Curiosa vida de Assis Chateaubriand (Chatô)

Durante a Revolução de 1930 (que elevou ao poder central Getúlio Dornelles Vargas, destituindo Washington Luiz), muitos foram os fatos que envolveram passagens curiosas e quase passadas despercebidas.Quem acompanha a história do país, sabe que – naquela época – uma das figuras de vanguarda na imprensa brasileira chamava-se Assis Chateaubriand. Nascido pobre cresceu na vida muito mais como jornalista do que como advogado brilhante que foi por alguns anos. Sempre preferiu o “caminho mais curto” como titular de um império jornalístico (os Diários Associados), ao oferecer seu apoio a políticos detentores do comando.

Em 1930, Chateaubriand, ao vislumbrar a conquista do poder pelo gaúcho de São Borja, Getúlio Vargas, ofereceu-lhe apoio imediato e incondicional. Foi no início da era Vargas que Chateaubriand, para não se incomodar com os focos de resistência que eventualmente pudessem atrapalhar sua vida, resolveu deslocar-se até Porto Alegre, fazendo-o pela região serrana no trecho de Santa Catarina.

Programou pernoite em São Joaquim, então tendo Lages como pólo absoluto do planalto catarinense. Ali se instalou, para pernoite, no único hotel da cidade. Após um reconfortante banho, desceu até a portaria do hotel onde, de surpresa, recebia ordem de prisão do então delegado de polícia do lugar (na época, geralmente um militar).

Os motivos eram óbvios:

1 – Um “desconhecido” num lugar onde todos conheciam todos;

2 – Era  ordem assim agir com qualquer “ente” que aparecesse por aquelas paragens, originando natural suspeita de foragido remanescente do antigo sistema.

Quando Chatô tentou explicar ser Assis Chateaubriand, ai mesmo que “embolou o meio de campo”, aumentando mais a descrença no que o jornalista dizia: Assis Chateaubriand em São Joaquim?
De memória prodigiosa – procurando manter a calma de quem já passara por muitas situações iguais ou ainda piores – Chatô exclamou de repente: “Tenho um funcionário aqui que poderá comprovar minha identidade!”

Instado a esclarecer-se melhor, complementou Chateaubriand: “é o cidadão César Martorano, ligado a ”O Jornal”, como seu representante local”. Chamado Martorano – que jamais iria supor ver Assis Chateaubriand (e muito menos em São Joaquim), este quase teve um desmaio ao ver ali, ao vivo, aquele que tanto admirava, mas que jamais supunha vir a conhecer pessoalmente!

“Doutor Chateaubriand!”, e Chatô “partiu para o abraço”, não somente comovendo a todos, como também “gelando” a irredutibilidade até então imposta pelo delegado!

O jornalista e meu amigo há mais de 50 anos, Rogério Martorano (reside em Florianópolis), é muito mais fiel testemunha deste curioso fato do que consta nesse modesto relato, pois ele é filho de César Martorano e poderá contar muito mais do carinho e apreço do velho Chatô para com os seus e com a cidade de São Joaquim a partir de então.

As visitas de Chateaubriand foram freqüentes, desde então, ao seu amigo César Martorano e família, bem como muitos recursos foram destinados pelo velho jornalista à cultura da cidade.

Hoje a cidade serrana que detém o título de “mais fria do Brasil” possui em seu Museu Histórico o honroso Espaço Assis Chateaubriand.

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