Do cata-vento ao rádio digital – 13

Perder o curso, a promoção e o reconhecimento do trabalho realizado durante o ano, sem dúvida fora difícil. O doloroso, porém, foi tomar parte da cerimônia de encerramento do ano letivo com toda a Escola formada na praça interna e não ouvir uma única palavra sobre sua participação.

O Menino do Itapevi se sente magoado, entristecido, mas sem revolta. Por mais ingrato que lhe parecesse o momento, lá no fundo do seu coração uma voz pedia calma e resignação.

Encerradas as formalidades de promoção os novos sargentos voltavam para suas casas a fim de passar as festas do ano novo com os familiares e logo depois cada uma seguia para sua unidade de trabalho em um dos quartéis distribuídos por todo o território nacional. Ao Menino do Itapevi, coube o direito de escolher onde ir para completar o tempo de engajamento nas forças armadas.

– Quero voltar para o Sul, mas não para o Rio Grande. Onde fica a unidade de engenharia mais próxima da fronteira gaúcha?

– Lages. Você pode ser transferido para o 2º Batalhão Rodoviário.

– É pra lá que quero ir.

Definida a documentação de transferência, agora era apresentar-se no Hospital Central do Exército no Rio de Janeiro para o tratamento de saúde recomendado.

Estabilizado o estado emocional e debelada a crise de bronquite, no final de janeiro de 1953, o Cabo 518, ex-aluno da ESA, agora cabo Eurides pega o trem que vem lento e resfolegante em direção aos campos de Lages em Santa Catarina.

Em fevereiro apresenta-se e passa a integrar o contingente do batalhão que por ser de Engenharia, na época participava da implantação de um trecho de estrada ferroviária na região serrana catarinense.

Por ter concluído a formação de sargento, embora continuasse como cabo, o Menino do Itapevi é destacado para prestar serviço no batalhão da cidade de Rio Negro, na divisa de Santa Catarina com o Paraná.

Cidade pequena e aconchegante logo o visitante faz um círculo de amizades onde se inclui Sansores França, um dos locutores da ZYG-9 Rádio Rio Negro.

Identificados pelo interesse comum pelo rádio tornam-se amigos e daí nasce uma parceria que acaba resultando na definitiva mudança de rumo da carreira do militar que assume em definitivo os caminhos da comunicação.

Em maio de 1953, encerradas as atividades no Batalhão de Rio Negro, cabo Eurides volta para Lages. No dia 6 de julho, se desliga do exército e retorna a Rio Negro. Em agosto começa a atuar na Rádio Rio Negro como locutor iniciante e no dia primeiro de dezembro de 1953 assina seu primeiro contrato de trabalho profissional.


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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