Crítica: Série American Horror Story (Clã)

A primeira temporada de American Horror Story quando saiu, logo despertou a atenção de público e crítica, mas foi o segundo título (Asylum) que catapultou o nome da série definitivamente, devido a vários aspectos, como por exemplo, direção transgressora, diversas referências aos clássicos do cinema, tramas e subtramas bem amarradas, e além de tudo isso, contava com um excelente elenco, aliás algo que a série sempre prezou.

americanhorrorstoryOs horrores passados no sanatório fazia com que os telespectadores cravassem as unhas na poltrona, fechassem os olhos ou então assistissem a tudo aquilo com grande tensão e agonia. Portanto, a expectativa pra terceira temporada era grande por parte do público.

Em American Horror Story (Coven) o aspecto aterrador da série foi amenizado, dando ao telespectador a oportunidade de dar um respiro, algo que foi muito bem pensado, afinal nota-se que a série não se preocupa somente em trazer novas histórias, mas também despertar novos e diferentes efeitos sensoriais nos telespectadores, porém o roteiro está longe da genialidade da segunda temporada, e é inferior também em relação à primeira.

A trama principal ocorre nos tempos atuais em que um grupo de bruxas busca sobreviver e resistir à extinção de sua espécie, porém o perigo não se encontra somente do lado de fora da mansão em que habitam, mas também dentro dela, já que as jovens bruxas vivem constantemente numa briga de egos para saber quem irá se tornar a bruxa suprema, a líder. Além disso, a atual suprema, Fiona, vivida pela atriz Jessica Lange, está perdendo suas forças e está disposta a passar por cima de todos que estão no seu caminho, ou que simplesmente tenham chances de aperfeiçoar seus poderes e preencher seu lugar de suprema.

A história também traz acontecimentos do passado, dando uma fundamentação melhor a situação atual, assim, as personagens principais têm suas respectivas personalidades aprofundadas muito através desses flashbacks. Duas personagens em questão são históricas, Marie Laveu(Angela Basset) uma praticante de voodu dos Estados Unidos, sendo chamada até hoje de rainha do voodu; e Delphine LaLaurie (Kathy Bates) uma socialite de Nova Orleans e suposta assassina em série, que segundo a lenda, torturou dezenas de escravos negros. Na trama estas personagens nutrem uma relação de ódio uma pela outra, já que Delphine matou o amante de Laveu, e esta em busca de vingança a amaldiçoou a viver por toda eternidade, e logo depois a prendeu num caixão, enterrando-a. Mas antes disso, ainda mostrou que todas as suas filhas haviam sido enforcadas, fazendo com que Delphine vivesse pra sempre com esse pesadelo.

Quando nos tempos atuais, Fiona(Jessica Lange) liberta Delphine do caixão e faz dela sua escrava pessoal, não percebe que com isso despertará a fúria de Laveau, iniciando uma guerra entre as bruxas do clã e as bruxas praticantes de voodu. Enquanto ocorre esse enfrentamento, há também uma organização secreta de caçadores de bruxas que tramam acabar com todas elas, tendo dois personagens bastante evidenciados na trama, o dono da organização e seu filho, que se encontra infiltrado entre as bruxas do clã, algo que conseguiu se casando com uma delas.

Vale ressaltar também as complexas relações entre pais e filhos que foi bastante explorada, servindo de mola propulsora para diversos acontecimentos e reviravoltas. Os conflitos internos que os filhos carregavam foram bem construídos e desenvolvidos com o passar da história, principalmente ao retratar o peso que eles carregavam e a pressão sofrida para que se tornassem o mesmo que seus pais. (Cordelia -Sarah Paulson) buscava a todo o custo a aprovação da mãe (Fiona – Jessica Lange) , o carinho, o amor que nunca teve, e ao mesmo tempo a repudiava por nunca ter arcado com suas responsabilidades e ter agido sempre de modo egoísta.

Do outro lado tínhamos o filho do caçador de bruxas, que fugia a todo o momento de sua verdadeira essência, aquela do passado, a de um garoto bom que não teve coragem de dar um fim à bruxa na floresta. Já adulto tentava sempre agradar ao pai, perdeu totalmente sua personalidade, se tornou um caçador também, mais precisamente um fantoche controlado pelo velho homem. Sua essência ainda não havia sido totalmente destruída, e essa dualidade é certamente algo interessante de acompanharmos no desenrolar da temporada. A do homem que quer a aprovação de seu pai e torna-se algo que foge a sua real personalidade, e ao mesmo tempo a busca pela coragem pra se livrar de uma vez por todas do controle do pai, e com isso enxergar e assumir definitivamente sua verdadeira identidade.

A série acaba pecando pelo roteiro que não empolga muito, fora algumas subtramas que são extremamente mal desenvolvidas e desnecessárias, como por exemplo, o triângulo amoroso entre as duas jovens bruxas Zoe Benson(Taissa Farmiga), Madison(Emma Roberts) e o rapaz universitário Kyle(Evan Peters), aliás este último num papel constrangedor, uma pena já que o ator é muito competente, porém a ideia dos roteiristas em criarem um personagem que era revivido dos mortos e passasse praticamente a série inteira batendo a cabeça na parede e balbuciando palavras só causou irritação nos telespectadores. E se o objetivo era criar uma torcida em relação a união do casal bonzinho da subtrama, Zoe e Kyle, o máximo que se conseguiu foi despertar o tédio pela construção de personagens fracos e sem carisma.

Outro fator negativo foi a utilização dos personagens na história, alguns deles eram simplesmente esquecidos durante um bom tempo e depois surgiam, nesses momentos o telespectador pensava: ‘-Ah! Já tinha me esquecido desse personagem!” O maior exemplo é o do caçador/marido de Cordelia, que precisava certamente de um espaço melhor na série, para que a relação dele com a mulher e com o resto do clã fosse mais aprofundada, no fim das contas ele nem parece realmente o marido, mas sim uma visita que aparece esporadicamente na mansão do clã.

Enfim, ‘American Horror History – Clã’ é indicada para os fãs da série, funcionando como um entretenimento de razoável a bom, tendo seu melhor na exploração das relações familiares, principalmente de Cordelia(Sarah Paulson) e sua mãe Fiona(Jessica Lange), que estão muito bem nos papéis que vivem. Mas aqueles que não viram nenhuma temporada de American Horror Story e pretendem começar pelo ‘Clã’, não façam isso, pois só causará uma má impressão e o desânimo por uma série que tem temporadas acima da média, tendo ‘Asylum’ como o ponto alto, essa sim é indicação máxima.

Confira abaixo o trailer da terceira temporada da série (Clã):

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