Comunistas da Rússia e da China entre os novos bilionários do Planeta

Diante da denúncia de fraude na eleição que levou Vladimir Putin, ex-KGB, ao poder na Rússia, resolvi dar uma sapeada no assunto. E descobri que ali e na China existem coisas do arco da velha. Sobre a nova Rússia, que saiu do comunismo, mas segue em mãos comunistas, achei esta pérola de Alexander Soljenítsin (espirito que a máquina assassina de Stálin não destruiu): “É um mundo estranho e de ilusões o que nasceu na Rússia dos anos 90. Somos uma República de eleições livres, com imprensa, na aparência livre. Todavia, as personalidades mais corruptas mantiveram os seus lugares, e é em vão que se procuram os assassinos. Por causa da cínica crueldade dos bandidos, o preço da vida humana está reduzido à zero. É a oligarquia que governa, e tanto faz que o povo sobreviva ou não”.

Sim, passar da situação em que o Estado comandava a economia para o esquema de livre iniciativa é processo complexo e a situação tornou-se ainda mais caótica.

Anotem: “A corrupção, já endêmica na antiga URSS, alastrou-se. Aumenta a violência, com o surgimento de grupos mafiosos e o tráfico de drogas. Surgem grupos de novos-ricos, os chamados oligarcas, pessoas que pertenciam ao Partido Comunista e que conheciam quais ramos da economia possuíam maiores possibilidades de sucesso econômico e, da noite para o dia, arrebataram esses setores e tornaram-se milionários”.

Para cair do cavalo: entre os 50 maiores bilionários do mundo que estão na lista de 2012 da Revista Forbes, dez estão na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou seja, todos filhotes de Stálin/Lênin.

E na China? Bem, ali também os camaradas fazem Karl Marx perder o sono em seu caixão eterno. Os comunistas que integram a cupula do Partido Comunista chinês estão se tornando bilionários com a velocidade da luz. Algo que deixa os capitalistas do ocidente morrendo de inveja, principalmente os que frequentam as páginas da Forbes.

Segundo a Bloomberg (um dos principais provedores mundiais de informações para o mercado financeiro) o Congresso (já bilionário) chinês faz, por exemplo, seus pares americanos parecerem pobretões. A Bloomberg informa que os 70 delegados mais ricos do Congresso Popular da China (composto por 3 mil membros) possuem, juntos, a fortuna de US$ 89,8 bilhões. Enquanto isso, nos Estados Unidos, os 535 membros do Congresso, o presidente, os secretários (equivalente a ministros) e os nove membros da Suprema Corte (660 pessoas no total) detêm, juntos, um patrimônio de US$ 7,5 bilhões.

Mais, a desproporção entre a concentração de riqueza dos políticos chineses (os comunistas preocupadíssimos com o bem estar do seu povo) e dos políticos dos EUA (os capitalistas exploradores do povo) é mais gritante se lembrarmos de que os Estados Unidos têm um PIB de 15 trilhões de dólares para uma população de 300 milhões de habitantes, e a China tem PIB de 7 trilhões para a uma população de 1,3 bilhão.

Afinal, o que sobra de aproveitável do vendaval de revoluções que varreu o século vinte? O saldo é tão desastroso que só a cegueira ideológica impede de fazer uma avalição a fim de tirar ensinamentos desse passado tão escabroso. Mais estarrecedor é que no Brasil até na academia ainda se ouvem vozes tentando justificar o injustificável.

O que fazer? Para quem tenta me chatear recordo um ditado russo citado por Soljenitsin: “Aquele que recorda o passado perde um olho. Aquele que o esquece perde os dois!”

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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