Com 50 anos de rádio, Walter Souza quer parar apenas em 2020

Paulo Clóvis Schmitz

Reprodução

Ele está com 71 anos e passou mais de meio século falando ao microfone, mas tem a disposição de um jovem e estabeleceu como meta completar 60 anos de rádio e TV, pendurando as chuteiras em 2020, já octogenário. Esse é Walter Souza, repórter que viveu os tempos áureos da radiodifusão em Florianópolis, passando pelas rádios Jurerê, A Verdade, Anita Garibaldi, Guarujá e Diário da Manhã, atual CBN Diário. Ficou 15 anos na RBS TV, onde cobriu a Novembrada, episódio que envolveu o ex-presidente João Batista Figueiredo num bate-boca com populares no Centro da Capital, e as grandes enchentes de 1983 e 1984 no Vale do Itajaí. Marcou época como repórter de campo no futebol, ao lado do narrador JB Telles e do comentarista Newton César Viégas.

Quando achou que não seria mais lembrado, foi convidado por Marcelo Fernandes Corrêa para comandar um programa matutino na Rádio Guarujá. E lá está, dando voz às comunidades e apontando os problemas da população da Grande Florianópolis.Nascido e criado na Avenida Mauro Ramos, fala com desenvoltura das coisas antigas da cidade, dos bailes nos clubes Paineiras, Lira e Doze de Agosto, da sessão das moças no Cine Ritz, das grandes competições de vela e remo, dos carnavais da Praça XV de Novembro, do radioteatro e dos tempos em que os balneários mais badalados ficam na orla de Coqueiros. “Naquele tempo, todos se conheciam e se tratavam pelo nome”, lembra.

Sempre irreverente e ousado, Souza chegou a entrevistar a rainha do carnaval em cima do carro em que ela desfilava e fez programas ao vivo com a água pela cintura, nas praias do Continente, ouvindo os banhistas e atendendo os pedidos musicais.

Há pouco tempo, foi tema de um trabalho de conclusão de curso da estudante de jornalismo Sandra Bonatti, da Faculdade Estácio de Sá, com depoimentos de figuras como Antunes Severo, Roberto Alves, Miguel Livramento, Fenelon Damiani e até a reprodução de parte de uma entrevista com o ex-governador Aderbal Ramos da Silva, que abriu a conversa fazendo-lhe elogio como poucos que ouviu na vida.

Um repórter de sorte
Da Novembrada de 1979, uma lembrança marcante foi ter contado com a sorte de estar ao lado do ex-presidente Figueiredo quando este, acossado pela multidão, voltou-se para ele e reclamou das xingações dos manifestantes. “Quase todo aquele material foi engavetado na emissora e a Globo nunca colocou no ar”, afirma Walter Souza. Outra vez, em São Joaquim, furou bloqueio da segurança para perguntar ao general quando o país teria um presidente civil. Foi arrastado para longe pelos homens da guarda presidencial.Nas enchentes do Vale testemunhou uma moradia desabando quando fazia reportagem, e em outra ocasião, no rio Itajaí-mirim, o cinegrafista gravou uma casa de madeira de 80 metros quadrados arrastada pela correnteza até bater numa ponte e se desintegrar, literalmente. “Além da competência, estudo e leitura, bom repórter não pode prescindir de sorte” ensina. Em Blumenau registrou o desespero de uma moradora que não foi atingida pelas águas, mas queria pagar prestação que vencia naquele dia e estava impossibilitada pela calamidade. A matéria fechou o Jornal Nacional.

Necessidade de falar

Reprodução

Na passagem pelas rádios da Capital, Walter Souza conviveu com figuras como Adolfo Zigelli, Acy Cabral Teive, Carlos Alberto Campos, Odemar Costa, Neide Mariarrosa e o poeta Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho.Por obra dele, técnico de som, Walter mandava para uma namorada, em Joinville, discos de acetato com  músicas que ele apreciava – um diferencial mesmo para grandes galanteadores da época.

“O rádio é quase uma necessidade orgânica. Tenho necessidade de falar o dia todo, conta, como que tentando explicar as razões de uma carreira tão longa e profícua. Safenado,  leva uma vida frugal e cuida d mulher, que luta contra uma doença grave. Ele só reclama do trânsito e da violência. “A noite, só saio por extrema necessidade, confessa.

MURAL | NOTÍCIAS DO DIA Florianópolis, segunda-feira, 12 de setembro de 2011Fotos: Fernando Mendes/ND | pc@noticiasdodia.com.br

4 respostas
  1. walter filho says:

    Olá, Xará! Oi, tenta continuar “desmagnetizando o cabeçote”… Oitentarás com o aval do Rei dos Reis e eu oitentarei lhe ouvir. Barbaridade! Saúde amigo e irmão. Fraternal abraço a sua dignkíssima senhora.

  2. Antunes Severo says:

    Posagora, sô! Com essa linguagem cifrada e os trocadilhos você vai acabar batendo a performance do Walter Souza. E por falar em “desmagnetizar o cabeçote”, tu sabes que muita gente não sabe que a Revolução Farroupilha começou aqui por Santa Catarina? Gracias pela lembrança e pelo carinho de sempre. Recomendações ao teu povo também.

  3. MAGDA MESQUITA says:

    urgente , gostaria de saber se voce se chama walter souza ramos.sou magda mesquita, bh ,M G.

  4. Antunes Severo says:

    O Walter Souza a que a matéria se refere, tanto quanto nos consta, é um profissional catarinense que trabalha em vários meios de comunicação social de Florianópolis.

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *