E os músicos falam!

Já usei este espaço para lamentar o tipo de texto que a rádio Cultura FM se permite vá ao ar: prolixo e excessivamente adjetivado. Já sugeri limitar a liberdade de se por no ar textos que não passaram pelo crivo dos redatores de rádio. Afinal redação de rádio é uma profissão que tem sua especificidade.
Por Anna Verônica Mautner

Nunca sugeriria censura de conteúdo, mas tenho certeza que nas mãos de um jornalista poder-se-ia dizer o mesmo com um corte razoável no tempo.
Uma rádio como a CBN, pode dar o microfone a especialistas, ouvintes, que naturalmente falarão – prolixo ou sucinto – conforme seu jeito. Não falo de programas interativos ou reportagens. Refiro-me aos apresentadores de programa de música erudita.
Como adjetivam! Como ampliam! Como dão destaque a informações totalmente inúteis!
 
Tipo de dado que só dá para aproveitar numa aula, onde estaríamos com papel e lápis na mão para anotar, eles dão pelo rádio sem avisar.
Inútil! A idéia mais comum, a mais redundante é aquela que se associa com “importante”. Apoiado em sua erudição julga, compara –tal cena, tal melodia, tal autor e decreta quão importante é. O porque que é importante está na cabeça dele e nós não conhecemos os processos pelos quais ele vai fazendo a dita seleção.
O nome dos lugarejos onde compositores e interpretes nasceram é um dado que comentarista nenhum consegue esquecer ou deixar de dar. E tudo isso se perde em ondas pelo ar. A primeira apresentação da obra, que gostaríamos ouvir assim que ele parar de falar, costuma ser descrita com detalhes totalmente desnecessários que entram por uma orelha e saem por outra. Mesmo porque são tantos que não dá para gravar.
Não sei para quem eles falam, com certeza não é para mim que não passo de uma ouvinte comum. É dialogo, é competição, é exibição para outros membros de sua própria corporação!  É festa entre amigos, que somos abrigados a assistir pela janela.
Sugiro à nova diretora das rádios da Cultura de São Paulo, que limite estas conversas informais. Não precisa dar pito. Lembre a eles que seus ouvintes gostam de música. Algumas poucas informações são bem recebidas. Mas adjetivação sobre autor, obra, somados a detalhes biográficos de compositor e obra sempre excessivamente adjetivados, não contribui significativamente para o melhor conhecimento da obra a ser apresentada mas tão somente fala da alma do comentarista que às vezes não nos interessa.
Será que os especialistas em música erudita gostam mais de falar de música do que da própria música?


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