Datacenters na vida humana

Que importância têm os datacenters em nossa vida? Há alguns anos, eu fiz a mim mesmo essa pergunta e obtive uma resposta contundente: nossa vida na maioria das cidades depende do bom funcionamento e da disponibilidade de um ou de vários datacenters. Não é exagero. Eles controlam quase tudo em cada segmento da atividade humana: energia, iluminação, telecomunicações, internet, transportes, tráfego urbano, bancos, sistemas de segurança, saúde pública, entretenimento e até nossa integridade física.

Em suma, o bem-estar e a segurança de bilhões de seres humanos estão entregues a esses centros de controle e supervisão de dados e informações. A maioria das pessoas, talvez, nem se preocupe muito com isso. Mas as grandes corporações e as instituições públicas, por outro lado, têm a obrigação de levar este assunto a sério.

Sem datacenters, nenhum internauta conseguirá fazer sequer uma consulta no Google, já que esse gigantesco portal utiliza milhares deles para indexar e armazenar mais de 700 trilhões de páginas de informações. Muitas pessoas preferem não pensar no problema, até porque a dependência existe em todas as megalópoles do planeta, e, dizem, “nada podemos fazer para mudar a situação”.

Esta coluna quer provar que podemos fazer muita coisa.

Datacenter, segundo a última edição de meu dicionário especializado Newton’s, é definido como um “local centralizado provido de recursos de computação e de telecomunicações de importância crucial – incluindo servidores, sistemas de armazenamento, bancos de dados, periféricos, redes de acesso, software e aplicativos – operado por pessoal altamente especializado, para uso e controle de indústrias, governo e empresas de serviços”.

Para me atualizar, ouvi há poucos dias Henrique Cecci, um dos grandes especialistas no assunto do Grupo Gartner. Comecei com uma provocação, acusando os datacenters de serem os maiores vilões do meio ambiente, pela quantidade absurda de energia que consomem, pelos investimentos brutais que demandam e por seus custos operacionais estratosféricos.

“Isso talvez fosse verdadeiro há 20 anos. De lá para cá as coisas mudaram”, diz Henrique Cecci. “Os datacenters modernos são muito menores e modulares. Essa é grande tendência corporativa: o crescimento modular. É claro que eles continuam tendo um ciclo de vida longo, mas sua expansão ocorre de forma modular. Da mesma forma que as corporações buscam essa modularidade do desktop ao mainframe, assim acontece com o datacenter.”

Os datacenters que visitei recentemente comprovam que eles consomem muito menos energia e ocupam muito menos espaço. Crescem à medida que a demanda de serviços vai crescendo. Nascem pequenos e levam em conta o consumo de energia, a emissão de carbono e o aquecimento global. A sustentabilidade e seu impacto no ambiente constituem uma preocupação verdadeira, com resultados muito mais positivos para as próprias empresas, dentro da filosofia de green technology.

Para Henrique Cecci, “os datacenters modernos têm capacidade de processamento quatro vezes superior à dos antigos, embora ocupem apenas 40% do espaço”. E não se trata, a rigor, de simples miniaturização de componentes eletrônicos, mas de uma busca permanente pela eficiência geral do sistema, que inclui os conceitos de virtualização (uso das máquinas virtuais) e computação em nuvem.

Os datacenters modernos armazenam muito mais dados e informações nos racks ou bastidores do que antigamente, até porque era mais difícil refrigerá-los. As novas tecnologias não apenas possibilitam esse aumento de densidade, mas, também, asseguram melhor refrigeração. Com isso, os datacenters modernos ocupam menos espaço. Há ainda outros meios de aumentar a eficiência geral do sistema, como as multizonas, com espaços especializados em alto, médio e baixo nível de processamento.

Outra grande tendência dos datacenters é a busca incessante de maiores níveis de segurança, em especial daqueles que servem às áreas de serviços essenciais e setores financeiros. Um dos riscos potenciais do Brasil de hoje é o do setor de energia. Grandes bancos – como Bradesco, Itaú ou Banco do Brasil – cuidam com muito mais responsabilidade da segurança porque precisam garantir continuidade absoluta de serviços, reduzir praticamente a zero os riscos de interrupção ou de apagões. Como fazem também as empresas de telecomunicações, em especial depois do advento da internet.

O datacenter está intimamente ligado a dois outros mundos tecnológicos: o da virtualização e o da nuvem. Aliás, esses dois conceitos interligados não são novos, pois já eram utilizados, embora às vezes com nomes diferentes, desde as décadas de 1960 ou 1970. A virtualização começou, praticamente, pela criação de máquinas virtuais para reduzir os enormes investimentos em plena era dos mainframes. Seu objetivo mais importante é aproveitar o melhor da infraestrutura.

Para empresas e profissionais interessados na atualização e nas grandes tendências desse tema, lembramos que será realizada a Conferência Data Center, evento de alto nível promovido pelo Grupo Gartner, nos dias 3 e 4 de abril, em São Paulo, no Sheraton WTC Hotel (acesse o site www.gartner.com/br/datacenter para obter mais informações).

O evento focalizará outros temas interligados, como otimização de custos, estratégias de virtualização, continuidade dos negócios, cloud computing, crescimento explosivo dos dados, operações de tecnologia da informação (TI), melhores práticas métricas e recomendações da indústria, as 10 principais tendências de TI no mundo, TI na América Latina e as tendências para o Brasil e para os datacenters.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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