E não está bom…?

Donato Ramos

Dia 4, quinta feira, abril, 2013: abertura da Mostra Multimídia Donato Ramos. Espaço Cultural Rita Maria, no Terminal Rodoviário de Florianópolis, o cenário.

 

Donato rodeado por um grupo de amigos na noite de abertura da Mostra

Centenas de telas e desenhos nas paredes, cavaletes e dezenas de varais. Mostra de trinta CDs gravados (gaita de boca), que gravei acompanhado por Joaquim Diniz Miguel e João Oliveira – músicos de Cascavel PR – e amigos profissionais do Campeche – Bairro de Florianópolis .

Com oito títulos novos dos meus livros, completei uma centena publicados. Presente, Antunes Severo, repetindo fato acontecido há meio século no Teatro Álvaro de Carvalho quando Antunes e eu, fomos mestres de cerimônia do projeto Uma Canção Para Florianópolis (de onde surgiu como vencedora a canção que é o atual hino de Florianópolis – Rancho do amor à Ilha de Zininho). Festival por mim organizado, a pedido do Prefeito General Vieira da Rosa.

Coral Floripa Encanta interpretando músicas de compositores da Ilha, Grupo de idosos cantando os seus dois hinos próprios.

Festa que seria o coroamento de uma vida dedicada às artes, minhas e dos outros, não fossem alguns contratempos fazendo a gente pensar, com tristeza até, no porque ter feito e onde a vida atribulada está nos levando de roldão.

Participo da Aliflor – Associação Literária Florianopolitana, Academia de Letras Governador Celso Ramos, ALB – Academia de Letras do Brasil, seccional de Florianópolis e Academia de Letras de Cascavel. Todos convidados para participarem da Feira do Livro paralela à Mostra: apenas uma Escritora levou seus livros para mostrar ao público: Inês Carmelita Lohn.

Registremos para esclarecer: De todas as Academias e Associações convidadas, incluindo aquelas às quais pertenço, meia dúzia de escritores lá esteve prestigiando a Mostra. Quero registrar, também, que incentivei muitos novos escritores a publicarem suas obras, ajudei de todas as formas, não cobrando nada pelo serviço prestado como formatação, desenhos de capas, montagem total do livro, pesquisa de gráficas, entrega de originais prontos para impressão e até a festa de lançamento. Desses, apenas três compareceram a um evento da mais alta importância pra mim.

Não seria a hora de se reformular conceitos? Não é só com escritores que isso acontece. Em todas as categorias, em todas as camadas, em todos os segmentos da arte ou fora delas, em qualquer grupamento humano.

Foram convidados dezenas de músicos, principalmente os músicos por mim batizados de Pássaros Livres do Campeche, em torno de vinte. Compareceram  Dante Semicek, Márcio Tonelli e Salete Matos.

Nós, escritores, reclamamos tanto pela falta de oportunidades para mostrar nossos trabalhos, principalmente quando realizam feiras na cidade com espaço cobrado e livrarias cobrando até 50 por cento, ou mais, sobre o preço da capa do livro vendido e não aproveitamos quando uma oportunidade gratuita aparece, como é a Mostra que realizo no melhor espaço cultural que existe no centro da cidade.

A vida está tão atribulada assim, que não podemos nos locomover e sair da frente da televisão ou do computador por algumas horas? O mais grave é que isso atinge até membros da própria família. Observei diversas vezes em lançamentos de livros aos quais compareço que nem os parentes mais próximos saem de casa para prestigiar o filho, o pai, o irmão…

Não fico de fora, não senhores! Não falo só dos outros. Falo de mim também, porque a vida está sendo ruim para todos, impossibilitando até tomar um ônibus dentro da própria cidade, quanto mais de outras.

Você faz uma família e entrega ao mundo ou para a Globo, ou Sílvio Santos e, principalmente, para o Facebook.

Tenho oito filhos, 14 netos, 3 bisnetos. Dezenas de sobrinhos. Mulher e um filho com a mulher e seus pais compareceram à minha Mostra e lançamento do centésimo livro (pra mim, muito importante o fato, mas para os demais de nenhuma importância).

Fundei associações, sindicatos, participei de erradicação de favelas, organizações internacionais voltadas ao social, fundei colégio, fui professor em dezenas de cidades do Paraná, ajudei a fundar entidades de proteção à infância, dezenas de congressos sindicais e da terceira idade, fundei o Instituto Vida e Cidadania, sou presidente da Associação Catarinense de Idosos, Pré-Idosos e Deficientes Intelectuais e estou construindo a Casa da Vida em Águas Mornas dedicada aos idosos.

Não existissem as exceções deste tão conturbado mundo estaria sozinho na Mostra Multimídia Donato Ramos, acontecendo neste mês de abril no Espaço Cultural Rita Maria, com aquelas pessoas maravilhosas ao meu lado, de mãos dadas: Zezeca, Jany, Godoy, Joyce, Cidinha, Inês, Marcelo, Isabel, Madalena, Salete, Márcio, Coral Floripa Encanta, Grupo de Idosos Horto Florestal, Dalila e Wagner.

Sei que você vai perguntar seriamente: –  E não está bom…?

 

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