Confissões

O rádio sempre esteve intimamente ligado à minha vida. Em criança, anos 1940, 1950,  na casa das minhas tias em Blumenau, já  era comum escutar-se rádio, geralmente as novelas da Nacional do Rio ou da Tupi de São Paulo. Júlio Louzada também invadia os lares na hora do “Angelus”, com a oração da Ave Maria.
Por Carlos Braga Mueller

Nos domingos, ao meio-dia, era o momento de se escutar Francisco Alves, o “Rei da Voz”. E não parava por aí, porque as ondas curtas nos traziam programas para todos os gostos.
Em Blumenau a PRC-4 Rádio Clube imperava absoluta. AM, um quilowatt de potência, transmissores no morro da Ponta Aguda, estúdios localizados nos altos do edifício “A Capital”, era a única emissora blumenauense, até que em 1957 veio a Difusora, do mesmo grupo da Clube.
Ah, tempos em que ser locutor de rádio era o sonho de muitos jovens… Eu era um deles, e brincava de rádio desde pequeno, lendo anúncios que recortava dos jornais.
Pois um dia, em 1954, a oportunidade chegou. Jener Reinert era “speaker” da Clube e apresentava um programa semanal de cinema: Cine Atualidades, na linha do “Cinelândia Matinal” que Adolfo Cruz produzia na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Jener sabia que eu gostava de cinema e que queria ser speaker também. Vira e mexe, logo lá estava eu apresentando com ele o programa. Foi então que faltou um locutor comercial e fui aproveitado nessa função pelos anos afora.
Eram tempos gloriosos para o rádio, sim, mas também de muitos sacrifícios. Não existia tecnologia de ponta e o máximo que você podia folgar era quando anunciava duas músicas seguidas. Os discos que rodavam eram em 78 rpm, ou então, os comerciais em acetato.
E nós usávamos pseudônimos, os nomes artísticos que estavam em moda. O Jener Reinert era o Carlos Fernando. Tínhamos Álvaro Fernandes, Pereira Júnior, Dalmo Suarez. Eu tinha também que inventar um nome. E aí adotei Charles Neto, que usei durante nove anos.
Comecei minha atividade no rádio aos 14 anos, usando ainda a “farda”, que era o uniforme marcial  do Ginásio Pedro II de Blumenau. Anos mais tarde, ingressando em outra etapa da comunicação, optei por Carlos Braga na TV Coligadas, para diferenciar de um colega homônimo, o Carlinhos Mueller, cronista social.
Depois, na política, ficou grafado definitivamente o nome de Carlos Braga Mueller. Mueller, do pai, também Carlos, e Braga da minha mãe Nair.
Ah, sim, hoje ainda apresento um comentário todos os dias na Rádio Bandeirantes AM de Blumenau, que tem o título de “Blumenau, Cidade que eu amo”, além de produzir e apresentar, também diariamente, um programete sobre Santa Paulina, na mesma emissora.
E lá se vão 53 anos de rádio, ufa! Imagina quanta coisa aconteceu…
 


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Por Carlos Braga Mueller

Radialista, jornalista e escritor. Iniciou fazendo locução e radiojornalismo na Rádio Clube de Blumenau. Também pioneiro na televisão, foi o primeiro apresentador de telejornalismo na TV Coligadas, atual RBS TV de Blumenau. Articulista, escreve sobre os meios de comunicação em SC no blog do Day e no site Caros Ouvintes.
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2 respostas
  1. murilo says:

    Era pequeno mas lembro sim. A locura anunciava: Quando os ponteiros se encontram ao meio dia, voce também tem um encontro marcado com Francisco Alves o Rei da voz.seguia-se um refrão de uma de suas canções NA CARICIA DE UM BEIJO QUE FICOU NO DESEJO, BOA NOITE MEU GRANDE AMOR.

  2. MURILO says:

    Oi xará também me lembro desse programa e dos refrões que vc cita. Era os tempos auereos do rádio eu tb era pequeno ai pela casa dos 8 ou nove anos mas adorava o programa abraços

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