Do cata-vento ao rádio digital 29

Passada a fase de adaptação, as oportunidades começam a surgir dentro e fora do trabalho. O relacionamento com colegas de outras áreas e com pessoas da comunidade ampliam o círculo de relações de cada um de nós.
Com a participação no radiojornalismo e nos programas de auditório fui me enfronhando na área de programação produzindo, apresentando e fazendo parcerias de trabalho. Dessas parcerias resultaram desdobramentos de grande significação para mim até hoje, particularmente o namoro com a Preta e a fundação da agência de publicidade A.S. Propague, com o Rozendo Lima.

A Preta datilografava os capítulos de novela que vinham dos patrocinadores e descrevia o perfil de cada personagem para facilitar ao diretor de radioteatro a distribuição dos papeis. Às vezes, quando os personagens eram muitos tinha que repetir a datilografia, pois na época ainda não havia um sistema de reprodução de cópias. Mas, como lhe sobrava tempo convidei-a para me ajudar a cuidar da correspondência dos ouvintes que era muita.

O Rozendo redigia e apresentava os programas voltados para os esportes amadores. Como era muito bem relacionado e sabia vender, carreava os patrocínios para os programas que eu produzia. É dessa época o programa Ponto de Encontro patrocinado pelas Casas Jody e das Noivas, lembrado ainda hoje por muitos ouvintes.

O Ponto de Encontro apresentado de segunda a sábado das onze e meia ao meio dia, recebia correspondência de ouvintes de praticamente todo o Brasil, graças à penetração da estação de ondas curtas de 31 metros da emissora. A qualidade do som era tão boa que muitos cartazes nacionais, sempre que passavam por Santa Catarina concediam entrevistas para anunciar o lançamento de novos discos.

Um fato marcante foi o lançamento nacional da música Mas que Nada de Jorge Bem (hoje Benjor). Armando Pitigliani, diretor artístico da Philips do Brasil, na época namorando uma das irmãs do Luiz Henrique Rosa trouxe a gravação ainda em acetato para que a música fosse lançada a partir da Ilha de Santa Catarina para o Brasil.

O tempo corria, a repercussão do nosso trabalho aumentava e chegou o carnaval de 1957. Embalados pela repercussão dos lançamentos da programação noticiosa da RDM (Rádio Diário da Manhã) como passou a ser chamada, resolvemos transmitir os desfiles de carnaval – uma tradição construída e preservada pela Rádio Guarujá por mais de doze anos com absoluta exclusividade.

Inexperientes, cuidamos de desenvolver um plano de trabalho com duplo comando: Zigelli cuidava do conteúdo da transmissão e eu coordenava o suporte técnico necessário e ambos partilhávamos a chefia da transmissão. Como estreantes tínhamos que inovar. Fixamos três pontos de atuação: 1) a transmissão em si dos desfiles das escolas de samba e das sociedades carnavalescas responsáveis pela apresentação dos carros alegóricos de mutação – um espetáculo único no carnaval brasileiro. 2) serviço de reportagem com flashs ao vivo dos clubes da cidade e também gravando parte dos bailes. 3) serviço de edição e transmissão da matéria gravada na noite anterior em um Especial com duas horas de duração que ia ao ar na parte da tarde.

O carnaval de Florianópolis já nessa época se dizia um dos maiores do Brasil e de fato, pelo menos em espaço de tempo era, pois a folia começava na sexta-feira a noite e só terminava às sete horas da manhã de quarta-feira com o encontro das orquestras do Lira e do Doze em baixo da figueira da Praça XV.

Então começamos surpreendendo a concorrência botando nosso ‘bloco na rua’ logo depois das oito da noite de sexta-feira.


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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