em Florianópolis a movimentação foi tão grande, que eles não lembram de ter visto nada igual antes. Outro fato marcante foi o acidente aéreo de 16 de junho de 1958, que matou o governador do estado, Jorce Lacerda, o senador, Nereu Ramos, e o deputado, Leoberto Leal. “Eu e a Nice éramos noivos nessa época. Minha família estava jantando, quando de repente a Diário da Manhã, parou sua programação, tocou aquela chamada de notícia extraordinária e anunciou a queda do avião em Curitiba” foi um choque para os catarinenses, relembra Dalcyr.

Dalcyr e Eunice, que viveram essa época do rádio, apesar de sentir falta da interatividade que existia nas rádios, enfatizam que preferem a televisão por causa da imagem.

“Sem desmerecer toda a história do rádio, que é belíssima, hoje eu posso ver e isso pra mim é um prestígio muito grande. Eu cresci tendo que imaginar tudo, até o jeito de como aprender a usar o sabão em pó” afirma Eunice.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *