Causos do Rádio Esportivo – 2

Transmitir jogos no estádio da SRE União em Timbó, também era muito difícil, na década de 60. Só existiam duas linhas para transmissão de jogos; uma física – que era a boa – e a alta, de péssima qualidade. Mas, nós transmitíamos futebol naquela época de qualquer jeito.
Por Edemar Annuseck

E lá mesmo no estádio do União que ficava colado a uma Escola (a arquibancada coberta foi erguida junto a uma das salas de aula), fomos transmitir um jogo de muita importância entre SRE União e GE Olímpico, numa noite de quarta-feira. Fizemos mais uma do – arco da velha -. Na verdade eu ficava “matutando” para não ser passado para trás pelas outras rádios. Nos dias que antecederam ao jogo, peguei o seo Braulino Mello – o homem do cupim -, e com a Kombi de freqüência modulada da Rádio Nereu Ramos fomos até Timbó. No caminho fiquei observando os postes por onde passavam as linhas telefônicas até a cidade de Timbó. Descobri que a primeira linha entre Timbó e Indaial ficava numa residência, que tinha um enorme gramado à frente, plantações e animais nos fundos. Era um sítio de bom porte. A residência ficava a uns 80 metros da estrada que ligava as duas cidades. Era a única chance que tínhamos para transmitir.
Conversamos com o proprietário e garantimos o pagamento da ligação telefônica (intermunicipal). Ele concordou por conhecer o trabalho que a Rádio Nereu Ramos fazia, e, pela seriedade de quem a dirigia.
Um dia antes da partida fizemos o teste, instalando o receptor (de grande porte) retirado da Central Técnica da rádio e levado até o local.
Repetimos toda a operação no dia da partida. Tudo instalado, com o retorno no estádio pelo am 820  (era a freqüência da Nereu na época) realizamos a transmissão. O som foi jogado do equipamento de freqüência modulada instalado na Kombi da emissora para a residência de Indaial, e lá injetado pelo telefone até os estúdios da Nereu.
Na manhã seguinte as emissoras co-irmãs queriam saber como tínhamos transmitido o jogo. Esse  foi o assunto do dia nas rodas que se formavam à frente do Café Pingüim na rua XV de Novembro. E a turma da “corneta” (que era enorme) indagava os companheiros das outras emissoras : Ué, vocês não falaram aos quatro ventos que a Nereu não transmitiria o jogo ?
Transmissão por celular
Na minha rápida passagem pela Rádio Nereu Ramos – 1992-1994 – realizei a primeira transmissão esportiva via celular.
Nem telefone celular eu tinha na época; consegui através da TELESC a cessão de um aparelho por empréstimo – em troca de publicidade – para a transmissão de uma prova pedestre (maratona). Foi uma experiência gratificante. A prova teve saída e chegada defronte o estádio do GE Olímpico na Alameda Rio Branco, percorrendo as principais ruas da cidade na distância de 9 km.
A bordo do meu veículo particular, porta traseira aberta até o limite, rádio portátil preso ao cinto, com o celular transmiti a maratona.
Havia uma linha instalada defronte o GE Olímpico onde um repórter dava suporte para a largada e chegada dos maratonistas.
A última hora surgiu um problema que quase impediu a transmissão. De posse da lista dos participantes notei a ausência de numeração dos mesmos. E agora o que fazer ? Como era grande a quantidade, a maioria dos corredores era totalmente desconhecida, pelo menos para mim. E a prova teve sua largada e termino sem que fosse fixada qualquer numeração nas camisas. Graças a DEUS apareceu um professor de Educação Física logo na Alameda Rio Branco, ouvindo a transmissão. Sua participação foi fundamental; veio para a unidade móvel e me deixava ciente dos nomes dos maratonistas do pelotão de frente. Na chegada dos competidores lá estava Evelásio Vieira, o Lázinho para cumprimentar a todos os envolvidos nesta cobertura.
E vem mais por aí
E tenho muito mais pra contar pra vocês. É só acessarem nosso site, cada vez mais elogiado e visitado.
Aproveito para enviar um grande abraço a Antunes Severo, Ricardo Medeiros e Alexandre Cerri (desculpem se esqueci alguém do comando), pelo trabalho fantástico que fazem em benefício da nossa tão sofrida classe. Outro dia alguém enviou uma mensagem pedindo que não se escreva só do passado; eu procuro escrever sobre fatos que verdadeiramente aconteceram.
Não se pode escrever sobre fatos que ainda não aconteceram. E acho que o site está abrindo espaço para quem realmente tem algo pra contar.
Nos States
Quero mandar um grande e saudoso abraço ao jornalista João Bosco Tureta (trabalhamos juntos na Jovem Pan), que nos descobriu ao acessar o seu computador no último domingo em Fort Lauderdale, Estados Unidos.
Bosco  agradeceu por tê-lo mencionado na matéria os Anos Dourados do Rádio Esportivo. João Bosco também informa que juntamente com o grande Orlando Duarte, o eclético, lançará no final do ano o livro – 1910, nasce uma paixão, SC Corinthians Paulista -. João Bosco foi comentarista da extinta PSN na Flórida, passou pela Cartoon onde seu filho Cacá é manager, e pelo esporte da FOX. Aqui no Brasil trabalhou na Jovem Pan, Bandeirantres, foi repórter de A Gazeta Esportiva, e assessor de imprensa do SC Corinthians Paulista.
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Por Edemar Annuseck

Edemar Annuseck, jornalista, narrador esportivo que iniciou na Rádio Nereu Ramos de Blumenau em 1964 e depois atuou nas Rádio Jovem Pan, Tupi, Record de São Paulo, Clube Paranaense, Cidade e Globo/CBN de Curitiba, TV Jovem Pan e SPORTV, Editor da página de esportes do Jornal A CIDADE DE BLUMENAU, cobrir 5 Copas do Mundo (74, 78, 82, 86 e 90).
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