Chuvas de Prata: entre jornalismo e literatura

A sexta-feira, 30 de abril, entra para história do colunismo social brasileiro, quando sobre o céu da Ilha da Magia, o sol titubeia entre a sombra da nuvem que te cobre enquanto tu dormes o renovador sono da eternidade.

Moacir Benvenutti_capa (1)Agora tu sabes. Os seres não morrem. (Moacir nasceu em 10/05/1948) Só desaparecem quando são esquecidos. A tua marca, porém, é indelével. Entre os sinais deixados pela tua obra de historiógrafo, literato documentando fatos do cotidiano nos jornais e revistas, deixa-nos o sabor gostoso de mais de uma centena de vívidas crônicas e casos em “Chuvas De Prata”. Vide o livro recomendado por Anna Maria Morelli Piazza quando escreveu: “Faça a experiência com as crônicas de Moacir Benvenutti neste livro que, além de divertidíssimas, retratam uma Florianópolis dos anos 50/60, dando-nos uma idéia do comportamento da sociedade de então, e de como a cidade se transformou”.

Lembro ainda – e não esquecerei jamais – outras  obras de tua autoria: Enredos para Escolas de Samba de Florianópolis, a promoção dos concursos de Miss Santa Catarina, Glamour Girl de SC, Garota da Praia de SC, Miss Turismo de SC e Miss Comércio de SC.

Ah, sim! Faltou lembrar outras duas grandes criações tuas: O Baile da Cidade e o Grande Gala de Santa Catarina.

E por falar em criação, caro leitor, que tal ao invés de lágrimas – ler ou reler – uma das crônicas do livro “Chuvas de Prata – Casos do Cotidiano, ilustrado por Clóvis Geyer e lançado pela Editora Insular em 1999?

Aviador da Ilha

Florianópolis vivia o final da década de 1940, quando um conhecido senhor da cidade resolveu incorporar “o espírito de Santos Dumont”- construindo um avião a base de compensado e lona, onde somente ele conseguisse se sentar. E, para todos que encontrava, dizia que seguiria as crenças da Ilha para fazer sua aeronave voar. Ou seja, aproveitaria o mês de agosto (conhecido pelos nativos como a época do ano com maior número de ventanias, graças aos santos do mês – São Lourenço, São Bartolomeu e Santa Rosa de Lima) para apresentar sua invenção à comunidade.

A aeronave foi colocada no alto de um coqueiro – que ficava no topo do morro do Penhasco – à espera de grande ventania. E certo dia, diante de um pequeno redemoinho de vento que se aproximava vindo lá do Sul, chamou às pressas sua mulher Maria, para que ela cortasse a corda assim que ele estivesse comodamente instalado dentro da aeronave. E a pobre mulher, obedecendo, ao cortar a corda, viu o marido voar que nem uma bala de canhão para – oh! Céus – cair no telhado da primeira casa abaixo do morro.

Tudo não passaria de grande susto se nosso “Santos Dumont” não tivesse atravessado o telhado da casa vizinha – caindo por cima de um casal que estava in love, totalmente nu. A correria foi geral, com a vizinhança, atônita, vendo aqueles três cambaleantes – dois nus e um todo chamuscado – correndo por estrada afora. Ao final, no pronto-socorro do Hospital de Caridade, estavam os três sendo atendidos por fraturas nas costelas e escoriações por todo o corpo. [ Páginas 193/194 ]. Com autorização do autor.

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