Clésio de Luca e o rádio

Conheci o Clésio em 1973 quando ele foi selecionado para ocupar um cargo na diretora financeira da A.S. Propague, agência que ajudei a fundar e dirigia. Ele veio de Criciúma para fazer o vestibular de Ciências Contábeis na universidade e permaneceu conosco por dois anos até receber proposta de trabalho que lhe era muito mais vantajosa. Ficamos amigos e assim pude acompanhar a carreira dele no Banco do Estado de Santa Catarina, Besc, onde permaneceu por 26 anos até se aposentar.

Nesse período nos encontramos algumas vezes até que recentemente o Clésio telefona para me fazer um convite: ele quer me entrevistar no programa que apresenta aos sábados na Rádio Cultura AM 1110, para falarmos do projeto que resultou no lançamento do livro Memória da Radiodifusão Catarinense pela ACAERT.

Curioso, quis saber qual era o relacionamento dele com o rádio, já que nada sabia a esse respeito. Assim, sem esperar, acabo conhecendo mais uma parte da história vitoriosa desse amigo que passo a reproduzir assim como ele contou:

“Sou apreciador do rádio, desde pequeno em minha cidade natal, Criciúma (SC). Lá me dirigia às vezes a Radio Eldorado para pedir no balcão músicas e dedicava-as a namorada. Foi raro esse feito. Lá observava o locutor “Bolacha” e o técnico de som, girar o disco, para ver o ponto de início da música. E guardei essa visão em minha memória”.

“Depois de alguns anos, em 1971, vim para Florianópolis para fazer uma faculdade, que graças a Deus aconteceu, desde o vestibular, maior conquista minha. Em 1973, por ai, tive o privilégio de trabalhar na A.S.Progague por dois anos. Um convite de um amigo me fez ingressar no serviço público, para ocupar um cargo de confiança. Uma fatalidade interrompeu nossa carreira. De lá fui para o Besc, onde fiquei 26 anos. A Propague foi uma empresa que só me deixou boas lembranças, ainda que tivesse um chefe muito exigente, cobrador ao extremo, mas fiz o que pude”.

“Nunca imaginei ter a oportunidade de trabalhar em rádio. Embora às vezes pensasse que atuar nele seria uma experiência enriquecedora. Só conhecia o rádio pelo Bolacha, e alguns amigos da Eldorado, ainda em Criciúma.Em 2002 aposentadoria. Dai entrei numa pastoral, fazia outra coisa, mas coincidiu ter entrado no cárcere visitando os presídios e em nossas reuniões que eram para mais discutir, surgiu à oportunidade de fazer um programa de rádio. As pessoas que deram à idéia iam protelando, protelando. Um dia eu falei. Assumo o programa e o farei com vocês que se dedicarão aos meios de comunicação, transmitindo mensagens, principalmente sobre as condições do preso e também segurança da população ou a falta de segurança”.

“Fui nomeado ‘ancora’ do programa. Apresentei a proposta a radio, ao padre Marcio, diretor presidente da Radio Cultura AM 1110 e ao Erickson, diretor, definindo trinta minutos de programa semanal apresentado ao vivo. Inicialmente as terças-feiras das 12 às 12h30min, depois para as quartas-feiras e finalmente, programas menores de uma hora, foram transferidos para o sábado à tarde, ai decidimos gravá-los para facilitar o trabalho e ter a possibilidade de ouví-lo, o que não era possível realizando com a apresentação ao vivo”.

“Este ano (2010), decidi trazer convidados para ilustrar, abrilhantar o programa e o fizemos com algumas autoridades: Delegado da Homicídios, representante dos AA (Alcólicos Anônimos), vereador Marcio de Souza, Rafael O. Linhares, inspetor de banco e espírita.  Tivemos uma negativa, o Sr. Walter Koerich, (a sugestão partiu do vereador Marcio, a título de exemplo por ser um empresário que criava oportunidade de trabalho para a população) ele alegou pela sua secretaria que não dava entrevistas”.

“Confesso-te que no inicio do lançamento do programa, balancei um pouco as pernas e deu aquele frio na barriga e pensei em desistir, quando ficava a frente do microfone. Já estou no 5º ano. Em junho já irei para o 6º ano.  Nossa atuação bem como toda a radio é discreta e despretensiosa no dizer de nosso diretor padre Marcio, que mantém programas TVBV”.
“São desafios como esse e outros que me movem, pois com esse trabalho posso servir, sendo a voz dos que não tem voz”.

“Você vai dar uma pincelada nessa aventura e sua participação só tenho que agradecer. Discorrerás sobre a importância da Comunicação, dos meios de comunicação de massa e efeitos que podem produzir na sociedade, trazendo-lhes informação sobre os direitos e deveres dos cidadãos. Sobre a linguagem radiofônica e a interatividade com o ouvinte. Fiz num final de semana o curso Oficina do Rádio e levarei para lhe mostrar a apostila dada pelo Flavio Falciano, profissional do Rádio de São Paulo e que atuou no Sistema Globo de Rádio”.

Depois de lembrar de outros nomes do rádio com quem tive e tenho uma proximidade muito carinhosa como o Humberto Mendonça, o Adolfo Zigelli e o Moacir Pereira, o Clésio termina com duas perguntas que não sei responder e um pensamento: “Por que não existem jornais alternativos no estado? Será que os empresários catarinenses não vêem nesse campo da comunicação um modo de demonstrar sua competência? E o pensamento: ‘Acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam’”.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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4 respostas
  1. Sedemir says:

    Parabéns Clésio!
    Gostei muito deste artigo e pude conhecer mais uma das muitas facetas deste nosso colaborador aqui na Rádio Cultura.
    Deus abençoe você e seus projetos.
    Nós também nos orgulhamos de ter nossa história contada no livro da ACAERT.

  2. Flávio Falciano says:

    Olá Clésio e Antunes,
    Belas palavras sobre esse meio maravilhoso, que tanto nos encanta e que psosibilita que pessoas como o Clésio, que trilharam caminhos tão distintos dos microfones, nunca percam a paixão pelo rádio e consigam, mesmo que depois de muitos anos, atuar neste que é (e tenho fé que sempre será) o mais popular dos meios de comunicação.
    Ah! Só queria fazer uma pequena correção sobre a menção a meu trabalho: atuei no Sistema Globo de Rádio e não na Rádio Jovem Pan.
    Abraço a todos
    Flávio Falciano

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