Como Salvar o Rádio AM do Brasil ?

O assunto que levantei na semana passada teve desdobramentos incríveis.
Meu email nunca foi tão movimentado; e o acesso ao site, com importantes opiniões dos mais diferentes pontos do país.
Por Edemar Annuseck

Fui questionado sobre tudo o que se possa imaginar sobre o  rádio AM.
Quero agradecer os sites Papo de Bola do Edu César de Porto Alegre, Bastidores do Rádio do Adriano Barbiero de São Paulo, Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de SC, do blog do Romais do RS, que reproduziram a coluna que assinamos.
Valeu amigos; foi uma semana de sucesso para todos que colaboram com Antunes Severo e Ricardo Medeiros, essas figuras ímpares do jornalismo catarinense e brasileiro.
Recadastramento
O recadastramento das emissoras de rádio e tv que o Ministério das Comunicações determinou, no dia 13.08 com prazo de 60 dias,  será importante, desde que, sejam publicados no site do órgão os nomes dos VERDADEIROS  proprietários das emissoras, seu local correto de atuação e  potência. Assim o povo brasileiro tomará conhecimento da realidade do nosso rádio tanto o AM como o FM, e até da TV.
Desdobramento
Em Porto Alegre, o rádio AM predomina com as rádios Guaíba, Gaúcha, Bandeirantes e Pampa. Excelentes programações, funcionários registrados, mantendo com isso o padrão que o rádio exige. Mas, em capitais como Curitiba e São Paulo, e no interior de vários estados a terceirização ocorre. Em Curitiba tem emissora de rádio completamente terceirizada, sem nenhum registro dos profissionais. Muitos aceitam trabalhar por cota de publicidade, que na maioria das vezes não conseguem vender.
E existe rádio que aluga o espaço e não permite a utilização de suas instalações; os programas precisam ser feitos de outros locais.
Também em Curitiba as FMS tem melhor faturamento que as AMS, porque as pesquisas mostram a realidade da audiência, em ambas as freqüências.
A terceirização tirou a CREDIBILIDADE das emissoras; a terceirização destruiu com a programação, e bagunçou o mercado publicitário. Como é que se pode sobreviver ?
E tem o lado dos apresentadores de programas terceirizados e outros não terceirizados : o  que se agride o Aurélio é uma grandeza, e os donos de rádio não estão nem aí. Aguardam o final do mês para receber o que cada terceirizado lhe deve. É o fim do mundo.
Essa é a realidade brasileira; é mais fácil receber sem ter empregar, recolher fundo de garantia e atender outras exigências da lei.
Em São Paulo o fato se repete na capital e cidades do interior. Os proprietários alegam que o funcionário que recebe salário de 1.200 reais custa 2.400 reais a empresa, o que é uma verdade. É por isso que a Jovem Pan colocou no ar e em seu site no quadro de Economia : “Brasil o país do impostos”.
Sobre as rádios
As consultas que me foram feitas por email:
a) – Pode uma pessoa ou grupo possuir mais do que uma emissora AM e FM em cada cidade.
b) – Pode uma Emissora ter autorização para determinada cidade e colocar transmissores e estúdios em outra.
c) – Pode uma emissora manter a mesma potência de seus transmissores após as 18 horas.
Obs : Enviei esse questionamento ao Ministério das Comunicações no dia 5 de Julho, repeti no dia 7 de Agosto e até agora não obtive resposta.
Respostas
a) – Precisamos aguardar a divulgação da VERDADE no recadastramento, que se iniciou dia 13.08.07
b) – Tomei conhecimento de empresas e empresários, que possuem mais do que uma rádio na mesma cidade. No meio radiofônico se comenta que  cada empresa ou empresário só pode ter em seu nome uma emissora, por frequência, em uma mesma cidade. Consta que foram constituídas empresas em nome de “laranjas” para não configurar a propriedade de mais de uma emissora por cidade.
c) – Sobre a instalação de estúdios ou transmissores fora da cidade em que a rádio possui a outorga, também consultei o  Ministério das Comunicações em Junho deste ano.
Quanto ao local de instalação dos transmissores informo que diversas normas trataram da questão, ora permitindo, ora proibindo a instalação fora do local da outorga. Atualmente vigora a Portaria MC nº 26, de 15 de fevereiro de 1996 que estabelece:
Art. 1º, § 2º – A estação transmissora deve ser instalada na localidade constante do ato de outorga, podendo o Poder Concedente, por motivos de ordem técnica devidamente comprovados, autorizar a instalação em outro local, visando melhor atender à localidade objeto da outorga.
 
At.
Departamento de Acompanhamento e Avaliação de Comunicação Eletrônica.
Núcleo de Atendimento SCE

Potência e Rádio Digital
Sobre a potência utilizada como determina o Ministério das Comunicações, há várias versões. A redução de potência seria uma exigência para aquelas que não tem canal exclusivo, as outras precisam reduzi-la no período noturno. Mas, isso também é ignorado pelos proprietários das emissoras. Com canal exclusivo devem existir no Brasil no máximo umas 6 emissoras.
Sobre o Rádio Digital que vem aí, a qualidade do som vai melhorar e muito, igualando-se ao das rádios em FM.
Mas, isso está longe de solucionar os problemas que o rádio AM tem.
O Rádio AM (e o assunto que questiono é o AM, porque o FM é feito a base de música, exceto Bandnews e CBN), precisa melhorar sua programação com a contratação de Diretores Artísticos, Programadores, Radialistas e Jornalistas, e não curiosos.
Qual é a solução ?
A solução precisa vir através do  Governo pelo seu  Ministério das Comunicações.
Não adianta só a vinda do rádio digital. Precisa ocorrer uma investigação sobre a qualidade do que é colocado no ar. Ou já não vale mais aquela frase de que “rádio é cultura”.
Aproveito para dar mais um exemplo do descalabro que ocorre no rádio brasileiro.
Leiam o comentário do site www.aouvir.com.br da Associação dos Ouvintes de Rádio de Fortaleza, Ceará.
Observação do Leitor
Francisco Djacyr Silva de Souza (*)
 
Por iniciativa de mentes equivocadas e desrespeitosas foi criado no rádio cearense a mania de rotular alguns ouvintes de rádio de “mala” – um termo que desrespeita , humilha e provoca a quem não comete nenhum tipo de crime a não ser emitir sua opinião. Hoje corre no rádio cearense uma lista de nomes que segundo algumas mentes doentias seriam os “malas do rádio”.
Como imaginar que radialistas ainda pensem nos seus ouvintes como “malas”? Por que não respeitam os seus colaboradores? Por que nosso rádio tem se transformado num espetáculo de desrespeito e desconsideração para quem, por meio de sua audiência e participação, contribui para o engrandecimento deste meio de comunicação?
Não podemos aceitar este tipo de ação de mau gosto, pois ao chamar seus ouvintes de “mala” o radialista prova que não tem compromisso com o que faz e nem respeita a quem participa de seus programas. Claro que alguns ouvintes podem cometer excessos, mas isto só ocorre quando o radialista não põe limites no seu programa nem o organiza corretamente.
Chamar ouvinte de “mala” prova que alguns radialistas precisam aprender o que é cidadania, o que é respeito, o que é consideração. O radialista que tem seu ouvinte como “mala” é um doente terminal que não acredita no que faz nem sabe a importância do meio do qual faz parte. Ou não aprendeu a ser ético no exercício de uma profissão das mais importantes da sociedade moderna.
(*) Francisco Djacyr Silva de Souza, presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE
Semana que vem tem mais!
 


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Por Edemar Annuseck

Edemar Annuseck, jornalista, narrador esportivo que iniciou na Rádio Nereu Ramos de Blumenau em 1964 e depois atuou nas Rádio Jovem Pan, Tupi, Record de São Paulo, Clube Paranaense, Cidade e Globo/CBN de Curitiba, TV Jovem Pan e SPORTV, Editor da página de esportes do Jornal A CIDADE DE BLUMENAU, cobrir 5 Copas do Mundo (74, 78, 82, 86 e 90).
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