De Pacheco e enfarruscado

Walter Pacheco Jr: Enfarruscado! Taí! Gostei do termo. Automaticamente indultado estás em cinqüenta por cento da pena devida. – Pena devida? – Claro! Pensas que esqueci que deixastes a produtiva visita do Ratzinger passar impune?
Por Walter Pacheco Jr

Como o tempo passa! (expressão que não é nova e tampouco inédita). Principalmente o século XXI, quando eu usei algum tempo um corte de cabelo aparentemente mais fashion, estilo astronauta russo atualmente tão fora de moda.
Sorte a tua, que escapando muitas vezes da atualidade pedes asilo lá no século XVIII, esquecendo as agruras daqui em longas e agradáveis conversas com os personagens do Eça de Queiroz, e vez em quando um chá no final da tarde ou um vinho no final da noite quem sabe com o Primo Basílio.
Meu caro, ocorre que me encontro na meia idade, (meia idade é um eufemismo absurdo e caridoso, pois raríssimos são os que duram cento e vinte anos) aquela altura da existência em que o trabalho (que nunca deu muito) já não dá mais prazer e o prazer começa a dar um trabalho danado.
Atravessando essa difícil quadra existencial, uma das múltiplas desventuras que nos assola é a desesperadora queda de cabelos, a tal alopecia androgenética, que embora não sendo a pior delas é pelo menos a que mais aparece pelo redimensionamento expressivo da área de testa, que é a única coisa que se vê crescer, além naturalmente da barriga e do custo de vida. Vai daí o corte de cabelo usado na época e caprichado no dia do lançamento do teu livro.
Quase todos passam por isso. É a tentativa vã e infrutífera de manutenção do manto capilar pela diminuição da resistência ao avanço. Como vês mais uma questão de física que de moda ou medicina.
Também conheço Darci Pacheco. Conheci-o jovem, magro, esbelto mesmo, um admirável conhecedor da história da humanidade, cujo futuro está muito sombrio, na verdade enfarruscado, embora nunca mais o tenha visto, embora creio, não dava para confundir-nos, não sei se reparastes, pelo tom de pele. Há sim! Não reparastes pois como dissestes houve a troca de óculos que nos perturba mais que a troca de roupa.
Desculpando-me pelo tremendo gorila que pagastes, sinto-me socado, tapeado nas costas, efusiva e carinhosamente cumprimentado e até lisonjeado por teres lembrado de mim numa manhã de um domingo enfarruscado, pago a dívida com a gratidão.
Obrigado! Pacheco.
Da Redação: se você leitor, está com dificuldade de situar-se e ainda não pescou de quem fala o autor do texto, vamos ao âmago da questão. A resposta está na ponta do seu dedo indicador. Leia a crônica “Pacheco” de autoria de nosso colaborador bissexto Augusto da Paz, publicada semana passada. Clique aqui.

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