Do cata-vento ao rádio digital 11

A volta ao rádio foi um acontecimento inesperado. O Menino do Itapevi por mais que acalentasse o seu sonho de um dia voltar ao microfone, dificilmente teria imaginado que isso estivesse tão perto. Mas, por obra e graça do imponderável, o microfone novamente estava no seu caminho.

A ESA, como parte do seu programa de integração com a comunidade local, iniciara no ano anterior, 1951, um programa de auditório transmitido aos sábados à tarde pela ZYK-6 Rádio Clube de Três Corações. Para dar continuidade ao projeto, naturalmente o convite para apresentar o programa foi feito ao novo presidente do Grêmio da Escola. A atração radiofônica era, na verdade, um show de calouros com a participação de alunos da ESA.
Durante uma hora desfilavam cantores, locutores, instrumentistas, imitadores e comediantes onde a rapaziada, na base da brincadeira, fazia o seu exercício de descontração e ao mesmo tempo marcava presença diante de um auditório sempre lotado com esmagadora maioria de garotas da cidade.
Nesse embalo, o cartaz do nosso personagem se projetava além dos muros da Escola. E com isso, no footing da praça se destacava entre os colegas. Daí surge o inevitável: a garota mais cobiçada do pedaço, Nazaré, a filha do seu Antoninho, acaba aceitando os inibidos galanteios de um inexperiente conquistador, o Cabo 518 que àquela altura, sem saber, carregava o cinematográfico apelido de Flash entre as garotas da cidade que assistiam nas tardes de domingo as peripécias do seriado Flash Gordon no Planeta Mongo. A semelhança, segundo as meninas, era mesmo com o ator Larry Buster Crabbe que protagonizou a série no cinema. 
Essa notoriedade, naturalmente se refletia no âmbito da Escola e começou a provocar resultados inesperados. A exposição individual na caserna é um fato olhado com certa reserva entre os responsáveis pela disciplina interna da corporação. As ações do aluno passam a merecer mais cuidado tanto dentro como fora dos muros da escola. É intolerável para qualquer militar de carreira que o prestígio pessoal ou mesmo funcional de qualquer integrante da tropa lhe proporcione quaisquer benefícios reais ou imaginados.
O militar brilhante que se destaca pelos seus conhecimentos, relacionamento ou atitudes simpáticas, mesmo que não seja motivo de perseguição deliberada, é impiedosamente vigiado como um perigo iminente.
Como decorrência dessa vigilância o Cabo 518 havia sido penalizado a dar serviço num fim de semana em que havia uma festa na cidade. O motivo era “o não cumprimento dos serviços de limpeza das instalações sanitárias conforme as normas da companhia”.
Então ocorre um fato que muda o rumo desta história e a carreira militar do Menino do Itapevi, o Cabo 518, agora quase sargento engenheiro do Exército Nacional, Eurides Antunes Severo.
 


{moscomment}

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *