Claudionir Miranda, de visitante a radialista

Nasceu em Curitiba (PR), em 31/03/1961. Entrou na rádio apenas para pedir dinheiro ao pai e virou radialista esportivo: filho de peixe, peixinho é.

[ Valci Zuculoto e Eduardo Meditsch ] 

Um dia Claudionir entrou na Rádio Jornal A Verdade, em Florianópolis, para pedir dinheiro ao pai, o radialista Souza Miranda. Era dia de jogo do Avaí e o locutor Alfredo Alberto, com problemas na equipe, pediu para que ele fizesse o plantão. Ele nunca tinha feito, mas como parecia fácil, ficou ali, para não largar mais “a cachaça” do rádio. Estudante de Administração, ganhava a vida como professor de ensino fundamental até conseguir emprego na Casan, empresa estatal de Água e Saneamento. Do rádio, só recebia cachês. Eram montadas equipes para as transmissões, que às vezes se acabavam no fim de um turno de campeonato por questão financeira. Muitas vezes as equipes não pertenciam à rádio, o esquema era horário comprado.

Fez parte de equipes com Murilo José (pai de Carlos Eduardo Lino), Adilson Sanches, Alfredo Alberto, JB Teles, Pedro Lopes e muitos outros.

Saiu do plantão para a reportagem, e em 1984 foi para a Rádio Difusora, em Içara. No ano seguinte estava de volta em Florianópolis, com o microfone na mão e os pés no gramado. Não podia ser setorista porque o outro emprego não lhe dava tempo, a solução era ser repórter de campo.

Claudionir Miranda começou na Rádio Jornal a Verdade (hoje Record), escolinha de todo mundo que fazia rádio em Florianópolis naquela época. Passou pela Diário da Manhã (hoje CBN), Rádio Cultura, Guarujá, Guararema, Barriga Verde, Bandeirantes, e há cinco anos está na Band FM.

Mais recentemente começou a narrar. No início Claudionir foi fazendo pontas, com jogos menores. Conforme foram aparecendo as viagens maiores, como era da equipe do Miguel Livramento, ele era enviado pra narrar. Depois de um tempo quiseram efetivá-lo como narrador, mas ele não queria. Trouxeram um narrador que não deu certo e então ele assumiu de vez a narração.

Da carreira, ele lembra momentos marcantes, como o do campeonato catarinense de 1999. Era o comentarista que “puxava” mais para o lado do Figueirense no programa de TV de Miguel Livramento, avaiano declarado, e estava lá pra fazer um contraponto. Os torcedores alvinegros acabaram criando uma identificação muito forte com ele, e os torcedores dos times rivais muita raiva. Por causa disso, nesse mesmo campeonato, na transmissão de um jogo em Joinville, tentaram agredi-lo. Um cara subiu as arquibancadas, jogou os equipamentos da equipe no chão e tentou agarrá-lo. Na partida seguinte que teve em Joinville, Claudionir fez questão de voltar lá para transmitir, ou não conseguiria mais trabalhar.

Em 2007, o estádio inteiro da Chapecoense o vaiou, quando os alto-falantes lembraram sua previsão de que o time não chegaria à final. Ele estava entrando no estádio, já trabalhando na Band FM, e a equipe da sonorização do campo anunciou a chegada “do cara que havia dito que o Avaí ia pra final”. Mas pior mesmo foi viajar para fazer transmissões e não transmitir. Uma vez foi fazer um jogo em Jundiaí e o som não saiu, a linha telefônica caía, as condições dos estádios eram muito ruins. Se não se contratasse um técnico da própria cidade não tinha como fazer.

Claudionir Miranda viveu alguns dos grandes momentos do futebol catarinense. Fez a campanha da Copa do Brasil do Figueirense, estava na conquista da Série C do Avaí e no acesso para Série A. Também viveu momentos inesquecíveis do rádio, como na enchente que Florianópolis sofreu num dia de Natal, em que enfrentou 12 horas seguidas de locução, com a emissora man- tida no ar por baterias de carro. E houve momentos inusitados, como uma vez em que foi entrevistar um cidadão ao vivo e descobriu que ele era mudo.

Claudionir gostaria de ter feito mais radiojornalismo, sonhou com reportagens investigativas. Mas não tinha tempo nem espaço para isso, pois o emprego público era o que garantia o sustento e as rádios preferiam tocar música a investir num jornalismo de qualidade: “nas rádios de Florianópolis voltadas para o jornalismo, só mudam os personagens, mas a estrutura e a ideia é a mesma. Os assuntos são repercutidos, mas não se vai além”. Ele lembra que em Florianópolis o rádio era mais amador do que no interior, porque muitos funcionários trabalham em outros empregos, em especial no serviço público, e as emissoras funcionavam na base do cachê. Já em Blumenau, Chapecó e Concórdia, as equipes eram mais bem estruturadas, com funcionários contratados para as diversas funções.

Referência

Claudionir Opusca Miranda – Entrevista concedida ao Laboratório de Radiojornalismo da UFSC em 10 de maio de 2012. Disponível no acervo do Laboratório. | Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro | Página 286

3 respostas
  1. ELCIO ANTONIO TAVARES says:

    SOU FÃ DESTE CRAQUE,LEVOU UM SOCO DE UM LOUCO, NO CAMPO DO ERNESTÃO, FICAMOS TRISTES, ELE FAZIA PARTE DO TIME DO MIGUEL LIVRAMENTO NA ÉPOCA, ESTÁVAMOS NA ARQUIBANCADA DESCOBERTA, SÓ VIMOS O TUMULTO.
    HOJE ELE TEM UM EXCELENTE COMENTÁRIO IMPARCIAL DOS TIMES CATARINENSES, CONTINUE ASSIM CLAUDIONIR MIRANDA HUMILDE E ALEGRE, E QUE TENHA MUIIIIIIITA SAÚDE MEU IRMÃO.

    TORCEMOS POR VOCÊ.

    ELCIO,EDSON E ALEXANDRE.

  2. ELCIO ANTONIO TAVARES says:

    PARABÉNS PELO JOGO ABERTO, ÓTIMOS COMENTARISTAS E O APRESENTADOR É MUITO IRREVERENTE.

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