Da Gillete a Internet!

Li a coluna do consagrado Jamur Junior, a quem não conheço pessoalmente, mas, sempre que passava por Curitiba (antes de me fixar na cidade) acompanhava nos noticiosos da TV-Iguaçu.
Por Edemar Annuseck

Jamur escreve sobre o recorte que era feito dos jornais – Gillete Press – para dar condições às emissoras de rádio de colocar no ar seus noticiários. Hoje o sistema continua sendo utilizado, agora através da Internet e foi apelidado de Internet-Press. É assim que os meios de comunicação buscam as informações, ou a maioria.
As grandes redes de rádio, tevês e jornais, já possuem seus próprios sites com o som da emissora ao vivo, gravações, memórias, entrevistas, reprise de gols e notícias, muitas captadas de outros sites ou utilizadas dos jornais impressos.
Internet e rádios-escuta
A globalização permitiu a chegada das transmissões via satélite, facilitando o trabalho das emissoras de rádio, tevê e jornais. E depois veio a internet para ser acessada através dos sites dos principais veículos de comunicação do mundo e as rádios com o som ao vivo. Isso facilitou o trabalho do rádio, dos jornais e tevês. Em compensação, muita gente perdeu o emprego.
Hoje na apresentação dos noticiosos e programas, às rádios mantém computadores nas redações e estúdios para facilitar o trabalho de produtores, redatores, locutores e apresentadores. Com isso a informação está sempre atualizada. Até o advento da internet a situação era bem diferente. Quem tinha repórteres, produtores e rádio-escutas, utilizava esses profissionais para buscar as informações. No esporte os plantões esportivos também se baseavam no trabalho dos rádios-escuta.
Quando iniciei no rádio os plantões da Rádio Nereu Ramos utilizavam grandes rádios valvulados para sintonizar as emissoras. Quando cheguei a Jovem Pan (1973) o Plantão Esportivo era  Narciso Vernizzi. Tinha à sua disposição escutas, uma sala própria que se transformou no Plantão Esportivo Permanente da Jovem Pan. Sim, porque ele passava grande parte do dia na emissora. Por isso se tornou no Plantão Esportivo Permanente. Durante o dia captava pelos possantes rádios – hallicraft – as emissoras brasileiras e estrangeiras. Gravava noticiários do exterior e informava quase que imediatamente. Depois surgiu o telex e os noticiários vinham pelos teletipos das agências.
Tinha a sua disposição rádios-escuta em dias de jogos, o que permaneceu na Jovem Pan ao tempo do Milton Neves. José Laforé Salício e Guttenberg Alberto continuam lá neste mesmo serviço, já há uns 40 anos. Fone no ouvido, os escutas sintonizam emissoras de qualquer parte do mundo. Fora do futebol, os rádios-escuta da Jovem Pan faziam parte do dia a dia da emissora, captando as informações. De vez em quando eu entrava na sala – toda de vidro – para verificar as notícias que chegavam pelos teletipos e através da Voz da América, Voz da Alemanha, Rádio França, Rádio Niederland, e emissoras brasileiras.
Os recortes
Os jornais foram responsáveis durante décadas pelos noticiários; hoje continuam auxiliando os comunicadores de rádio em seus programas. Em Curitiba não é raro você ouvir notícias lidas dos diários que circulam na cidade. A Gillete-Press ainda tem espaço. É comum ouvir noticiários baseados na leitura dos jornais e de vez em quando até por falta de leitura antecipada, uma derrapada. Na Rádio Nereu Ramos de Blumenau onde iniciei em 1964, os noticiosos eram apresentados com script próprio. Eu e Álvaro Correia produzíamos o Panorama Esportivo que ia ao ar às 18h40. Antena Esportiva, Flash Esportivo, Dois Toques, também ficavam sob minha responsabilidade. Buscava as informações através das rádios e jornais, sempre redigindo as notícias, até por exigência da emissora. O Grande Jornal do Ar tinha diversos redatores. O Correspondente (noticioso que entrava a cada hora) era interpretado por Virgilio Léo. Gravava os noticiários das emissoras, em fita de rolo, para depois produzir o texto.
A Gillete-Press era utilizado para a busca dos horóscopos, receitas de culinárias e o placar esportivo que o Jornal O Globo publicava. Quando o jornal não aparecia nas bancas no sábado era um “Deus nos acuda”, por parte dos plantões esportivos. É que o Placar Esportivo trazia a relação dos jogos que seriam realizados no final de semana, no país e exterior.
The End
Pra fechar vamos descontrair com uma historinha que se passou na Rádio Jovem Pan lá pelos anos 60, que não tem nada a ver com a Gillete-Press.
O Dr. Paulo Machado de Carvalho – o Marechal da Vitória – comandava as Emissoras Unidas (TV Record, Rádios Record e Jovem Pan). Foi ele que comprou nos Estados Unidos o primeiro microfone sem fio para ser utilizado nas transmissões esportivos da Rádio Panamericana, hoje Jovem Pan.
A estréia em clássico no Pacaembu foi um sucesso. Passada a alegria da estréia, foi convocada uma reunião de emergência na segunda-feira. Reunidos num dos andares do prédio da Rua Riachuelo, centro de São Paulo, onde a emissora funcionava, o Chefe de Externas, Antonio Euclides, aos berros, queria saber quem tinha sumido com a antena do microfone sem fio. Todos se entreolhando, ninguém ousava falar, até que o incrível Natal Baldini (que trabalhou por 56 anos na emissora, falecido em 2004), disse: eu sei quem pegou a antena… Antonio Euclides (saindo fogo pelas narinas) esbravejou: então diga Baldini quem é o FDP… que sumiu com a antena. E o Baldini na sua simplicidade: foi o senhor…!!!
O prédio quase veio abaixo. Antonio Euclides tinha recolhido e guardado o equipamento, mas, havia esquecido a antena no porta-malas do carro.
Semana que vem tem mais !
 


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Por Edemar Annuseck

Edemar Annuseck, jornalista, narrador esportivo que iniciou na Rádio Nereu Ramos de Blumenau em 1964 e depois atuou nas Rádio Jovem Pan, Tupi, Record de São Paulo, Clube Paranaense, Cidade e Globo/CBN de Curitiba, TV Jovem Pan e SPORTV, Editor da página de esportes do Jornal A CIDADE DE BLUMENAU, cobrir 5 Copas do Mundo (74, 78, 82, 86 e 90).
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