Direitos Humanos são para humanos direitos

A frase do título deste artigo foi buscada numa mensagem interessante que rodou pelas redes sociais da internet, de autoria de uma mãe e endereçada a outra mãe. A autora perdera o filho, assassinado que foi pelo filho da outra e faz referência ao proposto da segunda mãe, alegando Direitos Humanos em virtude da transferência de seu filho assassino de uma Febem próxima para uma Febem distante. A mensagem da primeira mãe protesta e pede as atenções para a transferência de seu filho desta para a outra vida, alegando também os seus Direitos Humanos. Alguém aí poderia explicar o que será que está acontecendo com a sociedade pós-moderna para a qual os valores são relativos – quando se trata de mim os “meus” direitos têm mais valor que os seus; quando se trata de aplicar a verdade, a minha verdade é mais verdade que a sua; quando se trata de fazer cumprir uma regra legal, a meu favor a regra é maior, assim como se for contra mim a regra tem de ser menor.

Sistematicamente os Direitos Humanos já são aplicados em favor de cães – um cão abandonado causa maior estardalhaço na mídia do que uma criança abandonada; nas ruas, a faixa de segurança foi transformada em passarela de veículos e motos; na saída dos edifícios a placa adverte os pedestres: “cuidado veículos” ao invés de advertir os veículos para terem “cuidados com os pedestres”; os acostamentos e as calçadas foram transformados em passarelas de carros apressados e em estacionamento de caras-de-pau abusados.

Aos assassinos se reivindica melhor tratamento do que se dá aos doentes internos nas instalações do SUS. Pagam-se infinitamente maiores salários a quem pune do que a quem educa.

Mas, esse desabafo do articulista é periferia do pior que está nos corredores do Congresso, nos gabinetes de executivos, magistrados, empreiteiros e concessionários de serviços públicos e também nas salas de decisões dos partidos políticos.

O pós-modernismo veio dizer-nos que a praia é mais de uns e menos de outros, que as ruas e calçadas são mais de uns e menos de outros, que o seu interesse é maior que o meu, que o seu direito é maior que o meu e que a lei é relativa, a justiça é relativa, a vida é relativa.

Uma série de circunstâncias produziu uma geração que aí está (com poucas ressalvas) da qual pouco se poderá aproveitar. Já se está chamando os aposentados para inúmeras tarefas que a atual geração não é capaz de encarar.

Fica o meu grito de alerta. Eu quero continuar na contramão dessas tendências – que já não são mais tendências – viraram práticas.

Homero Franco

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