Catarina, sim e com muito orgulho

Nascido em Joinville, sou aquele que poucos por aqui conhecem, como bem disse o Antunes Severo ao me apresentar aqui no Caros Ouvintes. Jair Brito pede passagem… e agradece a leitura.No Natal de 1942, meu pai ganhou um grande receptor que foi colocado em lugar de destaque na sala de visita de casa. A família passou a se reunir com mais freqüência por causa do presente extraordinário.  Vizinhos eram convidados para as reuniões em volta daquele aparelho novidadeiro.

Foi nesse rádio que eu conheci a Difusora (ZYA-5) de minha cidade. E depois, a Nacional (PRE-8) do Rio, que, na época, chegava com som local nos lares joinvillenses. Ambas exerceram grande influência na minha infância.  Em vez de jogar bola, brincava de fazer rádio. As partes internas de duas caixas de fósforos, interligadas por um fio de linha, possibilitavam fracas transmissão e recepção de voz.

A Rádio Difusora me tocava porque falava as coisas da terrinha. A Rádio Nacional me impressionava pela qualidade do conteúdo de sua programação (foi modelo para todas as outras rádios do país que adotaram o formato de programas de auditório, radio-teatro, noticiosos, transmissões esportivas). Essas duas rádios fizeram literalmente  minha cabeça.

Em dezembro de 1950, mudamos para Curitiba. Agora eu sintonizava as rádios Clube Paranaense (PRB-2) e Guairacá (ZYM-5), principais emissoras da Capital do Paraná na época. Em poucos meses eu já havia me acostumado com a cidade grande e sonhava encontrar meu primeiro trabalho, claro, numa rádio. E estava escrito nas estrelas: um de meus colegas de colégio era filho de Carlos Baptista, então diretor-financeiro da PRB-2. Carlinhos conseguiu marcar uma entrevista minha com o pai dele.  A conversa durou 15 minutos e rendeu o meu primeiro emprego como auxiliar de discotecário. E assim começou uma carreira profissional que já passa de 55 anos.

Mesmo tendo deixado Joinville muito jovem, tenho grande afeição pela minha terra natal, o maior centro industrial de Santa Catarina, berço de meus pais: seu Odilon nasceu em Tijucas, dona Maria, no Estreito. Não dá pra negar a origem.

Mas lamento ter trabalhado tão pouco lá, só em duas curtas temporadas. Em 1963, prestei assessoria na reformulação da programação da Rádio Cultura – Jota Gonçalves ainda era o seu diretor e, em 1965, participei do lançamento de uma nova programação da emissora que havia sido recém- adquirida  pela  Fundição Tupy. O bom Ramiro Gregório da Silva era seu diretor-geral. Foi quando a Cultura se destacou como uma das principais rádios do Estado.

O saudoso Jota Gonçalves, muito antes de ser radiodifusor, foi locutor da Rádio Difusora, diria a sua principal voz durante muitos anos. Pois meu coração bateu forte na hora que acertei um trabalho free-lancer com a sua Rádio Cultura. Estava eu diante de meu primeiro ídolo, seguramente um dos inspiradores de minha paixão pelo rádio, sem a qual não teria alcançado importantes posições na carreira. Confesso, quase fui às lágrimas.

Nesta vida, “são tantas emoções”. Outro grande momento, ainda ligado à Joinville, ocorreu em 1970: este “locutor que vos fala”*, já carimbado por muitas andanças no rádio e então diretor-fundador da Rádio Independência de Curitiba teve o prazer de contratar para sua equipe um senhor técnico chamado Wolfgang Brosig, que acabara de fixar residência em Curitiba a fim de estar ao lado de sua esposa Juracy, que lá fazia um curso.

Exatamente o homem que deu vida a primeira rádio da minha Joinville (a segunda do Estado e a quinta do Brasil), aquela que embalou os primeiros anos de minha vida. Isso, como se diz agora, não tem preço.
Brosig, que já havia se desfeito de sua (da nossa) Difusora e financeiramente realizado, aceita o desafio para cuidar e manter a qualidade do “som de alta fidelidade” da rádio que ocupava o 1º lugar de audiência em Curitiba.

Alegre e disposto, com muita sabedoria acumulada e elevada competência ao realizar seu trabalho, ele conseguiu admiração, respeito e reconhecimento dos proprietários, diretores e colegas de sua nova e segunda emissora. Com ele, tive uma convivência muito mais amiga do que profissional.
Ao encerrar este meu primeiro comentário, uma homenagem In Memoriam: O RÁDIO BRASILEIRO DE HOJE TEM CARÊNCIA DE GENTE COMO O GRANDE WOLFGANG BROSIG.

* Em muitos anos trabalhando no rádio, jamais atuei como locutor. Talvez tenha sido esta exclusão que me ajudou a exercer com sucesso a direção de várias e importantes rádios do Brasil.

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