Dr. Blumenau vai à Corte defender os interesses da Colônia

Em meio a toda a agitação do trabalho, em que muito do que acontecia era novidade para os imigrantes, estava sempre presente a figura do diretor da colônia. Era necessária a sua experiência, os seus conselhos, a sua capacidade de vislumbrar muito longe à frente. A figura impoluta e carismática encorajava os demais a enfrentar a luta com dedicação e entusiasmo. Ensinava a um como segurar a enxada, a outro como manejar a foice, e a outro mais como trabalhar com a pá. Ministrava remédio contra as naturais enfermidades que a mudança brusca de clima e a alimentação provocavam, sem contar as pequenas fórmulas para mitigar o incômodo causado pelas picadas de mosquitos.

Inesperadamente o Dr. Blumenau foi chamado à corte. Era convidado a defender os interesses da colônia. Rompia o ano de 1851 quando seguiu para o Rio de Janeiro, deixando o sobrinho Reinholdo Gaertner na supervisão dos trabalhos. Gaertner havia aprendido muito com o colonizador, mercê do interesse pela empreitada desde quando encarregado de conduzir os imigrantes para o Brasil. Seu afã pelo desenvolvimento da colônia impressionava a todos, causando a impressão de que, neste particular, rivalizava com o tio.

Graças aos escritos de Reinholdo Gaertner é possível saber sobre a vida simples, trabalhosa, mas feliz que os primeiros colonos levavam à margem do ribeirão da Velha.  Não cabe, aqui, pormenorizar suas anotações. Aos que se interessam, contudo, por conhecer mais profundamente o início da vida em Blumenau, seu diário oferece apaixonante leitura. A simplicidade com que registrava os acontecimentos e o detalhamento das informações deixam perceber a preocupação, desde o início, de criar naquele grupo um sentimento muito forte de unidade, fé, honestidade, trabalho profícuo e produtivo, fazendo desses valores a sua lei máxima.

No próximo capítulo: a primeira enchente altera o ânimo dos colonos.

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