Cinema: Eu Matei Minha Mãe

‘Eu Matei Minha Mãe’ é uma produção canadense, em que Xavier Dolan escreveu o roteiro quando tinha somente 16 anos de idade, baseado nas experiências de sua própria vida.

cinema_wendelQuatro anos mais tarde o jovem transformou o roteiro em película, trabalhando também como diretor e atuando como protagonista. O filme, vencedor de três categorias no Festival de Cannes, explora a natureza da relação problemática entre mãe e filho, em que Hubert (personagem vivido por Dolan) e sua mãe Chantale (personagem vivida por Anne Dorval) têm os conflitos e sentimentos que nutrem um pelo outro, revelados e aprofundados no decorrer da narrativa visual.

Vale destacar a sensibilidade de Dolan na construção de personagens longe de serem unidimensionais, apresentando eles em sua totalidade. Ninguém é vítima, nem mãe e filho, na verdade os dois parecem perdidos na relação que há muito tempo atrás era ótima, mas que no presente apresenta-se desgastada, a mãe muitas vezes trata o filho ainda como criança e não vê suas necessidades como adolescente, mas isso está longe de fazer dela alguém cruel, na verdade por trás desse tratamento há nada mais do que a postura de preservação para com o filho diante do mundo, e também o medo de ficar sozinha, já que a mesma foi abandonada pelo marido. O filho muitas vezes grita com a mãe, diz que a odeia, revela as pequenas coisas na personalidade dela que o deixa louco, mas ao mesmo tempo confessa para si mesmo que seria capaz de matar alguém que fizesse mal para sua genitora.

É interessante notar também como em alguns momentos o estado de espírito de mãe e filho é deflorado através das entrelinhas, do gestual, em pequenos segundos em que Dolan capta seus personagens, focalizando a expressão dos rostos, o olhar e a movimentação das mãos, tudo isso entrega a dor que há neles, os conflitos e os sentimentos reprimidos, é incrível o modo como o gestual tem o poder de certas vezes significar muito mais do que um diálogo, e na película isso fica evidente.

O drama possui inúmeros méritos, e entre eles se destacam as questões e temas que merecem ser refletidos e debatidos pelo telespectador, como por exemplo, o choque que há entre as diferentes gerações; o distanciamento causado pela dificuldade do ser humano em revelar seus mais profundos sentimentos; o preconceito de uma sociedade altamente conservadora e atrasada em relação à aceitação da opção sexual que difere da que ela julga como a ‘correta’; a complexidade de entender o outro e respeitar suas respectivas necessidades e defeitos, entre tantos outros aspectos que merecem atenção.

Confira abaixo o trailer do filme:

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