Centenário de Alcides Gonçalves lançado na Semana de Porto Alegre

Dia 25/3, véspera das dos 236 anos de Porto Alegre, nos altos do Mercado Público, aconteceu a Noite da Seresta promovida pela Secretaria Municipal de Cultura e Sindicato dos Compositores Musicais do Estado do Rio Grande do Sul e destinado a iniciar as celebrações dos 100 anos de nascimento do compositor, cantor e instrumentista gaúcho Alcides Gonçalves (1908/1987).

Primeiro de uma série itinerante de espetáculos, teve no comando a cantora e compositora Izabel L’Aryan, que se fazia acompanhar de seus convidados Cléa Gomes (voz) e Carlos Catuipe (violão), completando o grupo Chico Pedroso (cavaquinho) e Emerson Maicá (percussão) – todos eles ali comparecendo imbuídos da máxima boa vontade e espírito de colaboração.

Na ocasião, foram apresentados clássicos da parceria Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues, tais como Cadeira Vazia, Castigo, Jardim da Saudade, Maria Rosa e Quem Há de Dizer , além de outros sucessos de Lupi ( Nunca, Se Acaso Você Chegasse ) e Túlio Piva ( Gente da Noite ).

Alcides Gonçalves gravou a 03/08/1936, na RCA Victor, em 78rpm, as suas primeiras composições com Lupicínio – um acetato com Pergunta a Meus Tamancos (34089-a) e Triste História (34089-b) – esta última vencedora de concurso promovido pela Prefeitura de Porto Alegre durante as festividades do centenário da Revolução Farroupilha – sendo que dessa parceria ainda resultou a desconhecida Mãos Limpas, totalizando portanto oito músicas.

Como se sabe, o estremecimento da dupla ocorreu em razão de Francisco Alves ter gravado Cadeira Vazia em 02/12/1949, em 78 rpm (12986-a), omitindo a autoria de Alcides, o que ainda vem ocorrendo com outros cantores, tais como Jamelão (1987) e Joanna (1994).

Porém, Alcides Gonçalves ainda nos legou outras composições com parceiros tais como Ataulfo Alves, Leduvy de Pina, Pedro Caetano, Agnaldo Bechelli, Flávio Pinto Soares, Ciro Gavião, Gaúcho e Onofre Pontes, além de outras da sua própria lavra, arrolando-se um total de 41 músicas, das quais 13 praticamente inéditas.

Pretende-se assim fazer um resgate da importância dessa obra, aproveitando a passagem dessa efeméride no corrente ano, e mostrar a resultante do trabalho através de diversos espetáculos a serem realizados nos próximos meses pelos bairros da Capital, estendendo-se ao interior do estado e posteriormente em algumas outras capitais brasileiras.

Já em abril deverá ocorrer a assinatura do decreto municipal para lançamento oficial do Ano Alcides Gonçalves na Música de Porto Alegre, seguindo-se após exposição temática, gravação de disco tributo com grandes nomes da música popular gaúcha.

O jornalista Marcello Campos, autor do livro Week End no Rio – Cinco Décadas do Conjunto Melódico Norberto Baldauf encontra-se presentemente coligindo dados e depoimentos para lançar a biografia de Alcides Gonçalves, provavelmente na Feira do Livro de Porto Alegre.

Eis por que a presidente do SICOM-RS, Izabel L’Aryan, vem empenhando todo seu esforço e dedicação integral na produção desse projeto que tão bem enfoca a cultura artística da nossa terra e da nossa gente, com firme determinação de conduzi-lo a bom termo até a data de 1º de outubro de 2008.

E, para encerrar, trazemos aqui mais uma palhinha para os Caros Ouvintes, uma verdadeira pérola do nosso cancioneiro popular, música de Alcides Gonçalves e letra de Pedro Caetano – Minhas Valsas Serão Sempre Iguais – gravado em 20/04/1961, disco RCA Victor (80-2626-b), na interpretação de Orlando Silva com Orquestra.

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