Duas canções para lembrar aquele encanto da Rua da Praia

De Buenos Aires (Argentina), Eliana Mussnich, porto-alegrense ali radicada, escreve para Caros Ouvintes solicitando informações sobre como obter áudio da música do compositor gaúcho Alberto do Canto, intitulada Rua da Praia.
Por José Alberto de Souza

 De prontidão às ordens do comandante Antunes Severo, recebo a incumbência de atender ao pedido dessa nossa nova visitante, o que me foi motivo de máxima satisfação ao enviar-lhe a gravação original desta canção interpretada por um dos mais expressivos nomes da música popular brasileira, nascido no Rio Grande do Sul – Alcides Gerardi.
Daí que me lembrei de outra composição homônima, cujo autor Tito Madi já nos tem brindado com jóias do nosso cancioneiro como Chove Lá Fora e Gauchinha Bem Querer, passando ao querido e amado chefe, só para mostrar serviço, esta outra Rua da Praia, gravada há poucos anos atrás pelo veterano cantor do nosso rádio Fernando Collares.
Para que fui chegar ao quartel, estava pedindo para levar e assim fui intimidado a fazer apresentação do Collares, também meu caro amigo, para que o Brasil inteiro tomasse conhecimento da sua arte.
Soldado malandro sempre dá jeito de agradar ao seu superior, sem que ele perceba que cumpre suas ordens sem muito esforço, o que faço aqui transcrevendo trecho de matéria publicada em Zero Hora (Porto Alegre/RS), de 16 de outubro de 1991 (pesquisa não é plágio, é bom que se esclareça).
“Fernando Collares, funcionário aposentado da Caixa Econômica Federal, surgiu como cantor no programa Silva Filho, da Rádio Itaí, em 1951. Posteriormente foi contratado da Rádio Farroupilha, onde permaneceu oito anos.
“O auge de sua carreira foi durante o programa Grandes Audições Panambra Bendix, no horário nobre, onde se apresentavam grandes intérpretes do rádio brasileiro. Nessa época foi considerado o melhor cantor do Estado pela Revista do Rádio.
“Deixou gravado apenas um disco em 78 rpm, pelo selo Repertório, com as músicas Triste Revelação e Saudades do Meu Rincão.
“Mais tarde trabalhou em Curitiba e São Paulo, como crooner do conjunto de Breno Sauer. *Na época, músico não era uma profissão estável – lembra ele – então acabei retornando ao Sul, onde ingressei na CEF em 63,*
Como o comandante não perdoa, vou dar o serviço completo para que os Caros Ouvintes fiquem conhecendo melhor a nossa antiga Rua da Praia, através das seguintes versões:
1. – Rua da Praia (Alberto do Canto) – Samba-canção gravado em 11 de agosto de 1954 por Alcides Gerardi com Orquestra, em disco 78 rpm Odeon nº. 13721-a (no verso 13721-b Desconfiança/Cícero Nunes & Rogério Nascimento);
2. – Rua da Praia (Tito Madi) – Samba-canção gravado em 17 de janeiro de 2003 por Fernando Collares com acompanhamento de Lis de Carvalho (piano e teclado), Gabriel Bahlis (baixo), Zinho (bateria e percussão), Faninh (sax e flauta) e Olmir “Alemão” Stocker (violão, guitarra, cavaquinho), em CD ADA 002-03, faixa BR-AYJ-03-000.19.
De minha parte, fico na coluna do meio nessa briga para decidir qual das músicas seria a mais bonita. Por mim, pego as duas pombas em cada mão e não deixo nenhuma voar…
RUA DA PRAIA (Alberto do Canto)
Rua da Praia que não tem praia, que não tem rio,
Onde as sereias andam de saias e não de maiô.
Rua da Praia do jornaleiro, do camelô,
Do estudante que a aula da tarde gazeou.
Rua da Praia da garotinha que quer casar,
Do malandrinho que passa o dia jogando bilhar.
Se as pedras do teu leito
Algum dia pudessem falar
Quantas cenas de dor e alegria haveriam de contar.
Rua da Praia de alegres tardes domingueiras
Quando as calçadas se enfeitam de gauchinhas faceiras.
Rua da Praia da sede do Grêmio e Internacional
Que se embandeiram e soltam foguetes no jogo Grenal.
:: Rua da praia (Alberto do Canto)
RUA DA PRAIA (Tito Madi)
Rua da Praia
Eu vim para procurar minha saudade
Pra ver se eu encontro na verdade
Aquela alegria que eu vivi
E é por isso que aqui estou
Buscando o que guardei em minha mente
E lembro dos amigos de repente
Que já se foram pra falar com Deus
Rua da Praia
Gente conversando na calçada
Na rua moças lindas e encantadas
Eu olho e ninguém olha pra mim
Então eu penso
Mudaram-se os tempos e os costumes
O tempo não perdoa e me pune
Ninguém se lembra mais de mim.
:: Rua da praia (Tito Madi)

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