Da barbearia à comunicação

Tive uma boa infância e alcancei àquelas brincadeiras que deixaram saudades. Mas uma das coisas na qual pensava na minha infância e adolescência era: qual será a minha profissão? Passei por vários trabalhos desde os 6 anos quando comecei a vender deliciosas bananas recheadas feitas pela minha mãe, dona Olga.

No entanto, foi somente no dia 10 de outubro de 1996 que comecei a trabalhar na profissão que me levaria, e eu jamais imaginara, a outros lugares, ou a antigos sonhos.

Meu casamento com a profissão de barbeiro pode ser comparado a um daqueles casamentos por conveniência lá do passado; ou será que ainda acontecem?

Digo por conveniência porque sabia que queria me casar, ter filhos e ter uma profissão.

A ideia veio quase que por acaso. Fui em frente, fiz 2 cursos e lá se vão 21 anos. Creio que uns 55 mil atendimentos. Muitas amizades. Muitas saudades de clientes amigos que já faleceram. Me lembro de uns 50 talvez 60. Desses lembro desde seu corte de cabelo até para que time torciam ou que tipo de assuntos gostavam de conversar.

O tempo passou e algo me incomodava, alguma coisa faltava, mas o quê?

Resolvi escrever. Troquei ideias com a escritora e hoje especialista em gestão e segurança no trânsito, Irene Rios, o jornalista Luiz Carlos Prates e meti a cara.

O primeiro livro me trouxe uma grande lição: eu não sabia que não sabia escrever; pensei que fosse simples como falar. Daí o segundo e o terceiro, e ainda havia muito a aprender.

Em junho de 2009 por indicação do amigo jornalista, Fábio Machado, fui entrevistado pelo editor chefe dos jornais Em Foco, Ozias Alves Junior, que me convidou para ser colunista em seus jornais.

Em meio a estudos por conta própria o lançamento de mais livros, montagem do meu blog e um convite muito especial do nosso grande mestre do jornalismo e publicidade, Antunes Severo. Ele me convidou para ser colunista do Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia.

Mas por esses dias eu estreava o programa de rádio – Na cadeira do barbeiro, na rádio comunitária Luar FM. Tive a alegria de criar, produzir e apresentar esse programa por quase 3 anos; espero voltar.

Antunes Severo, animado com teor do programa, entrevistas como nossos comunicadores, mais de 40 viriam a participar, passou também a reprisá-lo no Caros Ouvintes.

Em 2013 Severo perguntou se eu já havia feito meu registro de jornalista. Por uma decisão que causou polêmica, mas já não era sem tempo, em junho de 2009 o Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 1 entendeu que exigir o diploma de jornalista fere a Constituição Federal. Assim como nos Estados Unidos, em mais de 20 países da europa e outros países, embora haja boas faculdades de jornalismo, não há na maioria deles a obrigação de faculdade para exercer a profissão. Há os que concordam e os que discordam da decisão do STF. Deixo minha opinião pessoal e profissional para outra coluna.

Ainda em 2013, depois do incentivo de Antunes Severo, com as colunas nos jornais Em Foco, no Caros Ouvintes, meu blog, a produção e apresentação do programa de rádio, recebi meu registro de jornalista, conhecido como – MTB.

Hoje, além da barbearia e das colunas semanais também estou cursando licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela faculdade Estácio de Sá. Não desisti de aprender a escrever e como recompensa muitos outros conhecimentos acompanham essa bela faculdade.

E foi assim, entre um cliente e outro; entre muitos relatos e histórias; de ouvir e de perguntar que acabei chegando à comunicação. Diga-se de passagem que a rádio na qual apresentei meu programa ficava na rua em que nasci e morei por 35 anos. A mesma rua de onde por inúmeras vezes saia em busca de um telefone público, o antigo, orelhão, para gastar fichas telefônicas e ligar para as rádios. Não era tanto pelos prêmios, mas pelo desejo de conhecê-las por dentro.

Por isso amigos leitores, sempre tente ver além. Além daquilo que está diante os nossos olhos. A profissão é em muitos casos um casamento, mas seja ele por amor ou por conveniência ele pode trazer grandes surpresas.

Tive vários momentos especiais nesses 21 anos de barbearia e 8 de comunicação; o que não teria ocorrido não tivesse arriscado. Talvez até hoje não teria descoberto que mal sabia escrever.

E no teu caso, como anda o seu casamento com a profissão? A quantas anda esse caso de amor? Pense, planeje, troque ideias com pessoas interessantes e viva feliz, seja no atual ou no novo casamento profissional!

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