Coisas de quem se mete a pescador

Eu já falei que o Moacir Amaral era fanático por pesca. Durante muito tempo ele assinou uma coluna na “Gazeta do Povo”, intitulada “Haliêutica”, onde ensinava a pescar e dava dicas de locais para os diversos tipos de pescaria.
Por Ubiratan Lustosa 

No embalo do Moacir, que era Diretor Comercial da Bedois, o Hugo Von Linsingen que era seu assistente e eu, na época Diretor Superintendente, com muita freqüência fizemos boas pescarias no litoral paranaense. Numa dessas fomos a Caiobá, pouco mais de 100 quilômetros de Curitiba, pois queríamos pescar na Ilha das Tartarugas, a conhecida Ilha do Farol, em frente à Praia Bela.
O Moacir costumeiramente levava um arsenal de varas de pesca, molinetes, chumbadas, linhas e anzóis que garantiam a ele sempre o maior peixe em nossas amigáveis competições.
Entre a carga do “véio”, como a gente o chamava carinhosamente, nesse dia ele levava com extremo cuidado, na mão esquerda, uma garrafa de batida de limão e, estranhamente, um cálice para sorver com requinte a bebida preparada com capricho.
Estavam construindo um edifício em frente da praia, junto ao morro, acho que é o mais antigo dos grandes prédios de apartamentos de lá. Ao lado da construção, em via de acabamento, uma longa valeta de pedra ainda não coberta, destinada ao escoamento de água pluvial.
Resolvemos pular a valeta, apesar de já termos tomado alguns aperitivos. Na vez do Moacir, o “véio” deu o embalo e saltou. Nossa!… Ele calculou mal a distância e chegou com a ponta do pé ao outro lado da valeta. E foi lá pra baixo, com as pedras esmerilhando a sua canela.
Assustados, o Hugo e eu fomos acudir o Moacir, mas ele estava bem. A calça estava um pouco rasgada na perna, o material de pesca esparramado na valeta, mas na mão esquerda levantada ele segurava, cheio de orgulho, a garrafa de batida, intacta e borbulhante com a sacudida forte que levara. E o cálice do requinte estava sem o pé, mas com a parte do copo inteira, pronta para ser enchida. Aliás, ele usou um pouco da bebida para jogar sobre a canela raspada, achando que iria desinfetar seu ferimento.
O pior é que quando voltamos da Ilha do Farol a maré montante já havia encoberto o caminho de pedras que a liga à praia, e viemos adivinhando onde pisar, apoiando-nos nas varas de pesca que serviram de bengalas, chegando todos com uma porção de arranhões nas pernas. Coisas de quem se mete a pescador.
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Por Ubiratan Lustosa

Radialista, publicitário e escritor começou sua carreira profissional na Rádio Marumby fazendo locução e apresentação de programas de estúdio e auditório. Na Rádio Clube Paranaense chegou à direção geral. Dedica-se atualmente à agência Santa Lúcia Propaganda da qual é sócio-fundador desde 1968.
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