Crônicas e nas ondas do rádio

Tudo começou quando eu devia ter uns 8 anos. Um repórter não sei de que rádio foi ao colégio em que eu estudava e convidou vários alunos a pedirem uma música, oferecerem para alguém e pronto.

Na cadeira do barbeiro

Pronto quer dizer que era só aguardar, o repórter tinha um daqueles gravadores antigos, grandes. Dias depois ouviríamos a nossa voz no rádio.

Chegado o dia lá estava eu deitado no assoalho da nossa pequena casa de madeira aguardando ouvir minha voz. Passou horas. Não ouvi minha voz. Nada do meu pedido e oferecimento musical rodar. O tempo passou e comecei a ligar para as rádios. Ganhava prêmios com a única intenção de conhecer os estúdios por dentro. Mas chegada a hora de retirar os prêmios, cadê à coragem de pedir para entrar nos estúdios? A timidez me impedia. Ouvia várias rádios. A Santa Catarina, Diário da Manhã, Guarujá. O locutor preferido era Nabor Prazeres, na época da Santa Catarina. O tempo voa.

Me tornei barbeiro. O tempo continuou passando rápido e sentia que havia algo que precisava fazer. Queria escrever. Troquei ideias com a escritora Irene Rios e com o jornalista Luiz Carlos Prates. Crônicas. Lancei o primeiro livro em 2009 – Crônicas Na cadeira do barbeiro. Pensei que soubesse escrever. Também se soubesse que não sabia nunca teria começado. No mesmo ano fui convidado para ser colunista dos jornais em Foco. O convite partiu de Ozias Alves Junior, editor chefe e proprietário dos jornais. Em 2010 o segundo livro de crônicas e em 2011 meu romance – Um sonho de menino.

Quando pensava que havia completado o que tinha a fazer na comunicação me deparo com o menino aguardando a sua voz no rádio uns 32 anos atrás.

Um dia, em 2013, eu passava pela rua onde nasci e morei por 35 anos. A mesma rua onde ficava a casa em que aguardei por horas ouvir minha voz no rádio. A mesma rua onde por inúmeras vezes parei de brincar com amigos para ligar para as rádios e ganhar prêmios; claro, com a intenção de conhecer as rádios. E ainda era criticado por muitos, “esse negócio de ligar pra rádio é coisa de mulher”. Pois naquele dia, passando por essa mesma rua vi a placa de uma rádio – Luar FM 98,3. Pronto. Não descansei enquanto não conversei com Cristiano Souza, coordenador da emissora. Negócio fechado. Com alguns apoiadores culturais e meu primeiro convidado, o jornalista Clayton Ramos, no domingo, dia 2 de junho de 2013, às 22:00h, foi ao ar meu primeiro programa, com o título – Na cadeira do barbeiro. Dessa vez, não deitado no assoalho, mas sentado na poltrona do meu apartamento e não com 8, mas com 40 anos ouvi minha voz no rádio. E lá se vão dois anos de Programa. Desde o dia 24 de junho de 2013 o programa vai ao ar ao vivo todas as segundas feiras às 18h. Optei por convidar principalmente comunicadores por entender a beleza da profissão e que os comunicadores muitas vezes não têm tempo de contar suas belas histórias.

O Caros Ouvintes foi outra bela surpresa. Em maio de 2013, dias antes de iniciar o programa na rádio recebi um e-mail do nosso querido Antunes Severo. Depois de enviar uma crônica a seu pedido fui convidado para ser cronista do Caros Ouvintes, esse maravilhoso Portal. Minhas crônicas aqui no Caros Ouvintes e nos jornais em Foco variam em assuntos do cotidiano e contos. No programa tem músicas antigas, informações, participação da advogada Drª Dienifer Leite e entrevistas. Mais de 45 pessoas já foram entrevistadas, 37 comunicadores.

Se os radialistas, jornalistas, colunistas, narradores de futebol, apresentadores de TV não tinham um espaço para sentar e contar a sua própria história, agora tem o melhor lugar para um bom bate-papo; onde? Na cadeira do barbeiro.

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