Coréia do Norte ou a agonia da utopia que deveríamos refletir

Há duas semanas afirmei que talvez fosse hora de deixarmos de agir como o avestruz e iniciar o debate sobre o que foram (como iniciaram, como se desenvolveram e como terminaram) os governos/regimes comunistas no mundo diante da possibilidade deles chegarem ao poder no Brasil. Falei isso diante do desempenho do PC do B na TV em horário de propaganda partidária. Agora a manifestação do partindo se solidarizando com a Coréia do Norte (na crise em que até a China, maior aliada do país, se posicionou ao lado dos “imperialistas”) reforça a tese de que pode ser oportuno revisar as ideologias que conduziram a humanidade nos últimos cem anos.

A prática mostra que as nações somente se dão conta de que entraram numa fria tarde demais. As massas facilmente são tangidas como tropa de gado e quando acordam o pior foi feito, o preço para o retorno à civilização é altíssimo e passa para as gerações seguintes. Assim, questionar o que foi feito no passado por parte de quem está no jogo democrático é salutar e faz parte do processo. Saber por que alguns ainda insistem numa utopia agoniza poderá fazer a diferença para evitar o caos.

Contemplar as atuais estripulias da Coréia do Norte, por exemplo (que em pleno século 21 mantém doentios campos de concentração que se fizeram marca registrada no nazismo), é mergulhar nessa agonia da utopia que moveu século vinte. Tal utopia, todos sabem, foi a alternativa ao capitalismo chamada de comunismo que moveu e pintou com vermelho do sangue de mais de 100 milhões de pessoas esse que foi o período mais pérfido da modernidade.

O que restou disso tudo foi Cuba, que agoniza vivendo de esmola de alguns e, entre outras excrecências, a Coréia do Norte. Para sobreviver o regime norte-coreano chantageia o mundo com armas nucleares sob a alegação de que desafia o imperialismo americano (algo que não poucos incautos acreditam) enquanto o que deseja mesmo é comida para reduzir a penúria da população.

A história dessa Coréia é increivel: na década de 1950 assumiu Kim Il Sung, que governou com mão de ferro seguindo a cartilha comunista que não comporta oposição, judiciário, liberdade, imprensa livre e que mantém prisões atulhadas de desafetos. Quando Kim morreu o trono foi para o filho Kim Jong Il, que governou o país como propriedade familiar. Com sua morte assumiu o trono o neto Kim Jong-un (obviamente mantendo o padrão de mão de ferro do avô, que a fruta não cai longe do pé). Tudo num processo sucessório que lembra a aristocracia europeia medieval. Quem entende isso?

Nestes tempos de democracia sólida no Brasil ninguém vai ser tolo de encarar a sugestão de avaliar a performance do movimento comunista como caça às bruxas, algo típico lá dos anos de chumbo, com o que não precisamos temer qualquer patrulhamento (até porque vários países, além dos comunistas franceses, fizeram a reflexão). Num tempo onde só o que restou em vivo foi que mais odiávamos na juventude, buscar nova utopia sem cometer os mesmo erros fará a diferença entre sanidade e loucura.

Sei que todos, especialmente os jovens, se lixam para conselho (diz o ditado que se fosse algo bom os conselhos seriam vendidos), mas saber o que realmente pensa um partido comunista no século 21 pode ser a salvação da lavoura. Tudo será estatizado? A imprensa será livre? Existirá parlamento e judiciários livres e independentes? Outros partidos poderão existir? As eleições serão livres e haverá alternância no poder? Quem começa a responder essas indagações? Este espaço já está à disposição dos interessados!

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Por Ivaldino Tasca

Jornalista e radialista. Natural de Barra Funda/Sarandi-RS. Reside em Passo Fundo, onde já foi secretário de Meio Ambiente e de Cultura. Atuou na Cia. Jornalística Caldas Junior por dez anos, foi chefe de redação e diretor de O Nacional, mantém coluna no jornal Diário da Manhã e programa sobre ecologia na Rádio Uirapuru de Passo Fundo.
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