Celso Costa: 10 Copas do Mundo e 68 anos de rádio

Celso Costa é um dos maiores nomes da técnica em emissoras de rádio no Brasil. Como operador e chefe de externas, fez 10 Copas do Mundo e muitas Olimpíadas, tendo completado agora em 2014, ano de sua aposentadoria na Rádio Guaíba, 68 anos de pleno e exitoso profissionalismo.

Celso Costa no Museu do Rádio

Celso Costa no Museu do Rádio

A entrevista realizada por Daltro D’Arisbo, com a colaboração de Sérgio Moraes Caon para o Museu do Rádio em Porto Alegre, Celso conta sua trajetória e curiosidades da sua carreira. O início na “Sonora Guarani” à Rádio Guaíba foram muitos acontecimentos históricos acompanhados por esse profissional.

Como iniciou a tua saga no rádio?

Eu nasci em Passo Fundo, no dia 14 de junho de 1930, filho do ferroviário Fredolim Fernandes Costa e de Amália Guedes. O Pai começou como ferramenteiro e depois assumiu a chefia das oficinas da Viação Férrea na cidade.

Sempre gostei da técnica e da eletricidade. Em Passo Fundo nós tínhamos um vizinho que era radioamador, o “seu Kurtz”. Na época da IIª Guerra Mundial ele falava com a Alemanha: não sei como nunca foi preso… E eu estava sempre na casa dele, a mexer naqueles equipamentos e ele me explicando o funcionamento.

Encantado pela técnica de rádio, fui trabalhar numa loja de Passo Fundo que vendia eletrodomésticos, a Sonora Guarani. A empresa mantinha um serviço de alto-falantes e quem dirigia, e fazia a locução da “voz do poste”, era o Mauricio Sirotsky Sobrinho, depois fundador da RBS.

“Guri vem trabalhar comigo…”, e lá fui eu ajudar naquele serviço de som. Em 1946, foi inaugurada a Rádio Passo Fundo – ZYF5, pertencente à rede de emissoras do Arnaldo Ballvé, que fora dono da Rádio Farroupilha. O Maurício e eu fomos trabalhar lá. Eu, um piá de 16 anos, como técnico no transmissor. Trabalhei na Rádio Passo Fundo até 1951 e, em 1952, vim para Porto Alegre para a Rádio Farroupilha, que era dos Diários e Emissoras Associados, onde permaneci até 1955.

Quando botaram fogo na Rádio Farroupilha, você estava lá?

Isso foi na manhã de 24 de agosto de 1954, o dia em que o Getúlio Vargas se matou. Eu estava lá dentro, onde entrava às 05:30 da manhã, como responsável técnico da emissora. Naquelas madrugadas, eu ligava o sinal, que ia ao ar pela antena no Bairro Ponta Grossa. A Rádio começava a irradiar às seis horas: eu tinha meia hora para esquentar e regular o transmissor, todos os dias.

O horário no qual o Getúlio se matou foi mais ou menos às 8:30 da manhã e às 09:00 a turba já tinha tocado fogo no Diário de Notícias, que ficava no largo doa Medeiros, bem no Centro, onde hoje é a Galeria Di Primio Beck. A multidão queria destruir tudo que fosse dos Diários e Emissoras Associados, que era do Assis Chateaubriand, o qual “mandava brasa” contra o Getúlio. De lá, eles subiram a Rua da Ladeira e chegaram nos Estúdios da Farroupilha, na Rua Duque de Caxias, bem sobre o viaduto Otávio Rocha. Eram umas 200 pessoas que foram embora, pensávamos nós…! Desceram a Borges de Medeiros na direção do Cine Capitólio até um posto de combustível e se abasteceram de gasolina, voltaram e entraram prédio adentro da Farroupilha. Bem na entrada da Rádio havia uns sacos de entrega de correspondência e já foram tocando gasolina e fogo.

E você estava lá dentro?

Sim, eu e todos os funcionários. Era um prédio de dois pisos, um sobradão e eu estava no segundo andar, no transmissor. Quem estava no térreo teve chance de sair primeiro pela porta da frente ou pelos fundos. Eu desci e passei pelas chamas. Quando saí pela porta principal, jogaram uma máquina de escrever lá de cima e que passou a centímetros do meu ombro. Ali foi Deus quem me salvou. Se aquela máquina me pegasse na cabeça, eu estaria morto. Eles destruíram tudo e chegou um momento que alguns ficaram presos dentro do incêndio que causaram, pois não conheciam o prédio. Quando o incêndio cresceu, eles saíram pelas janelas e pela porta dos fundos. Ninguém morreu no incêndio.

O Fernando Veronezi contava que conseguiu sair pela porta dos fundos, cheio de terror. Ele era mais novo que você? – Eu tinha 23 anos e o Veronezi uns 18, no máximo. E tinha mais gurizada lá dentro, operadores e auxiliares de discoteca, com 17 a 18 anos. Havia poucos empregados na Rádio naquele horário, porque a Farroupilha tinha rádio teatro e a maioria dos funcionários chegava ao redor das 10 horas. Daí a Rádio se mudou para a Rua 7 de Setembro, aonde hoje é o Banespa e eu fui junto. Fizemos um estúdio improvisado e foram uns 3 dias para entrar no ar. O auditório da Farroupilha já era na Rua Siqueira Campos e a direção alugou os fundos do mesmo prédio. Em 1955 eu saí da Farroupilha e fui para o Rio de Janeiro trabalhar na TV Tupi canal 6 que também era dos Associados. Mas eu gostava mesmo era de rádio e fiquei um ano na Rádio Nacional. Daí fui pra a Agência Nacional e voltei a Porto Alegre em 1956. Em 1957 fui montar a Rádio Guaíba.

Então, fostes um dos fundadores da Guaíba?

Sim, quando eu entrei lá ela ainda não estava no ar. Na época éramos eu, o Arlindo Pasqualini e o Engenheiro Homero Carlos Simon, o qual tinha vindo da Gaúcha. Ele montou os transmissores da Guaíba. Não éramos mais que 4 pessoas. Colocamos a rádio no ar em abril de 1957 e aí já estava conosco o Mendes Ribeiro, o Osmar Melleti e locutores, como o Zalmiro Zimmermann, que depois foi desembargador no Paraná e o Áden Rossi, todos vindos das rádios Farroupilha e Gaúcha.

E a decisão da Guaíba de não veicular propaganda gravada?

Esta foi uma decisão do Dr. Breno, proprietário da emissora e presidente da Cia. Jornalística Caldas Júnior. Nós conseguimos segurar isso por vários anos. Quando a rádio foi ao ar, a intenção da direção não era ter um grande faturamento, posto que a empresa era superavitária, com o jornal O Correio do Povo como carro-chefe. Nos fins-de- semana, o Correio era um dos maiores jornais do país, com edição de mais de 130 páginas. A Caldas Júnior ainda tinha o vespertino Folha da Tarde, que nas segundas-feiras saía com 85 a 100 páginas.

Mas a Guaíba começou a faturar muito pela grande aceitação na audiência e no mercado de anunciantes. Para pôr um anúncio na Rádio Guaíba eles tinham que entrar na fila, chegando ao ponto em que a Guaíba parou de vender espaço comercial por um bom tempo. Então tínhamos apenas grandes anunciantes, como bancos e a Ipiranga – Produtos e Serviços Ipiranga, a qual patrocinou por muitos anos, sozinha, toda a programação esportiva.

Naqueles anos, havia apenas dois serviços de comunicação internacional em Porto Alegre: a Radional e a Western. Mas estes canais eram usados pelas emissoras de Rio e de São Paulo.

A Copa de 1958 só foi transmitida porque a Ipiranga bancou. Ela foi transmitida pela Guaíba com o aluguel de apenas um circuito. Tínhamos uma linha de Estocolmo (Suécia) até Berna (Suíça), usando SSB – Single Side Band. O som era largado dentro do estúdio em Porto Alegre e o retorno era feito por nós: o Eng. Homero Simon pôs um transmissor de 23.965 metros (12 M Hertz) e o retorno chegava na Suécia com som local. O Mendes Ribeiro era o locutor, o Flávio Alcaraz Gomes coordenador, um comentarista contratado em São Paulo e eu operando a técnica.

A Copa no Chile, em 1962, também foi patrocinada pela Ipiranga e fomos com uma equipe grande, mais de 10 profissionais, o que na época era um exagero. Na Copa de 1966, a Philips conseguiu entrar com a propaganda do barbeador Philishave, mas todo o esporte doméstico foi patrocínio único por mais de 10 anos. Na época, já eram disponibilizados circuitos para as rádios.
Quantas Copas fizestes? – Fiz 10 Copas do Mundo: 1958 na Suécia, 62 no Chile, 66 na Inglaterra, 70 no México, 74 na Alemanha, 78 na Argentina, 82 na Espanha, 90 na Itália, 94 nos Estados Unidos e 98 na França. E mais umas três ou quatro Olimpíadas. Na Copa do Mundo de 1986 no México eu não fui, pois minha mulher, Maria Rita Menegaz estava doente e veio a falecer. Então, eu já estava separado da Rochelle Hudson, radio atriz, que eu coloquei na TV no Rio e depois ela veio para Porto Alegre atuar em radionovelas. Ela tinha muito talento, muita competência.

Como era o trabalho do técnico de rádio e pessoal de externas naquela época?

Hoje o equipamento é muito mais moderno. Naquelas épocas, a Fifa vendia cada jogo por cerca de 5 mil dólares, o que era muito caro. Então fazíamos apenas os jogos do Brasil de forma direta dos estádios e os demais era com locução “of tube”. Por exemplo, na Europa era desde o International Broadcasting Center. Em 1966, a Rádio Gaúcha conseguiu transmitir direto do estádio e nós tivemos que fazer via tubo. O Maurício Sirotsky estava lá na Europa e ele descobriu que estávamos transmitindo via BBC-British Broadcasting Corporation e que não custava nada. Recebíamos vídeo e áudio de graça e eles pagando…Aí a Gaúcha veio pro IBC também para economizar os 5 mil US$ por jogo. Nós perdemos a inauguração, mas compramos a final, com o Flávio Alcaraz garantindo a partida Inglaterra versus Alemanha. Esta Copa no Brasil, a de 2014, foi a primeira na qual a Guaíba não compareceu.

Celso Costa e Sérgio Moraes Caon, consultor do Museu do Rádio

Celso Costa e Sérgio Moraes Caon, consultor do Museu do Rádio

O que lembras do movimento da Legalidade em 1961?

A Guaíba foi requisitada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Eu me lembro que chegou na rádio um pelotão da Brigada Militar (Polícia Militar do RS) e o Secretário de Estado Gabriel Obino. O Dr. Breno Caldas, dono da rádio, determinou: “Eu não vou aderir, vou mandar o microfone para o Palácio.” E me disse: “Fica responsável por este trabalho, bota o microfone no Palácio que eu não quero que isso passe pelo estúdio. E vai agora até o transmissor”. Isso era o dia 27 de agosto, um domingo de manhã, e eu tive que dizer para o Dr. Breno: “Hoje tem Grenal e a equipe esportiva está pronta.” E ele: “Não tem mais, o Grenal foi suspenso.” Vai sozinho pro Palácio. Se alguém quiser ir contigo que vá por livre e espontânea vontade e que não diga que eu escalei. O único que estou escalando és tu.” Eu tinha uma certa ligação, uma simpatia com o Dr. Breno.

Fui na CTN (Companhia Telefônica Nacional) e falei com um Diretor para obter duas linhas, uma do Palácio até o transmissor e um retorno. O Hamilton Chaves, que era o chefe de imprensa, me deu um memorando assinado pelo Brizola, tudo muito rápido. Ao meio-dia a linha estava ligada e fui almoçar em casa. Ali, passei a mão num toca-discos que eu tinha. O resto do equipamento, coisas rudimentares, eu peguei na Guaíba: um amplificador de som, um microfone das jornadas esportivas, uma mesa de som – a Consolette, e instalei tudo no Palácio, junto com o meu toca-discos. Às 15 horas estava tudo pronto e o som na antena, que ainda se localiza na Ilha da Pintada.

Eu disse para o Hamilton Chaves: “Na hora que quiseres, abrimos o som daqui. Tá tudo pronto!” Daí em diante a Rádio Guaíba ficou durante 12 dias transmitindo do Palácio, do dia 27 ao dia 07 de setembro, data da posse do João Goulart. Logo foram trabalhar no estúdio do Palácio o Naldo Freitas, locutor da rádio e funcionário do Palácio e o Hamilton Chaves. Nos dois dias iniciais, nós ficamos ali quase 30 horas segurando a rádio no ar. No domingo à noite a Rede da Legalidade já havia “incendiado o Estado” com dezenas de emissoras interligadas. Depois vieram outros tantos radialistas, como o Lauro Hagemann.

Antes disso o Exército tentou barrar as transmissões?

Naquele mesmo domingo ao final da tarde, o comandante do III Exército, General Machado Lopes, chamou o chefe da Companhia de Guardas, Capitão Pedro Américo Leal, e mandou silenciar o transmissor da Guaíba. A missão era tirar os cristais do transmissor, na Ilha da Pintada. O Capitão mandou uma força de uns 30 homens, a maioria recrutas, que era uma gurizada prestando o serviço militar naquela Companhia. Me lembro que eu fui ao transmissor à tardinha, com uma Kombi para retirar umas famílias que moravam dentro e no entorno do terreno do transmissor, para que não fossem baleados. Era ordem do Dr. Breno Caldas: “Vai lá, pega as famílias e deixa na casa de quem tiver parentes em Porto Alegre. Quem não tiver, tu acomodas no City Hotel”. Ele era um dos proprietários do City.

Quando eu cheguei na Ilha, bem próximo aonde tem um pontilhão, vi o caminhão do Exército com os milicos e perguntei o que eles estavam fazendo. “Nós vamos até o transmissor tirar os cristais para dar cobertura ao Cel. Élcio da Costa e Silva que vai silenciar o transmissor”.

Então eu disse para quem estava no comando: “Olha, tu não põe este caminhão com a tropa lá porque vocês vão levar chumbo! Tá cheio de ninho de metralhadora da Brigada instalado em cima do transmissor e com atirador de elite. Vocês vão por esta gurizada lá? Eles vão virar caqui em boca de porco.” Quando aquela piazada de recrutas que estava em cima do caminhão ouviu, começaram a chorar de medo. Sim, a chorar, pois seria muita morte pôr aquele bando de guris na frente das metralhadoras da Brigada Militar. Ia ser a maior bobagem. Então o comandante da tropa contatou com o General Machado Lopes dizendo que não devia pôr a tropa lá e que iriam morrer todos. O General lhe disse: “Você cumpra a missão que foi determinada.” Mas não foram…Aí vieram os tanques do Regimento de Cavalaria Mecanizada do bairro Serraria e cercaram o transmissor na Ilha da Pintada e o Palácio do Governo na Praça da Matriz. Também houve a notícia que os jatos da Base Aérea de Gravataí iriam bombardear o Palácio. Porém, no dia 28, segunda-feira, o comandante do III Exército resolveu aderir ao Movimento.

Os tanques iriam atacar?

Não, era só para amedrontar. Era fácil destruir o transmissor. Nem precisava ir lá: era só bombardear desde o Cais do Porto! Mas aí o General sentiu o peso…

Provavelmente por causa da tua fala não houve uma carnificina?

Claro, e muitas mortes! No momento em que o Brizola ocupou o microfone da Rádio no Palácio, já havia enviado tropas da Brigada para defender o transmissor.

Como vês o rádio de hoje em relação àquele onde começastes?

Houve uma grande mudança. O rádio onde eu comecei era todo valvulado, não existia a modernidade de hoje, mas era um rádio muito eficiente! Quando eu comecei a trabalhar na Rádio Farroupilha, em Porto Alegre, a antena ficava no bairro Mont’Serrat. O transmissor foi comprado da Rádio Prieto de Buenos Aires, com as válvulas refrigeradas à água. Ao lado do transmissor havia um reservatório – como uma piscina – de onde as bombas puxavam a água para refrigerar as válvulas, cada uma do tamanho de um garrafão. O rádio daquela época tinha equipamentos e potência muito inferiores aos de hoje.

E o pessoal da época em relação aos que hoje fazem o rádio?

O pessoal de microfone da época tinha que ser bem mais preparado, porque tinha que ter voz. Hoje tem que ter vez… Eu saí neste ano da Rádio Guaíba e tem locutor que naquela época nem passaria na frente da Rádio, muito menos estar lá sentado na frente de um microfone.

Então pode se dizer que o pessoal do rádio tinha que ser extremamente competente e hoje não precisa mais ser?

Hoje em dia você manda um repórter para São Paulo, ele passa a mão num celular e transmite um jogo com retorno ao vivo no próprio telefone. Antes a tralha era enorme…

Você pode afirmar que esta facilidade da técnica reduziu a competência pessoal?

Reduziu. Na época tinha mais brilhatura, mais voz. Hoje você entrevista qualquer autoridade de qualquer lugar aonde ela esteja. Naquela época tínhamos que montar um “posto”, como a gente dizia, na casa do fulano e usar gravador de fita. Me lembro que, quando a seleção brasileira chegou da Europa, eu fui para o Rio com o Amir e o Hugo Kassel. Saímos daqui de noite por ordem do Arlindo Pasqualini, o “Major”.

De manhã eu fui na Radional para ver se tinha linha e avisaram que só havia disponibilidade defronte ao Palácio do Catete, então residência do presidente Juscelino Kubitschek. “Serve…” respondi, mesmo sabendo que a seleção desembarcaria no Galeão. Instalei o “posto” defronte ao Catete, no outro lado da rua, numa sacada de gabinete de um dentista. Então veio o Hugo Kassel e me disse que iria falar do Galeão. “Aqui do lado tem uma oficina de televisores. Vou pedir um emprestado”. E daí em diante, “estávamos no Galeão” pela tela da TV Tupi… Porto Alegre nem sabia o que estávamos fazendo, muito menos o Pasqualini.

O Amir Domingues abriu a transmissão: ele tinha um improviso muito bom, muita cultura, e foi enrolando até que o Kassel entrou: “Estamos falando diretamente do posto da Rádio Guaíba no Aeroporto do Galeão…” e assim foi feito por 3 horas. A seleção somente chegou ao Catete de noite. De tanto em tanto o Amir entrevistava algum político, pois havia um palanque no Catete. Eu só fui contar isso pro Pasqualini quando cheguei em Porto Alegre.

Lembrando o grande Amir Domingues. Ele contava que foram para Brasília com uma Kombi fazer a cobertura da inauguração da capital e quase morreram, mas houve um “aviso espiritual” que uma ponte havia caído. – Eles contavam mas eu não fui. Foram o Bruno Staiger, o Alcides Krebs, o Mendes Ribeiro, o Amir Domingues e alguns outros.

Celso Costa e Daltro D'Arisbo, fundador do Museu do Rádio

Celso Costa e Daltro D’Arisbo, fundador do Museu do Rádio

A qualidade do rádio decresceu porque este veículo foi reduzido em razão dos outros meios de mídia?

Sem dúvidas! Hoje o rádio luta por uma fatia de publicidade do todo que tinha naquela época quando, por exemplo, a Ipiranga patrocinava toda a jornada esportiva. Hoje tem 10 ou 12 anunciantes e são “quotinhas de nada”. A verba está na TV e mesmo ela está sentindo falta.

O futuro do rádio: a Onda Média vai terminar?

O rádio não vai terminar porque é instantâneo e a TV tem toda uma parafernália. O rádio AM não vai morrer, porque há grandes extensões no Brasil e em outros países. É impossível pôr uma FM para ser ouvida a grandes distâncias. O que vai ocorrer e já está ocorrendo, são os enlaces de FM, o que a RBS já faz. O problema é instalar plantas novas de Amplitude Modulada, por exemplo 100 kW, o que é caríssimo, com equipamentos, antenas…Eu acho que quem já tem não vai abrir mão e quem não tem, não vai fazer AM. Aqui em Porto Alegre há duas grandes plantas de AM – Guaíba e Gaúcha, e creio que não vá passar disso. Por exemplo, para pôr uma nova emissora de 200 kW, só o Governo bancando, pelo baixo retorno de publicidade e altos recursos envolvidos.

Tupy- Revista Telegrafica-novembro-1935 (argentina)

Tupy- Revista Telegrafica-novembro-1935 (argentina)

Entrevista realizada por Daltro D’Arisbo, em 12.07.2014
Colaborou Sérgio Moraes Caon
Museu do Rádio

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