Do cata-vento ao rádio digital 30

Sexta-feira, primeiro de março de 1957. Dakir Polidoro abre a seleção musical da Hora do Despertador, às sete horas da manhã, ao som de Zé Pereira, o hino nacional do carnaval brasileiro.

Na seqüência do programa, as noticias, as informações e o cotidiano são intercalados pelos sucessos locais e nacionais criados especialmente para o “tríduo momesco” daquele ano. Às oito da manhã o noticiário dá contas dos títulos em maior evidência nas emissoras do Rio e São Paulo e completa com os nomes das músicas locais mais cantadas nos programas de auditório em Florianópolis.

A notícia seguinte detalha os preparativos para o carnaval que está começando e coloca em evidência a programação dos carros de alegoria e mutação, uma exclusividade do carnaval da Ilha, para terminar anunciando as disputas entre as poucas, mas aguerridas escolas de samba locais. E como arremate, praticamente em forma de anúncio, informa que “a partir deste carnaval a sua Rádio Diário da Manhã vai fazer a maior cobertura da festa de Momo, cobrindo os desfiles de rua e os bailes dos clubes do centro e dos bairros da cidade”.

E assim foi o dia inteiro, o martelo batendo na tecla do carnaval como principal “assunto do dia”.

Enquanto isso, na recém criada Divisão de Rádio Jornalismo a cobertura do carnaval era o tema de todas as atenções. Inclusive os colegas dedicados ao esporte como rotina diária, foram envolvidos com o desafio de se fazer uma transmissão com muito conteúdo, agilidade e emoção.

Pelo plano de trabalho a participação na cobertura de carnaval “era uma missão”. Todos os participantes, independente de quantas horas a mais trabalhassem, deveriam manter o cumprimento de suas funções de rotina. O repórter escalado para um clube e que participasse da transmissão até as duas horas da madrugada e depois permanecesse se divertindo até o dia clarear e tivesse que redigir o noticiário das oito da manhã, ele deveria cumprir seu compromisso funcional.

Oito horas da noite de sexta-feira, primeiro de março de 1957. A agência nacional encerra a Hora do Brasil. Com os fones nos ouvidos, acompanhando a transmissão, o Menino do Itapevi, recebe o sinal da técnica que o seu microfone está ligado e então fala:

Boa noite senhoras e senhores ouvintes! A partir deste momento, a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, passa a transmitir diretamente da Praça XV de Novembro os desfiles do terceiro melhor carnaval do Brasil.

Veja o relato na próxima semna.


{moscomment}

Categorias: Tags: , , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *