Coquetel de Crônicas

Este é um espaço para saudade. Saudade daquela que acalenta, afaga e revigora. Coisa gostosa que está ficando difícil de se viver, sentir e usufruir. Mas, que existe. Continua existindo e sempre existirá enquanto formos capazes de acreditar. Pois, crianças, hoje vos falo de Osmar Silva, “um dos cronistas de mais acentuados méritos”, segundo o depoimento do velho mestre Gustavo Neves, de quem poucos ainda se lembram.
Por Antunes SeveroMinha Cidade

Crônica de Osmar Silva, apresentada sob os títulos de “Janelinha da Ilha” e “A Página do Dia” pela Rádio Diário da Manhã, geralmente lida por Gustavo Neves e Antunes Severo.
 
Praia de Coqueiros, 1960

Florianópolis é uma cidade onde a poesia não morre, não obstante todo o esforço do homem em afastá-la do seu caminho!

E quem a quiser ver, na plenitude de sua beleza poética, admire-a as seis da manhã, quando o sol se levanta no oriente, ou às seis da tarde, quando morre, como pachá sonolento, na fimbria azul do Ocidente, envolto na roupagem cambiante das mais sugestivas e belas cores

Praia do Bom Abrigo, 1950

Digna do pincel de um grande artista que a quisesse fixar numa manhã como a de hoje, quando o sol, rompendo a resistência das nuvens que ameaçam chuva, esplende em luz viva e deslumbrante, envolvendo-a, por inteiro, na caricia matinal dos seus raios ardentes!

Ficaria bela, se fosse apanhada, assim, ao amanhecer no seu lento despertar para as lides diárias, abrindo os olhos, pouco a pouco, ao som do canto dos pássaros e beijada pela suave brisa do mar!

Poderia, o pintor, colher as cores irisadas das gotas de orvalho tremeluzindo no verde da folhagem que a cerca como um colar de pedras preciosas no alvo contorno de suas maravilhosas praias!

Praia de Itaguaçu, 1950

Ou, então, poderia fixá-la à hora do sol posto, quando o céu se tinge de um vermelho vivo, que vai cedendo lugar ao turbilhão de cores que o precede, no meio do qual o sol agoniza, para desaparecer, definitivamente, na linha azul do horizonte!

Um poente sobre o mar que parece quedar em silêncio para recolher o último suspiro do astro-rei, ou sobre o alto de um morro, em cujo fundo verde-escuro o gigante parece esconder-se aos nossos olhos atônitos!

Essa é a minha cidade, digna do pincel de um grande artista e só não a considerarão assim, só não renderão o tributo de sua homenagem à sua esplendorosa beleza, os que não tiverem olhos para ver, nem coração para sentir!

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Capa do Livro Coquetel de Crônicas

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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