Celso Freitas conversa com os nossos Caros Ouvintes

E desabafa: “Cadê as Sociedades Carnavalescas? Mais precisamente os carros de mutação?Acabou aquela rica tradição?” Veja aqui a correspondência com o ex-global que agora navega pelas ondas da Record.

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O contato com o criciumense Celso Freitas foi possível graças a uma conversa com o Iran Manfredo Nunes. Falei do projeto. Mandei e-mail. A resposta foi imediata. Celso foi locutor das Rádio Diário da Manhã e Guarujá de Florianópolis, no início da década de 1970.

Caro Antunes. Recebi o seu e-mail, visitei o site “carosouvintes”, estou tentando encontrar alguma foto do tempo de Floripa, mas até o momento não encontrei.Também não tive tempo disponível para construir um texto conciso, preciso e claro – como manda a cartilha do bom jornalista. Mas o farei tão logo acabe um trabalho de retrospectiva, no qual estou envolvido nestas primeiras semanas de janeiro. Um forte abraço. Celso Freitas.

Caro Celso: Ficamos no aguardo. Sua presença no livro é indispensável. Por gentileza, faça um pequeno resumo do início de sua carreira até chegar na Globo. Grande abraço do Antunes Severo e Ricardo Medeiros.

Minha carreira profissional registra uma passagem rápida por cinco emissoras de rádios catarinenses:

Eldorado e Difusora, de Criciúma. Colon, de Joinville, Diário da Manhã e Guarujá, Florianópolis.
O primeiro contato com o rádio foi em Criciúma, a minha terra natal.
Estava cursando o segundo ano “científico”, quando recebi um elogio à minha voz e um convite para fazer um teste na Rádio Eldorado. Além de ler as cartelas de comerciais da caixinha do estúdio, acabei pilotando uma máquina de datilografia e um gravador, como rádio-escuta. A mesma função também exerci na Rádio Difusora onde, além de escrever apresentava o noticiário. Foram seis meses de aprendizado.

Experiência e profissionalismo só vieram quando cheguei na Diário da Manhã, no início de 1970.

A emissora já estava instalada no Edifício Comasa. E eu, menor de idade, de fones no ouvido, plugado num robusto rádio Hallicraft, gravava e reeditava as notícias de caráter nacional e internacional da Bandeirantes, Globo e Tupi do Rio e de São Paulo. Não havia na época nem satélite, nem fax.

Na Diário, duas passagens marcantes na carreira de jornalista: A de ter sido talvez um dos primeiros a saber do seqüestro do embaixador brasileiro (Gomide) no Uruguai, pelos Tupamaros. Era época da ditadura e só pude anunciar a notícia depois que saiu no Globo no Ar. Uma frustração.

O outro episódio rendeu minha demissão. Foi quando recebi, no meio da apresentação do noticiário, uma nota escrita à mão do Coronel Euclides Simões de Almeida, diretor da emissora na época. Comecei a nota, mas não terminei, pois não consegui decifrar os garranchos. Foi uma lição importante, pois mantenho a máxima de que só posso ser convincente ao dar uma informação, se tiver pleno conhecimento dela antecipadamente.

Felizmente, a Guarujá tinha espaço para a minha pouca maturidade e a vontade de me firmar como locutor. Lá apresentei programas musicais, de esportes e também noticiário. Quem desta época não lembra do Correspondente Cimo (móveis) apresentado pelo “lord” e competente Osmar Teixeira?

Não poderia deixar de registrar o carinho de grandes profissionais com os quais convivi. Lembro de nomes como Adolfo Zigeli, Aldo Silva, Nívea Nunes, Augusto Casér, Cora Nunes, o “grande” Acy (Cabral Teive), Lauro Soncini e tantos outros cujas feições me vem a memória. Fenelon (Damiane) e Kátia, estes na TV Cultura, onde durante três meses editei e apresentei o Boletim Econômico BRDE.

Guardo com carinho especial uma pessoa que foi como um irmão mais velho e que até hoje tenho um contato mais próximo: Iran Manfredo Nunes. A ele, que sempre me incentivou e até hoje vibra com meu trabalho, aproveito para agradecer as dicas e os puxões de orelha. Que época maravilhosa!

Deixei Florianópolis, em maio de 72, buscando novos horizontes. Fui parar em Brasília, na Globo, onde estou até hoje. Mas ainda sinto o sabor do camarão no bafo e da cerveja gelada que tomávamos, vez por outra no Bar La Piedra, na praia de Coqueiros.

Parabéns Antunes e Ricardo pela iniciativa do livro e o método moderno de fazer esta empreitada. Obrigado pelo convite para participar do mesmo.

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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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