Criamos gerações de coitados

É isso, mesmo, coitados. Presumo que você tenha compreensão da exata significação de “coitado”: alguém que foi alcançado pelo coito. Durante séculos desenvolvemos a cultura da dependência do poder imperial e de 1889 em diante da dependência do poder republicano. Ensinaram na escola que o termo república vem de rês pública, melhor dizendo “vaca pública”, cujas tetas são para todos. Mas, não era para todos. Os coitados desses séculos todos foram aqueles que não tiveram acesso às tetas da grande vaca. Veja que grande ironia! Nesses últimos tempos de governos PSDB/PT achou-se um jeito de espichar o comprimento de, pelo menos, uma das tetas, para levar apoio a quem nunca havia mamado.

Criaram-se bolsa escola, bolsa família, quotas nas universidades, minha casa minha vida, sem falar nos outros direitos legais, só direitos, nada de deveres, para algumas minorias excluídas (das tetas imperiais e republicanas) ou discriminadas: negros, algumas mulheres, algumas crianças e adolescentes, alguns homoafetivos, índios, quilombolas, eticéteras outros.

Segregamos antes, levamo-los à exclusão e discriminação para depois corrigir, não pelo processo de inclusão cultural, social, econômica, digna, dignificada, mas inclusão por imposição, claro, gerando animosidades principalmente daqueles que não os vêem como excluídos.

O país das mamatas vai criando novas mamatas, pequenas mamatas e agrandando as já existentes e aumentando a carga tributária para poder suportar tudo.

Para que fique bem claro: reconheço a exclusão e a discriminação, de certa forma, como mais um excluído, quando precisei pular fora da região que me viu nascer para poder sobreviver como jovem candidato a um trabalho remunerado. Reconheço a anterior mamata que deu terras, incentivos fiscais, adubo papel, financiamentos a fundo perdido a um montão de gente hoje muita rica. Reconheço que a escravidão foi abolida e o escravocrata não foi chamado a proteger seus ex-trabalhadores, coisa que hoje o FGTS tenta corrigir.

Reconheço a necessidade de o país olhar por seus miseráveis e por aqueles que querem ser incluídos no mercado. Reconheço o respeito que devemos aos discriminados por qualquer motivo. Só questiono o modo como isso tem sido feito.

Expressões como “bugre nojento”, “negro desgraçado”, “viado sem-vergonha”, hoje punidas com os rigores da lei, não surgiram apenas porque as pessoas tinham e têm preconceitos contra índios, negros e viados. Poucos conhecem os antecedentes para que a coisa chegasse aonde chegou.

Os agricultores jogados a esmo dentro das terras para onde foram mandados quando aqui chegaram como imigrantes, tiveram de abrir caminho, no mato, à foice; e nos seus caminhos estavam os silvícolas, que tiveram de ser afastados à força, pois eles tomavam para si tudo o que havia. Sua cultura era e é de que a terra e as coisas são de todos.

Claro, as prisões estão cheias de negros e mulatos; vazias de brancos porque o colarinho branco não está lá; mas se você está só numa rua e vem em sua direção alguém de cor, roupas surradas, gorro na cabeça, o que você faz?

E a questão homossexual?

Todos os discretos, enquadrados como seres educados não só foram e são respeitados como também alcançam posições invejáveis na sociedade. Mas, dentre eles sempre estão aqueles que querem mostrar e impor que são diferentes, escrachados, depravados. São notados e, não raro, levam o rótulo de viados sem vergonha. Desculpe, agora isso é crime. Que pavor se vierem me processar por difamação. Os processados, como são muitos, em nada modificarão a sua opinião, o que apenas comprova que a solução não poderia vir através da repressão e sim da educação.

Eu não posso amar alguém por decreto.

E o principal, que é a supressão das mamatas, não acontece, não há lei para reprimi-las.

 

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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