Rádio Diário da Manhã, 50 anos depois

A história da Rádio Diário da Manhã começa com o registro de uma  Sociedade por cotas de responsabilidade limitada, em 1º de agosto de 1952, por iniciativa do então empresário e político Irineu Bornhausen. A nova empresa foi criada com o objetivo de exploração de uma gráfica, um jornal e uma emissora de rádio, na cidade de Florianópolis. Conforme registro feito na Junta Comercial do Estado, integram a empresa os acionistas “Hercília Luz, do comércio, Paulo Konder Bornhausen, estudante, Eduardo Santos Lins, estudante, Acary Silva, bancário e Antônio Carlos Konder Reis, jornalista”.

Irineu, oriundo do clã Konder-Bornhausen, um dos líderes da UDN – União Democrática Nacional – disputa a liderança política do estado de Santa com com a família Ramos detentora da concessão da Rádio Guarujá, desde 1946, quando foi comprada pelo PSD – Partido Social Democrático, em nome de Aderbal Ramos da Silva, Rogério Vieira, José Durval de Souza e Silva, Fabrício Maia Moreira e Altino Vieira. Sozinha, a Rádio Guarujá fazia a diferença em prol dos objetivos políticos da família Ramos.

A Rádio Diário da Manhã, entretanto, só vem a ser viabilizada no final de 1954, quando lhe foi concedida a concessão e instalados os primeiros equipamentos. Essa fase foi conduzida por Francisco Mascarenhas, um jovem radialista natural de São Francisco do Sul que se elegera deputado estadual pela primeira vez em 1950 e não conseguira se reeleger em 1954 pela UDN.

Chiquito, como era conhecido, cuidou da seleção dos equipamentos, da escolha de uma sede e da contratação do pessoal inicial. Foi buscar na equipe técnica da Rádio Guarujá o técnico em eletrônica Lourival Bruno e para a locução o paranaense Souza Miranda, um dos ídolos dos ouvintes do Brasil, na época trabalhando na Rádio Tupi de São Paulo.

Como relatam Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira no livro A história do Rádio em Santa Catarina (Insular, 1999), a emissora entrou no ar, no final de 1954, operando em ondas médias, com 250 watts de potência, na freqüência de 1010 kilociclos, ainda em caráter experimental. A inauguração deu-se no dia 30 de janeiro de 1955.

Em 1956 a emissora foi reforçada com a conquista da concessão de um canal em ondas curtas de 31 metros, na freqüência de 9.675 kilociclos. Com isso Diário da manhã quebrava a hegemonia da Rádio Guarujá que operava somente em ondas médias.

Com equipamentos de geração mais recente e mais uma cuidadosa seleção de profissionais experimentados e competentes a Rádio Diário da Manhã passa a liderar a audiência na cidade e no estado chegando a se colocar entre as principais emissoras dos grandes centros como Rio e São Paulo. Essa liderança se estende até meados da década de 1960, quando os rumos do rádio mudam com as limitações imposta pela ditadura dos governos militares e pelo derrame de emissoras em freqüência modulada distribuídas por todos os recantos do país.

Nesse mesmo período, os políticos dos partidos dominantes se acomodam sob as azas da ditadura e formam uma única frente chamada ARENA. Com o Congresso fechado e os partidos cassados, o interesse pelo rádio como elemento de influência eleitoral desaparece. A família Bornhausen se desinteressa pela emissora e transfere a gestão das concessões para a família Petrelli.

Segundo depoimento de Sandro Mascarenhas, filho de Francisco Mascarenhas, ao projeto Caros Ouvintes, foi o empresário Mário Petrelli quem intermediou a venda da onda curta de 31 metros da Rádio Diário da Manhã para o pastor Hienzen de Curitiba e das ondas média e FM para a Rede Brasil Sul – RBS.

A RBS assumiu as concessões referentes aos canais da Rádio Diário da Manhã em 1982. (Texto revisto e atualizado pelo autor, em 22/01/2014)

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