Documentário torna Paulo Gracindo representação do ator brasileiro

Gracindo Jr. conversa com o repórter durante um intervalo das gravações da novela “Poder Paralelo”, da Record. Ele não tem muito tempo, mas para tudo para falar sobre seu pai, personagem do documentário “Paulo Gracindo – O Bem-Amado”, que estreia 6ª feira (01/5) no Rio e em São Paulo, para exibição em película e digital (via Rain).

O próprio Gracindo Jr é o diretor e, embora seu vínculo com o material seja muito forte – ele passa o sentimento de ser um filho apaixonado -, Paulo Gracindo, para ele, não é somente o pai querido, mas a representação do ator brasileiro.

“Meu pai começou no teatro de revista. Ele integrou as grandes companhias, trabalhando com Procópio Ferreira e Dulcina de Morais. Fez rádio e foi um grande galã de radionovelas. Fez cinema na Cinédia, na Vera Cruz e no Cinema Novo. Fez teatro e televisão. Poucos atores foram tão versáteis ou se deram tão bem como ele em mídias tão diversas, trabalhando com artistas de concepções também tão diferentes.

O título do filme carrega uma dupla homenagem. Refere-se, obviamente, ao personagem Odorico Paraguaçu, de “O Bem-Amado”, peça de Dias Gomes que virou novela, série de TV e está sendo ressuscitada como filme por Guel Arraes, com Marco Nanini. Mas Gracindo Jr. também está falando de seu pai como um ator amado pelo público. Ele conta que já carregava este filme desde que, em 1980, concebeu – e dirigiu – “Paulo Gracindo, Meu Pai”, espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira do artista. Em 1981/82, “Meu Pai” saiu do palco de um teatro carioca para o Canecão e o título também mudou. Já era “Paulo Gracindo – O Bem-Amado”.

“O que eu acho mais extraordinário no Paulo, meu pai, é que ele morreu aos 84 anos (em 1995) como um ator moderno Para quem havia começado na Cinédia, fazer a ponte para Glauber Rocha (‘Terra em Transe’) e Arnaldo Jabor (‘Tudo Bem’) no Cinema Novo é prova de um imenso talento e muita renovação. Meu pai tinha esse diálogo com os jovens. Muitas vezes foi um ator adiante de sua época.”

Até por sua proximidade, Gracindo Jr. nunca duvidou de que deveria contar a história do pai na primeira pessoa. Esse formato se impôs em seguida, na verdade até como uma decorrência da peça. Fornecer a voz não foi um problema. O próprio Gracindo Jr. fala o texto, como se fosse Paulo Gracindo. “Sempre tivemos as vozes parecidas, às vezes até nos confundiam e tanto isso era verdade que mais de uma vez o substituí no rádio, que era feito ao vivo e ele, por um motivo ou outro, não podia estar no estúdio.” O ‘bem-amado’ era reconhecido no País, mas Gracindo Jr surpreende-se de que o filme foi bem recebido em festivais do exterior. O repórter arrisca a interpretação. Mesmo quem não conhece o personagem – eventualmente – pode se interessar pelo retrato amoroso que o filho traça.

O diretor conta que teve todo apoio do departamento de documentação da TV Globo, mas essa parte da pesquisa cobria só os anos 70 para a frente. Seu pai havia se iniciado muito antes e não foi fácil garimpar imagens e sons dessa carreira que se estendeu por 65 anos. “Ao mesmo tempo em que, como artista, ele tinha uma existência pública, meu pai sempre quis preservar a família. Acho que isso tem a ver com suas origens alagoanas, o tipo de família (e sociedade) de onde ele veio.” Os documentos, as entrevistas, tudo isso fornecia material para muito mais do que os 90 minutos que o filme tem.

“Não queria cansar o público com excesso de informações e metragem. Tenho tanto material que brinco que vou fazer ‘O Bem-Amado 2’.” Uma das preciosidades que ficaram de fora foram as imagens de “A Pérola”, um teleteatro da antiga TV Rio que Dias Gomes adaptou do romance de John Steinbeck. “Era ruim, mas como documento é inestimável. Como esse, tinha muito mais material, que foi difícil selecionar. Se não tivesse uma data de entrega do filme, acho que estaria trabalhando nele até agora”.

Cruzeiro On Line

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