Cliques não mostram o que é relevante para uma audiência que está em busca de notícias de valor em suas vidas, diz estudo

No ambiente saturado de informação online, os leitores valorizam mais as notícias que são relevantes para eles, e essa relevância é impossível de ser encontrada pelas sofisticadas métricas de volume de visualizações, cliques e demais interações digitais, diz nova pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo (RISJ, na sigla em inglês), da Universidade de Oxford.

Reprodução/Instituto Reuters

O estudo aponta para um caminho que pode parecer óbvio, mas que ficou nebuloso na era digital. Para chegar mais próximo do que é relevante à audiência, é muito mais eficaz acompanhar de perto o cotidiano das pessoas, nas ruas e não nas redes sociais, e confiar no instinto jornalístico, diz o trabalho conduzido por Kim Christian Schrøder, professor de comunicação da Roskilde University, da Dinamarca.

“As pessoas frequentemente clicam em histórias que são divertidas, triviais ou estranhas, sem nenhum foco cívico óbvio. Mas elas mantêm uma clara noção do que é trivial e do que é importante. No geral, as pessoas querem se manter informadas sobre o que acontece ao seu redor, nos níveis local, nacional e internacional”, escreveu Schrøder, que atuou como bolsistas sênior do Instituto Reuters entre janeiro e julho de 2018.

Enquanto métricas fornecem uma grande quantidade de dados sobre as preferências de notícias reveladas – histórias mais clicadas, compartilhadas, apreciadas e assim por diante – elas nos dizem muito pouco sobre por que as pessoas fazem suas escolhas ou sobre como as notícias se encaixam em suas vidas, diz o estudo. “Na medida em que os jornalistas priorizam notícias com valor cívico, eles devem acreditar em seus instintos, em vez de se orientar pelo sismógrafo não confiável oferecido pelas listas das ‘Mais Lidas’”, afirmou Schrøder.

A pesquisa descobriu que:

• A relevância é o principal motivador do consumo de notícias. E as pessoas acham que as histórias mais relevantes são aquelas que afetam suas vidas pessoais, pois interferem no cotidiano das suas famílias, do local onde trabalham, das atividades de lazer e de suas comunidades locais.

• A relevância está ligada à sociabilidade. Muitas vezes se origina na crença de que a família e os amigos podem se interessar pela história. Isso geralmente é associado à capacidade de compartilhamento – um desejo de compartilhar e marcar um amigo nas mídias sociais.

• As pessoas frequentemente clicam em histórias divertidas, triviais ou estranhas, sem nenhum foco cívico óbvio. Mas elas mantêm uma noção clara do que é trivial e do que é importante. No geral, as pessoas querem se manter informadas sobre o que acontece ao seu redor, nos níveis local, nacional e internacional.

• O público de notícias faz interpretações próprias dos fatos, que surgem naturalmente de experiências pessoais. A mesma notícia pode ser lida por pessoas diferentes como uma história “internacional”, uma história “tecnológica” ou uma história “financeira”; às vezes uma reportagem trivial é apreciada por suas implicações cívicas.

• Notícias são um fenômeno de mídia cruzada caracterizado por alta redundância. Vivendo em uma cultura saturada de notícias, as pessoas muitas vezes se sentem suficientemente informadas sobre as principais notícias em andamento; apenas ler a manchete pode ser o suficiente para atualizar as pessoas sobre os últimos acontecimentos [o que exige muita reflexão das redações sobre a produção de manchetes].

• O ato de evitar notícias, especialmente as políticas, geralmente é resultado da descrença em relação aos políticos, ao lado de uma modesta alfabetização cívica e da falta de conhecimento sobre política.

O estudo identificou quatro tipos específicos de interesse noticioso:

• Pessoas com interesse político e cívico em notícias.

• Pessoas com interesse social-humanitário em notícias.

• Pessoas com interesse cultural em notícias.

• Pessoas que buscam histórias de profundidade (políticas).

(ANJ, 15/02/2019)

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