Daltro D’Arisbo, o fascínio pela radiorrecepção

Desde o nascimento, no ano de 1953, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, fui fascinado pelo fenômeno da radiorrecepção. Criei-me, como filho de um Oficial de Comunicações do Exército, próximo de fones e transmissores, receptores e antenas, sempre com tempo para ver e mexer num equipamento eletrônico à válvula. Cursei Engenharia Civil e Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ingressando, por concurso público, na carreira de Auditor-Fiscal do Ministério do Trabalho, em 1983. Até hoje neste ofício, realizo inspeções de Segurança e Saúde no Trabalho nos portos nacionais. No ano de 2003, em Genebra, representei oficialmente o Brasil na Organização Internacional do Trabalho.

No ano de 1989, recebi do irmão o primeiro rádio do meu Pai, um Hallicrafters S-38, rádio fabricado nos Estados Unidos em 1948. Necessitando reparos, fui à procura de esquemas e válvulas para o “mascote”. Neste momento iniciei esta dedicação aos rádios antigos, um hobby de muitos fins de semana, a tirar, por vezes, o convívio familiar.

As fontes de rádios foram tantas que se perdem: doações, compras em antiquários, receptores enterrados no chão ou atirados no lixo… Com o tempo e naturalmente, a procura inverteu-se da quantidade para a qualidade e raridade dos rádios.

Nunca tendo passado por um curso de eletrotécnica, tive que me instruir sozinho, em antigos manuais e com amigos. A primeira amizade na paixão por rádios foi o saudoso Miguel Montik. A este radiotécnico nascido na Polônia muito devo quanto aos primeiros ensinamentos de eletrônica.

A chegada do computador resolveu os maiores problemas dos colecionadores: a pesquisa histórica, o acesso aos esquemas originais e fotos, bem como a comunicação com outros aficionados. Neste particular, cabe citar o Radiomuseum de Lucerna, Suíça, ao qual sou filiado. O site www.radiomuseum.org possui mais de 100 mil fichas de rádios e televisores antigos, sendo a grande fonte de pesquisa e aperfeiçoamento de um colecionador moderno.

Faltava mais conhecimento, um mestre. A lacuna foi preenchida quando encontrei o professor de Física da Unijuí, Ari Zwirtes, também colecionador e experiente restaurador de rádios antigos. Este amigo único e dedicado representou a consolidação da coletânea, tanto no conserto eletrônico, quanto na restauração dos chassis e caixas.

Este conjunto ordenado de receptores à válvula, hoje conta com mais de 110 rádios “falantes” e restaurados com a originalidade de sua fabricação. São peças catalogadas e com passado, datando entre os anos 1928 a 1960.

Esta mostra é dedicada aos meus queridos filhos e aqueles que vêem as antiguidades não como mercadoria, mas como valor de conhecimento e preservação da História. (Para contato acesse www.museudoradio.com)

Colaborou Ivan Dorneles Rodrigues

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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