Deitado? Nem morto

Sempre comentei com amigos e familiares o quanto os funerais ou velórios são um tormento.

Por mais que faça parte de uma cultura ficar por horas e horas numa angustiante despedida é doloroso demais. Sempre que vou a uma dessas situações penso se não haveria como pelo menos tentar amenizar o sofrimento; não há o que amenize tamanha dor além de fé e apoio de pessoas amadas a volta.

O tema ali em cima é a partir de uma matéria que li no DC do último domingo. Trata-se de um fenômeno nos Estado Unidos. A reportagem do Diário Catarinense conta que muitas pessoas ligaram para uma funerária com a intenção de saber como poderiam fazer para não ficar deitadas nos próprios velórios. Um dos casos: Uma mulher havia morrido aos 53 anos e passou o velório sentada em frente a uma mesa, cercada de miniaturas de capacetes do New Orleans Saints, com uma lata de cerveja Busch em uma das mãos, e um cigarro mentolado entre os dedos, da mesma maneira que havia passado boa parte de seus dias, enquanto viva, naturalmente.

A excelente matéria mostra vários outros casos. A ideia do velório não convencional surgiu em 2008 em Porto Rico. Gente velada em pé, sentada, cadeira de balanço e até num caixão feito para parecer um Cadillac Seville. Em 2012 foi aprovada a Lei que oficialmente permite funerais com cadáveres fora do caixão. A regra, ou Lei é clara, só não pode em posição imoral.

Será que no futuro essa “moda” vai pegar aqui?

Inevitável pensar como eu escolheria meu “momento” de despedida. O caixão gostaria de dispensar com certeza. Não tenho planos para usar esses métodos tão cedo, ainda há muito que fazer. Imagine o que mais gosta de fazer. Agora imagine que ficaria nessa posição no seu funeral. Coisa tenebrosa de dizer? A morte ainda é uma realidade. Se ela me ocorresse agora, por exemplo, enquanto escrevo esse texto, ficaria uma posição legal. Mas se o leitor (a) está lendo essa crônica e não ouviu falar que eu “parei” é provável que semana que vem tenha mais uma crônica. Ficar deitado? Nem morto.

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