Chamar Delegado de Vossa Excelência?

Nem no banheiro a gente fica em paz. A indignação lá nos acompanha também. Dia desses peguei a revista Istoé, de 25 de junho deste ano, para passar o tempo naquela famosa sala privada. Não é que eu me deparo com uma nota na página 25 de revista intitulada “Vossa Excelência, o delegado”.
Por Ricardo Medeiros

Pronto, já fiquei irritado. Conforme a nota: “O Presidente do Sindicato dos Delegados do Distrito Federal, Mauro César Lima, enviou à Polícia Civil de Brasília um ofício em que pede que os delegados passem a ser chamados de Vossa Excelência. Ele tece uma longa explicação e sublinha: ‘Não é questão de vaidade, mas de profissionalismo e valorização do trabalho dos policiais’”.
Na internet descubro um texto de Rubem Queiroz Cobra (http://www.cobra.pages.nom.br/bmp-pronomes.html): “(…) quando a autoridade pública tende a ser atrabiliária e aterrorizante, o medo é, com certeza, um fator no inconsciente coletivo que leva ao excesso de frases e cumprimentos laudatórios em que a subserviência é uma defesa e a sabujice uma estratégia. No Estado Moderno, onde existe verdadeiramente Justiça e os funcionários do Poder são corretos, os cidadãos não precisam temer a arbitrariedade, e por isso o tratamento não enfrenta nenhuma barreira e pode dispensar perfeitamente estas formas fantasiosas e ultrapassadas de tratamento com origem nos círculos da tirania por direito divino e nos meios oficiais corruptos. O respeito pelo cargo de uma autoridade, ou pela autoridade mesma, ou pela pessoa que exerce a autoridade, consiste em respeitar a Lei por cujo cumprimento ela é responsável, e não em chamá-la de “Excelentíssima”.
Bravo. Desculpe o trocadilho e a redundância, você é um verdadeiro Cobra.
E como funcionaria no rádio esta idéia de Mauro César Lima, caso houvesse uma lei aprovando a aberração de que todos deveriam chamar delegados de Vossa Excelência. Alguns radialistas já se referem a eles de “doutor delegado”.  Com uma lei impondo o absurdo, ficaria mais ou menos assim: “bom dia Vossa excelência doutor delegado”. É muita humilhação, senhoras e senhores.
 


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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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1 responder
  1. Ricardo says:

    Como Policial Civil do RJ me sinto envergonhado com essa pretensão absurda dos delegados. Após receberem um aumento salarial desproporcional em relação aos inspetores e oficiais de cartório, esses senhores perderam a noção do ridículo.

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