Dona Scutt, a ouvinte-padrão

Convido você a conhecer a partir de agora a nossa ouvinte, Dona Scutt.

Dona Scutt é nossa ouvinte-padrão, ela conhece melhor a rádio do que o próprio diretor da emissora. Sabe o nome, não só dos locutores, como também de todos os outros funcionários, da Opec (Operadora do Setor Comercial), dos contatos comerciais, dos técnicos de gravação, da gerência, do pessoal do departamento administrativo, do setor artístico, das atendentes.

Dona Scutt conhece até a família da moça do cafezinho. É por isso que ela foi escolhida para ser nossa anfitriã neste artigo. Não adianta tentar esconder nada dela, ela está sempre antenada, literalmente. A Dona Scutt sabe de tudo e não desgruda do seu radinho. Todo esse amor pelo rádio já dura mais de 10 anos. Mas nem sempre foi assim.

Em certo momento da vida, Dona Scutt caiu em depressão. Ela vivia para o marido. Amava-o, e somente ele a fazia feliz. Dona Scutt só saia de casa com seu companheiro. Imagine o que a perda do seu esposo causou em seu íntimo. Dona Scutt perdeu não só o homem de sua vida, mas também a sua única razão de viver. Os seus filhos logo perceberam o choque sofrido pela mãe. Eles, que já estavam todos casados, levando suas vidas, independentes, sentiram a necessidade de encaminhar a mãe para um acompanhamento médico.

Após várias consultas e inúmeros antidepressivos, Dona Scutt, através de uma vizinha, descobriu uma emissora de rádio com a qual se identificou. Ligou, gostou e ficou. Foi amor à primeira vista, ou melhor, a primeira ouvida. Agora ela ouve rádio praticamente durante as 24 horas do dia. Acorda com as principais notícias e vai dormir com as músicas românticas do programa noturno.

Ela tem um rádio em cada cômodo da sua casa. Um na sala, um no quarto, um na cozinha e outro no banheiro. Dependo do que Dona Scutt está fazendo em casa, ela liga um dos aparelhos. Tem dias que ela prefere ligar vários deles, para não perder nenhum segundo de informação.
 
Atualmente ela vive muito bem. Passa o dia costurando e cantando. Dona Scutt já é aposentada, trabalha somente para ganhar uma “graninha extra”, como ela mesma diz. Ela mora sozinha e o rádio é agora o seu único companheiro. É o rádio que conta para ela as novidades do mundo inteiro e do seu bairro também. Ela fica sabendo sobre a vida dos seus artistas e sobre os seus vizinhos, que prepararam um mutirão para ajudar na reforma da escola da sua rua, por exemplo.

É verdade que a vida da Dona Scutt não é mais a mesma desde o falecimento de seu marido. Os filhos ainda vão visitá-la de vez em quando, mas ela teve que “segurar a barra” praticamente sozinha.

Será que uma pessoa sozinha, consegue voltar a ter uma vida normal? Todo o ser humano precisa de uma “muleta”, algo para poder se apoiar. Pode ser a busca por uma religião, acompanhamento médico, remédios e até drogas. Alguma coisa externa tem que ajudar o seu interior. No caso de Dona Scutt, só quando ela descobriu o rádio é que pode voltar a viver. Ela conheceu outras ouvintes no Clube da Terceira Idade, pelo rádio. Fez amizades e ganhou uma nova vida.

Se o rádio mudou tanto a vida da Dona Scutt, será que não pode mudar a sua também? Experimente.

O autor é publicitário, especialista em Rádio e TV, autor do livro “Você Nunca Ouviu Nada Igual”. Blog: http://vocenuncaouviunadaigual.blogspot.com

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